domingo, 6 de março de 2016

Colégios públicos de Ceilândia são premiados pelo trabalho feito com estudantes

Apesar de algumas escolas em Ceilândia terem se evidenciado por conta da violência e depredação em 2015,   bons exemplos também se destacam. Duas instituições são, inclusive, premiadas: a Escola Classe 15 e o Centro de Ensino Fundamental 12 (CEF 12).

A Escola Classe 15 recebeu o título de Escola Cidadã do Brasil. Entre 2,5 mil instituições, ela venceu com o projeto Pequenas Corrupções Diga Não! no 7º Concurso de Desenho e Redação promovido pela Controladoria Geral da União (CGU). 

Computador
Ao todo, 450 crianças, do primeiro ao quinto ano, de seis a dez anos, participaram da seleção no ano passado . Além do título, o colégio recebeu um computador como prêmio.
Segundo o diretor, Renato Koziel, após a ação, as crianças tiveram uma melhora significativa na interação com os colegas. 

Poemas e panfletos
“Esse projeto englobou toda a escola. Foram produzidas passeatas, paródias, poemas. Distribuímos cerca de dez mil panfletos com atitudes que não devemos seguir. Até remédio as crianças criaram contra a corrupção: é o Honestran. Em sala de aula, também foram estudados textos sobre o assunto”, comenta Renato. 

Os prêmios foram entregues no fim do ano passado, após análise das instituições participantes, que apontou as melhores do País e do DF, conforme os trabalhos desenvolvidos com os alunos.

Necessidade de conscientizar sobre atitudes
A vice-diretora da Escola Classe 15, Mariangela de Oliveira Cambraia, 38 anos, conta que o projeto Pequenas Corrupções Diga Não!  surgiu da necessidade de conscientizar os estudantes para pequenas atitudes antiéticas que geralmente passam despercebidas. 

“Foi contagiante. Por ser período integral, dez horas diárias de aula, conseguimos atingir as crianças de forma positiva. Despertamos neles um olhar mais crítico, pois eles próprios fiscalizam a atitude do outro e também dos familiares em casa. É possível ver mudanças de comportamento”, detalha.

Cambraia conta que, antes, os pequenos não respeitavam as filas, colavam nas provas, falsificavam a assinatura dos pais e exigiam lanche do colega para guardar um segredo. “Era inviável fazer alguma atividade com eles sem esses problemas. Com essa premiação, fazemos com que eles vejam que tudo que fazemos de bom é reconhecido”, finaliza. 

Mariana Carvalho, oito anos, estudante do 2º ano, fala sobre o projeto: “Foi muito legal. Aprendemos várias coisas, entre elas que é feio mentir, bater nos professores e colegas e que não podemos aceitar troco a mais. Deu muito trabalho, mas estamos felizes com o resultado”

Mulher inspira atividade premiada
O Centro de Ensino Fundamental 12 (CEF 12) ganhou o primeiro lugar com o projeto Mulheres Inspiradoras no Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos Óscar Arnulfo Romero, promovido pela Organização de Estados Ibero-americanos (OEI). 


A escola concorreu com mais de 300 projetos de 18 países participantes. A posição rendeu US$ 20 mil (aproximadamente R$ 75 mil) para ser investido no projeto. A premiação ocorreu em Lima, no Peru.

Ao todo, 200 alunos de cinco turmas do 9º ano participaram. O projeto propõe o combate ao cyberbulling, assédio sexual e à difusão de modelos de comportamento inadequados entre meninas, buscando, assim, divulgar a trajetória de vida de mulheres inspiradoras em suas comunidades.



A idealizadora do projeto, Gina Albuquerque, conta que, ao criar uma página em uma rede social, ficou angustiada ao constatar algumas postagens: “O que mais me incomodou foi um vídeo de uma adolescente, em que ela dançava uma música com letra degradante de forma extremamente sensual. Tinha muitas curtidas e comentários, só que ela não percebia que, na maioria, eram desrespeitosos”.

Exemplos dentro de casa
Segundo ela, para os alunos foi um trabalho impactante, pois muitos não sabiam dos grandes exemplos e histórias de superação que tinham dentro da própria casa. 

Gina explica que foram apresentadas dez mulheres inspiradoras para exemplificar a importância do papel da mulher na sociedade, como Cora Coralina, Maria da Penha Fernandes e Zilda Arns. Os estudantes tiveram acesso a obras como O Diário de Anne Frank, Eu sou Malala e Quarto de Despejo – Diário de uma favelada. Foram feitas entrevistas com mulheres da comunidade. 

“Também fizemos campanha de combate à violência contra a mulher. Com isso, eles enxergaram em suas avós, mães, irmãs, professoras e vizinhas bons exemplos de mulheres inspiradoras”, afirma.
Segundo Gina, o dinheiro ganho seria investido no projeto, com aquisição de obras críticas e publicação de livro próprio com a coletânea das biografias dos estudantes. 

A escola também é vencedora de outros prêmios. O diretor Cristiano de Oliveira, 43 anos, acredita que o colégio terá ainda mais reconhecimento: “Com certeza vai incentivar mais projetos. Sem contar que é um incentivo à leitura e uma reeducação na forma de ver o mundo. Estamos orgulhosos”, completa.

Mestres e alunos comemoram
Para o vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 12,  Rosevaldo Queiroz, 42 anos, o projeto é motivo de alegria. 

“Acho que toda iniciativa que coloca o aluno como centro de um trabalho é sucesso garantido. Conseguimos ultrapassar os muros da escola e chegar às casas dos alunos, sensibilizamos as famílias, fazendo a diferença na vida pessoal e possibilitando maior abertura no convívio diário”, conta Rosevaldo.

Letícia Sobrinho, 14 anos, aluna do sétimo ano do colégio, conta que escolheu a mãe como mulher inspiradora para fazer a sua parte no trabalho.

“Gostei bastante. Vim de uma escola particular e pude perceber que mesmo lá não havia tanta inspiração e tanto espaço para novos projetos. Isso fez com que mudássemos a nossa visão, e a minha mãe também adorou participar”, diz a adolescente Letícia, satisfeita.

*Informações Ingrid Soares do jornal de Brasília
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