quinta-feira, 23 de junho de 2016

Operação Lote Fácil busca quadrilha que cobrava para 'furar fila' da Codhab


(Correio Braziliense / Portal Metrópoles) Associações vinculadas à Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) são alvo da Operação Lote Fácil, da Polícia Civil do DF, nesta quinta-feira (23/6). Segundo a investigação, que durou quase um ano, as entidades cobravam até R$ 15 mil de pessoas já cadastradas no programa para que elas passassem na frente de outros beneficiários e recebessem as casas ou apartamentos em poucos meses. Há indícios de envolvimento de servidores públicos de outros órgãos, como o Senado e o Ministério do Esporte, que auxiliavam na negociação desses lotes.

De acordo com a Coordenação de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Ordem Tributária e a Fraudes (CORF), agentes vão às ruas de cidades como Sobradinho, Planaltina, Asa Sul, Guará, Recanto das Emas, Riacho Fundo, Santa Maria, Taguatinga e Ceilândia para cumprir 19 mandados de prisão, 14 de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para depoimento, e 25 de busca e apreensão. 

Os suspeitos ofereciam facilidades para a aquisição de casas e terrenos “sem fila e burocracia”, por meio da propaganda boca a boca. Segundo o coordenador da CORF, delegado Jeferson Lisboa, os criminosos conseguiam viabilizar o processo para essas pessoas mesmo que elas não possuíssem alguns documentos e comprovantes exigidos para a entrega do lote. Para isso, forneciam documentos falsos. 

Os presos devem responder à Justiça pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato, dentre outros.
Negócio de família

No início deste mês, a Polícia Federal deflagou a Operação Clã para desarticular outra organização criminosa suspeita de interferir e cobrar taxas para a concessão de lotes do Programa Habitacional Riacho Fundo II – 4ª Etapa. Os investigados vendiam, também por até R$ 15 mil, lugares na lista da Codhab.

O clã apontado pela PF é a família do ex-presidente da Codhab Rafael Carlos de Oliveira. Documentos exclusivos obtidos pelo Metrópoles mostram que o pai, Carlos Roberto e a irmã dele, Daniela Kely, teriam encabeçado o esquema milionário de grilagem de terras, por meio da Associação Pró-Morar do Movimento Vida de Samambaia (AMMVS). O grupo teria agido por mais de cinco anos. O lucro obtido ainda é contabilizado. Além da venda irregular de lotes, eles atuariam na captação de votos para políticos.

A polícia ainda investiga se os suspeitos tiveram auxílio de servidores ou até mesmo do ex-secretário de Regularização e Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal Geraldo Magela (PT). Um dos fatos que causou estranheza aos investigadores foi um termo aditivo assinado pelo petista, em 2013, que deu plenos poderes às associações de moradia popular. Além de ter o terreno no Riacho Fundo II, a AMMVS, que reúne 206 filiados, recebeu autorização para escolher os beneficiados pelo programa Minha Casa, Minha Vida. A associação também tinha autonomia de fiscalizar o processo.

*Informações Isa Stacciarini Jacqueline Saraiva / Correio Braziliense / Portal Metrópoles

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