terça-feira, 14 de junho de 2016

Estudantes de Ceilândia ocupam o segundo e o quarto lugar na Olimpíada Brasiliense de Neurociência


Com estímulo e uma pitada de paixão por biologia, química e física, os estudantes Karen Kathleen Amorim Oliveira, 17 anos, e Kaleb Damarcena de Olivera, 16 anos, do Centro de Ensino Médio 9 de Ceilândia, superaram os próprios limites para representar o Distrito Federal no torneio da IV Olimpíada de Neurociência (OBN). Com o apoio do professor de biologia Ivaldo Jesus, eles ocuparam o segundo e o quarto lugar, respectivamente, no pódio da fase estadual realizada em Brasília.
Ao saber do torneio, Kaleb procurou um orientador. Começava, então, a nova trajetória do estudante. Sabendo do interesse pela olimpíada, o professor Ivaldo, que também acompanhou os alunos até São Paulo, na fase nacional, criou uma turma para ajudá-los, com reforço no contraturno das aulas. “O tempo dedicado aos conteúdos de nível de superior de ensino foi de suma importância para que os estudantes pudessem conseguir a classificação na I Olimpíada Brasiliense de Neurociências (OBSN) e, depois, fossem indicados a participar da IV OBN”, relata o docente.
O torneio é dividido em três fases: a primeira, em nível estadual, quando os três melhores colocados concorrem para a próxima fase, a nacional. Nessa, será definido um representante do País. A terceira fase, então, segue em nível internacional, com a premiação de medalhas e dinheiro para os três finalistas.
Na etapa nacional, a ganhadora foi a estudante de uma escola pública do Rio de Janeiro, Lorrayne Isidoro Gonçalves, que representará o Brasil, em julho, na 16º Olimpíada Internacional de Neurociência, em Copenhague, na Dinamarca.
A longo prazo
O interesse em neurociência surgiu por acaso, na busca pelo curso de graduação. Karen apostou nas aulas do professor de biologia para chegar ao segundo lugar do torneio. “A olimpíada ‘abriu a minha mente’. Tive acesso a matérias complexas, assuntos que são ensinados na faculdade”, conta. Devido à aproximação com a temática, a estudante do terceiro ano, hoje, já sabe o que quer para o futuro. “Pretendo cursar psicologia e fazer especialização em neuropsicologia. Graças à OBN, aprendi a amar a profissão”, afirma.

A escola, em busca dos melhores resultados para Kaleb, se empenhou em ajudar, e os professores somaram à conquista da quarta colocação na fase estadual. “Como o terceiro lugar não pode ir para a etapa nacional por razões pessoais, fui convocado. Quando soube que poderia participar fiquei muito feliz”, comemora o adolescente.
Segundo o professor, os estudantes não conheciam a neurociência e as aulas foram o caminho para despertar o interesse pelo tema. “Alguns até pensam em fazer o curso de medicina em neurologia. Outros se empolgaram em pesquisar a cura de diversas patologias neuropsicológicas e buscar o ingresso no curso de graduação em psicologia e áreas da ciência da saúde”, analisa. Além disso, Ivaldo afirma que aprofundou o conhecimento no assunto quando teve a oportunidade de estudá-lo com mais detalhes e, dessa maneira, auxiliar na competição.
Estudar ou estudar
Na etapa nacional foram classificados 13 estudantes. As provas são consideradas de alto nível e abordam questões sobre neuroanatomia, neurofisiologia, neurociência básica e clínica. Os participantes têm tempo determinado para responder cada pergunta.
O aluno Kaleb, que está no segundo ano do ensino médio, se prepara para a próxima edição da Olimpíada de Neurociência. “Como eu nunca tinha participado da competição, adquiri muito saber em um curto período. Caso me dedique mais, posso alcançar uma posição melhor. Estou trabalhando por isso”, garante.
O desejo pelo aprendizado nasce do aluno e cabe ao educador estimulá-lo, de acordo com o docente Ivaldo Jesus. “Em suma, a olimpíada traz benefícios diversos a todos os envolvidos no fantástico mundo do conhecimento e das ciências. Levando à busca por novos horizontes, ajudando a encontrar respostas ocultas, que conduzem ao pleno sucesso profissional, educacional e pessoal”, finaliza.
Ida a São Paulo
A comunidade escolar, sensibilizada com a história dos estudantes, criou rifas e arrecadou doações para financiar parte da viagem. Com isso, foi possível cobrir os gastos com hospedagem e alimentação. As passagens para a fase nacional do torneio, realizada no Hospital Albert Einstein (SP), no dia 14 de maio, foram custeadas pelo Comitê da Olimpíada Brasiliense de Neurociências (OBSN).
História da OBN
A competição teve seu início em 1998, por iniciativa do professor Norbert Myslinski, (Universidade de Maryland, EUA), com a criação do Brain Bee Competition. Iniciada nos EUA, se expandiu para vários países, a partir do ano 2000. O objetivo da olimpíada é motivar os estudantes no estudo do cérebro, inspirando-os a ingressar em carreiras clínicas e também de pesquisa básica. Podem participar alunos do ensino médio, entre 14 e 19 anos.
Atualmente, a Brain Bee conta com mais de 150 comitês, distribuídos em 30 países. Esses têm sediado suas próprias olimpíadas locais e nacionais de neurociência, bem como preparado os participantes para competir internacionalmente. No Brasil, existem, no momento, sete comitês: Rio de Janeiro e Grande Rio (RJ), Ribeirão Preto (SP), Juiz de Fora (MG), Brasília (DF), São Paulo (SP), São Fidélis (RJ) e Rio das Ostras (RJ).
Nathália Borgo/Ascom SEEDF / Fotos: Tiago Oliveira/Ascom SEEDF
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