sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Hospital Regional de Ceilândia completa 35 anos


[Agência Brasília] Às 12h49 desta sexta-feira (26), o choro de Gabriel Santos ecoou em um dos boxes de pré-parto do Hospital Regional de Ceilândia. O primogênito de Daiane Rita da Silva, 26 anos, nasceu saudável e entrou na estatística da unidade pública que mais realiza partos no Distrito Federal e que, neste sábado, completa 35 anos de existência. São aproximadamente 532 partos por mês na estrutura que é credenciada como Hospital Amigo da Criança.

O pai de primeira viagem, Rafael dos Santos, teve a oportunidade de acompanhar a esposa em todos os momentos. "Foi emocionante, estou muito feliz. Eu só tenho que agradecer a Deus. Gostei muito de participar desse momento", afirmou, ao lado da esposa, que ficou muito emocionada e não conseguiu falar.

O atendimento das grávidas começa na sala de pré-parto, onde são realizados os nascimentos naturais. No local, há nove boxes. Assim que nasce, o bebê vai direto para o colo da mãe, para ter o contato pele a pele por cerca de duas horas.

No pré-parto, a equipe conta com auxílio de técnicos de enfermagem. A técnica Fernanda Angélica da Silva, tem uma relação estreita com a unidade. Além de trabalhar e ter nascido no Hospital de Ceilândia, ela conta que chegou a atuar com o médico que realizou o seu parto, há 32 anos.

"Para mim foi muito legal ser alocada para trabalhar aqui. Sempre fui apaixonada por parto e recém-nascido. E trabalhar com o médico que fez o meu parto foi muito legal", disse, ao relatar que se trata do obstetra Tenório Lima, que se aposentou no mês passado.

Com 10 anos de serviços prestados no Hospital de Ceilândia, outro profissional que conhece bem a história da unidade é o obstetra e pediatra, Adonirã de Freitas. "Esse hospital é muito importante pela quantidade de nascimentos feitos aqui. Eu já perdi as contas de quantos partos realizei, mas pelo tempo que estou aqui já deve ultrapassar mil partos com certeza", disse o médico, ao afirmar que se sente orgulhoso pelo trabalho gratificante.

Além do pré-parto, o hospital conta com o espaço pós-parto, onde há 16 leitos. Lá, os recém-nascidos são avaliados pelos neonatologistas e as mães pelos ginecologistas obstetras. Se tudo estiver bem, os dois já podem ir para a maternidade, onde há 42 leitos.

Na maternidade, a presença de outro pai fortalece o clima familiar. Marcelo Gomes, 33 anos, também acompanhou o parto da esposa, Vanisseia Gonçalves, 23 anos. "Fiquei surpreso com o parto, mas consegui me controlar e apoiar minha esposa. Eu quis acompanhar para dar mais força para minha mulher", contou.

Próximo ao casal, Meire Barbosa Ferreira, 31 anos, também se recuperava após dar à luz ao Heitor. "Eu gostei do atendimento aqui, meu marido pode acompanhar o parto e foi tudo tranquilo. Foi bem diferente, porque antes tínhamos que ficar sozinha. Com o acompanhante é bem melhor", relatou, ao destacar que também nasceu no hospital.

"Esse é um momento para refletirmos sobre o que essa estrutura significa para essa população ao longo de 35 anos. Muitas vidas já foram salvas", disse a superintendente de saúde da Região Oeste, Talita Lemos Andrade.

COMEMORAÇÕES – O Hospital Regional de Ceilândia realiza, por mês, uma média de 273 cirurgias, 729 procedimentos de ortopedia, 20.561 atendimentos de Emergência, 6.140 atendimentos de Ambulatório, 32.360 exames de laboratório e 8.117 de radiologia.

Para comemorar o aniversário do Hospital Regional de Ceilândia, durante toda a semana, foi realizada a 2ª Semana Científica, organizada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS). O evento reuniu 45 trabalhos de pesquisa, feitos entre 2011 e 2015, pelos estudantes que têm campo de estágio no hospital e em outras unidades básicas de Ceilândia.

"O Núcleo de Educação tem recebido muitos trabalhos de pesquisa e extensão porque somos cenários da Universidade de Brasília", disse a chefe do setor, Elizabete Abreu. Segundo ela, um dos trabalhos mais importantes foi sobre o subfaturamento da unidade.

HISTÓRIA - O Hospital Regional de Ceilândia (HRC) foi inaugurado no dia 27 de agosto de 1981. O atendimento médico era realizado no centro de saúde 1, que hoje é centro de referência para especialidades de ambulatório. As emergências eram levadas para os hospitais de Taguatinga e de Base.

O HRC foi inaugurado com 53 leitos para internação, um ambulatório com 15 consultórios e uma emergência com 15 boxes e atendimento em clínica médica, cirurgia geral, pediatria e ginecologia. Havia ainda nove centros de saúde e um laboratório regional compondo a regional de saúde de Ceilândia.

Atualmente, o HRC presta assistência médica em emergência nas especialidades de cirurgia geral, ortopedia, pediatria, ginecologia e obstetrícia e odontologia. No ambulatório (consultas agendadas com antecedência) são mais de 25 especialidades, entre elas neurologia, psiquiatria, geriatria, fisioterapia e endocrinologia.

São 300 leitos para internação em clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ortopedia e ginecologia e obstetrícia. Tem 10 leitos de UTI adulto e 8 de UTI neonatal.
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