domingo, 18 de setembro de 2016

Paratleta de Ceilândia detém recorde brasileiro nos 100m rasos


Desde o último dia 7, milhares de atletas do mundo inteiro têm superado seus limites e dado um show nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que a competição desembarcou na América do Sul. Jogando em casa, o Brasil se destacou, enviando sua maior delegação na história (composta por 286 competidores) e alcançando o melhor desempenho de todos os tempos (até o fechamento deste texto, foram conquistadas 55 medalhas, sendo 11 de ouro, 25 de prata e 19 de bronze).
Para atingir resultados como esse é fundamental realizar um trabalho de base. Por isso, desde 2012, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) mantém um convênio de cooperação com o Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe), no programa Vida Saudável. Por meio dele, estudantes da rede pública que possuem algum tipo de deficiência podem desfrutar gratuitamente toda a estrutura disponível no espaço para treinar no contraturno.
“No turno escolar, o aluno faz as aulas de educação física na escola e, no horário oposto, ele faz atividade aqui. A gente também orienta os professores de educação física para saber como lidar com esses estudantes”, explica o responsável técnico pelo Cetefe, Ulisses de Araújo. “O DF é a terceira Unidade da Federação com o maior número de atletas representando o Brasil nas Paralimpíadas e isso é resultado de parcerias como essa. O trabalho de base é feito nas escolas, começa nas aulas de educação física, incluindo os alunos. É ali que a gente gera esse gosto para ter um esporte mais de rendimento”, completa.
A história de Ricardo Serpa ilustra bem a afirmação de Ulisses. O jovem de 22 anos, que detém o recorde brasileiro nos 100m T34, começou no atletismo por influência de um docente. “Eu estudava no Centro de Ensino Médio (CEM) 02 da Ceilândia. Lá, o professor de educação física me apresentou para um outro professor que dava aulas para pessoas com deficiências físicas. Depois, ele me apresentou para o Dênis, que é meu técnico até hoje. Com isso, já são quase quatro anos de atletismo”, lembra. Destes quatro anos, metade foi treinando no Cetefe. “É um grande incentivo para os atletas. Aqui, nós temos local de treino, de musculação, eles nos oferecem as cadeiras de rodas também. É, sem dúvidas, um dos principais centros de treinamento de Brasília”, elogia. Opinião semelhante à de Adrielly Ragel, de 18 anos. “Estou no Cetef há três anos e esse espaço é bom porque dá oportunidade para treinarmos. Nem todo lugar aceita atletas cadeirantes e aqui, além do espaço, temos também os materiais. É tudo muito bom”, comenta a atleta.
Atualmente, 645 estudantes da rede pública treinam e 15 professores da SEDF ministram aulas no Cetefe. No local, os atletas têm a oportunidade de praticar 16 modalidades, entre elas, goalball, tiro com arco, atletismo e natação. “O Cetefe agrega, no sentido de que ele vai um pouco além da educação física. Nas escolas, nós temos uma perspectiva mais pedagógica, de formação. Já o Cetefe dá um passo adiante, porque ele especializa o estudante em uma modalidade”, avalia o executor titular do convênio da SEEDF com o Cetefe, José Montanha.
Paralimpíadas
O Cetefe enviou, ao todo, 12 atletas e três treinadores para os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Antônio Rodrigues quase foi um deles. “Eu cheguei a ser pré-convocado, mas bati na trave. O Cetefe foi muito importante nisso. Depois que eu entrei aqui, meus tempos melhoraram. Ele dá toda a base que a gente precisa”, opina. O atleta de 44 anos não descarta, no entanto, a possibilidade de buscar uma vaga nos Jogos de Tóquio, em 2020. “Quem sabe. Conheço atletas de 60 anos que estão no pódio. O negócio é se dedicar de corpo e alma, investir e ver no que vai dar”, diz, otimista.
Atletas e treinadores também comemoram o fato de a competição – que termina no próximo domingo (18) – estar sendo disputada no Brasil e os bons resultados obtidos pelos atletas nacionais, o que deve contribuir para que os esportes paralímpicos ganhem mais visibilidade. “Sábado passado, por exemplo, o número de espectadores foi maior do que o da Olimpíada. Isso é um legado que não tem preço, mais até do que a própria estrutura física”, celebra Ulisses de Araújo. “O desempenho do Brasil nas Paralimpíadas está sendo fantástico. Mas, independente disso, o Cetefe realiza esse trabalho há vários anos. Eu acredito que hoje ele está colhendo os frutos de semente que foram plantadas há muito tempo. A gente está vendo o florescimento desses atletas”, finaliza José Montanha.
Serviço
Os estudantes que desejam treinar no Cetefe devem se inscrever pela internet, no site www.cetefe.org. Em até 15 dias, o interessado é chamado para uma realizar uma avaliação. Não há limite de vagas. Os professores que desejam receber orientação para desenvolver um trabalho com alunos com deficiência também podem contactar o centro pela internet ou pelo telefone 2020-3435.

*Informações da Secretaria de Educação do DF
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...