quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Com a Saúde na UTI, secretário sai de férias em menos de 6 meses no cargo

A ausência do secretário de Saúde do DF, Fábio Gondim, na reunião que ocorreu ontem (5) entre a cúpula da Secretaria de Saúde (SES) e o governador Rodrigo Rollemberg, foi motivo de críticas por parte da imprensa local e até do ex-chefe da Casa Civil do Governo de Brasília, Hélio Doyle, que afirmou em sua conta no Twitter que “demitiria” o secretário, que está de férias, viajando para o Rio de Janeiro.

É errado tirar férias? Claro que não. Mas por que Gondim não adiou sua folga para a semana de Carnaval? Poderia até aproveitar para assistir ao desfile das escolas de samba no Rio, já que demonstra ser um apreciador das coisas boas da vida.
Com a Saúde na UTI, em estado terminal, não pegou nada bem para o secretário embarcar para a terra de samba e carnaval em pleno janeiro, período onde os gestores traçam estratégias para o ano, como a reunião que aconteceu entre o governador e a secretária-adjunta de Saúde, Eliene Ancelmo Berg.
Por falar em Eliene, que andou dizendo meses atrás para alguns diretores de hospitais que não aguentava mais ser preterida pelo comando da SES – oficialmente ela nega –, segundo informações obtidas, enfim pôde sentir o gosto do comando da pasta, embora dure só até o retorno do titular.
Óbvio que o secretário de Saúde saiu de recesso com o aval de Rollemberg, que demonstrou, de fato, não ter perfil de gestor ao liberar fora de hora o comandante de uma secretaria que necessita de mais atenção que as demais, visto os problemas crônicos que vêm enfrentando. Pior: em menos de 6 meses de Gondim no cargo.
Rollemberg e vários integrantes do Governo de Brasília gostam de criticar o ex-governador Agnelo Queiroz e seus secretários, mas o petista e Rafael Barbosa, então secretário de Saúde, que também herdou uma SES arruinada, passaram 2011 inteiro visitando hospitais. Os leitores sabem o quanto este blogueiro não poupa esforços para criticar as mazelas do PT no plano nacional e local, mas a verdade tem que ser dita: Agnelo e Barbosa eram mais atuantes no setor – ou pelo menos aparentavam ser.
Sabem qual foi a última vez que o governador Rodrigo Rollemberg visitou um hospital regional no DF? Em maio passado. Tem cabimento? Claro que não.
Ao tentar implantar em Brasília a terceirização da Saúde por meio das Organizações Sociais (OSs), o governador demonstra que quer administrar a área com o piloto automático ligado, sem preocupações com a turbulência causada pelas nuvens carregadas. É a maneira mais fácil de gerir um setor crítico e complexo. Só que se trata de uma política imediatista, ou seja, de governo – não de Estado –, que não vai resolver os graves problemas da Saúde a longo prazo.
Enquanto Gondim curte a vida nas praias cariocas em um mês estratégico para qualquer governo, pessoas perdem suas vidas nos hospitais, dependentes de uma gestão que parece estar de férias na Saúde desde 23/7/2015. E quando chegar a hora de gerenciar, quer ligar o piloto automático para desfrutar da paisagem.
Acho que dessa vez Doyle tem razão: “Esse secretário (Gondim) é um dos grandes erros do governo”.
*Por Fred Lima
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