terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Quase metade dos pacientes com câncer na boca morreu; Ceilândia lidera em número de casos

A população deve ficar alerta aos sinais do câncer de boca. No Distrito Federal, o Setor de Estomatologia do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), ligado à Gerência de Odontologia da Secretaria de Saúde, realizou uma análise de casos entre 2009 a 2015. Durante o período, 130 pacientes diagnosticados com a doença passaram pelo setor e pelo menos 53 deles foram a óbito, ou seja, 40,8%.
Os registros também mostram que 73,1% das pessoas afetadas são do sexo masculino e 26,9% do sexo feminino. Em uma análise por cor de pele, 46% dos pacientes são pardos, 32% brancos e o restante de outras variações. Além disso, entre as regiões que mais originaram casos foram Ceilândia (13), Samambaia (11), Gama (9), Aguas Lindas do Goiás (8) e Recanto das Emas (7).

O estomatologista da Secretaria de Saúde, Eliziário Cesar, lembra que o alto número de mortes se deve, principalmente, a demora dos pacientes em perceberem que desenvolveram o câncer bucal. Por isso, o ideal é ficar atento aos sinais da doença, principalmente, feridas na boca que não cicatrizam em duas ou três semanas.

Também é necessário ficar atento a ulcerações superficiais ou indolores que podem sangrar ou não, e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. Para quem desenvolve a doença e está em estágio avançado pode haver dificuldade para falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado e dor e presença de linfadenomegalia cervical (caroço no pescoço).

O médico enfatiza que o ideal é fazer o tratamento o mais cedo possível, porque as sequelas físicas e emocionais são muitos grandes para os pacientes.

"Em casos mais simples, pode haver uma pequena remoção de tumor na boca. Já em casos avançados, o tratamento é muito doloroso e pode comprometer uma área maior da boca, trazendo consequências mais sérias, como ter que fazer radioterapia e quimioterapia, além de ficar internado por longos períodos", aponta o médico.

DOENÇA – Segundo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença atinge cerca de 15 mil brasileiros por ano. O câncer de boca pode afetar os lábios e o interior da cavidade oral, que inclui gengivas, mucosa jugal (bochechas) palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas), bem como o assoalho (região embaixo da língua).

FATORES DE RISCO – As principais causas do câncer bucal são o uso de cigarro, bebida alcóolica (principalmente destiladas), irradiação solar, vírus papilomavírus humano (HPV), além de fatores coadjuvantes, como próteses mal adaptadas, má higiene bucal e dentes quebrados que traumatizam a mucosa bucal.

"A recomendação para as pessoas é que elas atuem preventivamente, realizando a manutenção de higiene bucal, com consultas periódicas no dentista e higiene bucal diária, alimentação adequada, rica em fibras, frutas e verduras, evitar hábitos nocivos à saúde como cigarro, bebida e exposição solar sem proteção", finalizou.

TRATAMENTO - Os tratamentos clínicos e cirúrgicos são oferecidos em diversos hospitais da rede pública hospitalar no Distrito Federal, com destaque para o Setor de Estomatologia do HRAN e para a unidade de cirurgia de cabeça e pescoço do HBDF, que também faz atendimento complementar de oncologia. O primeiro passo é procurar um dentista nas unidades de atenção básica do Distrito Federal, que irá avaliar o problema e orientar sobre o tratamento adequado.

Agência Brasília
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