quarta-feira, 13 de julho de 2016

Escolas de Ceilândia se destacam na Olimpíada Brasileira de Matemática

Afastado dos estudos desde os anos 90, José Adelmo resolveu encarar novamente a sala de aula no começo do ano passado. Aos 45 anos, encontrou forças no dia a dia para dedicar parte do seu tempo entre trabalho e estudo e se matriculou em uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no CEF São José, em São Sebastião.
Uma seleção de matemática realizada em sua escola indicou uma aptidão que talvez até José desconhecia. O tino para os cálculos, redescoberto depois de tanto tempo, levou o estudante a participar da edição 2015 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a OBMEP. Nesta terça-feira (12), José subiu no palco do auditório do Museu Nacional para receber a recompensa pelo seu destaque na competição: a sua primeira medalha.
José faz parte do grupo de 866 alunos que foram homenageados hoje por suas atuações na OBMEP 2015. Ao todo, foram entregues 686 menções honrosas, 116 medalhas de bronze, 51 de prata e 13 de ouro destinadas aos destaques do Distrito Federal. Também foram entregues troféus e kits pedagógicos/didático às escolas que se destacaram, além de diplomas de mérito para professores de matemática que se destacam por sua didática.
O número de medalhistas de ouro chamou ainda mais a atenção pelo fato de cinco desses competidores serem de escolas públicas de Brasília, algo jamais ocorrido. Os alunos da rede também receberam 17 condecorações de prata e 62 de bronze. O restante das premiações foi para estudantes do Colégio Militar de Brasília, do Colégio Militar Dom Pedro II e do Colégio Militar Tiradentes.
O secretário de Educação Júlio Gregório falou sobre o impacto da OBMEP nos exames de acesso à universidade, como o vestibular tradicional, o PAS e o Enem. “É regra geral. Escolas boas na OBMEP se sobressaem nas avaliações oficiais”, avaliou. De acordo com o coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, Claudio Landim, é comum que alunos de Brasília estejam nas primeiras colocações da competição. “O DF sempre se destaca, mas desta vez também nos chamou atenção o número de alunos da Secretaria de Educação que ganharam”, disse.
Maurício de Sousa, 13 anos, é um desses garotos dourados. Pelo segundo ano seguinte ele participa da OBMEP. Da edição de 2014 para 2015, ele subiu um degrau no pódio de matemática. “Jamais imaginei que estaria hoje sentado entre os melhores estudantes de Brasília. Eu sempre fui inseguro. Achava que na escola me saia bem, mas que fora desse ambiente não me sobressairia. Me enganei”, contou ele.
Aluno do CEF 12 Ceilândia, Maurício teve treinamento duplo para aumentar seu rendimento e atingir uma marca melhor na última edição. O jovem revezava os estudos entre as aulas da bolsa do Processo de Iniciação Científica (PIC) – prêmio recebido no ano passado – com o curso preparatório para a OBMEP desenvolvido em sua escola. Daniel Alves, professor de matemática homenageado pelo trabalho da CEF 12 Ceilândia atribui bons resultados como o de Maurício ao empenho dos alunos. “Nesse preparatório, o aluno começa a perceber a matemática na vida dele. Nós apenas mostramos o caminho e eles descobrem”, explicou o professor.
Outra escola que também se destacou foi o CEM 9 de Ceilândia. A unidade é conhecida nos bastidores da OBMEP por seu trabalho de ponta voltado para matemática. O projeto intitulado Matemática Todo Dia (MTD) foi criado há mais de 10 anos pela professora Alessandra Lisboa da Silva e modificou a mentalidade e perspectivas dos estudantes da escola. “Antes, nossos alunos só pensavam em concluir o Ensino Médio. Hoje eles enxergam nas universidades públicas a meta da vida deles”, argumentou.
Percebidas as virtudes do projeto de matemática, a escola ampliou o trabalho para as áreas de português, filosofia, geografia e robótica.”Muitos dos nossos estudantes que tiveram êxito na OBMEP foram aprovados em cursos de Exatas na universidade e agora ajudam a fomentar o estudo de raciocínio e cálculo”, ressaltou a professora de matemática da escola Ana Paula Dias, também homenageada.
O governador de Brasília Rodrigo Rollemberg esteve presente na cerimônia e relembrou seus tempos à frente da Secretaria Nacional de Inclusão Social, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Na época, ele foi o organizador da 1ª edição da OBMEP, que envolveu mais de 10 milhões de participantes. Hoje, com o alcance de 18 milhões de alunos, Rollemberg se diz feliz por ver o gosto pelo estudo da matemática ser cada vez mais fomentado. “A matemática está em tudo e é fundamental para que o país gere empregos qualificados e o desenvolvimento tecnológico para o país”, disse.
Voltada para a escola pública, estudantes e professores, a OBMEP tem o compromisso de afirmar a excelência como valor maior no ensino público e suas atividades vêm mostrando a importância da matemática para o futuro dos jovens. O projeto é promovido pelo Ministério da Educação (MEC) e realizado pelo IMPA, em parceria com a SEEDF.
Também participaram da cerimônia de entrega de prêmios o coordenador da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, Reginaldo de Abreu; o subsecretario de Educação Básica do DF, Daniel Crepaldi; o presidente do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, Marcelo Viana; e outras autoridades.

Jogos Olímpicos x OBMEP
A edição da OBMEP deste ano coincide com o ano em que o Brasil recebe os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Questionado sobre as diferenças entre as duas competições e que tipo de influência um poderia ter sobre a outra, o organizador da OBMEP, Reginaldo Abreu explica que as duas podem ser complementares, quando trabalhadas pedagogicamente.
“A olimpíada esportiva tem o mérito por si só, em sua premiação. Já uma olimpíada de conhecimento tem o objetivo de desenvolver o jovem estudante, tornando-o mais competente para o desenvolvimento do Brasil, uma vez que a matemática é a base do desenvolvimento científico e tecnológico de um país”, concluiu.
De olho em 2016
A primeira fase da OBMEP 2016, que consta em uma avaliação com 20 questões objetivas, foi realizada no dia 7 de junho. A segunda fase está prevista para 10 de setembro, com aplicação de seis questões discursivas. Os alunos que se classificarem como medalhistas recebem uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no valor de R$100 mensais ao longo de um ano e participam do Programa de Iniciação Científica, na UnB. Também é garantido ao aluno medalhista uma bolsa de mestrado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ao ingressar no Ensino Superior.
Em novembro, no Rio de Janeiro, será realizada a cerimônia da OBMEP que reúne os medalhistas de ouro de todo o território nacional. Maurício de Sousa (CEF 12 Ceilândia), Israel de Araújo (CED 6 Ceilândia), Mayara de Olivera Pinheiro (CEF 2 Guará), Guilherme Eiji (CEF 5 Brasília), Barbara de Matos (CEF 4 Brasília) fazem parte do grupo que vai representar Brasília nesse encontro de campeões.
Fonte Ascom/SEEDF - Fotos: Tiago Oliveira
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