quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Moradores contestam derrubadas no Sol Nascente, em Ceilândia



[Jornal de Brasília] Ânimos exaltados e barracos derrubados. Esta foi a realidade encontrada no Sol Nascente, em Ceilândia, na manhã desta quinta-feira (6). Foi o segundo dia que a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) realizou a derrubada de barracos localizados na área conhecida como Chácara do Padre, sob a alegação de ter sido invadida recentemente e do solo ser impróprio para construções.

Pela manhã, houve confusão. Os moradores contrariados com a derrubada arremessaram pedras e garrafas contras os policias. O Batalhão de Choque precisou ser acionado e conseguiu conter os manifestantes com o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha. Um grupo chegou a atear fogo em um ônibus roubado à mão armada em um terminal da cidade.

“Alguns moradores dificultaram o acesso da polícia. Foram montadas barreiras com pneus e cordões humanos que impediam a nossa passagem. Como não foi possível um acordo, foi preciso o uso de outras medidas para conter os manifestantes”, afirmou o Capitão Rogério, da Polícia Militar.

No período da tarde, o clima ficou mais ameno. Alguns moradores retiravam móveis e partes das casas – como portões e janelas -, antes das demolições.

Parte dos moradores afirmaram que, há cerca de quinze dias, representantes do governo estiveram no local e prometeram que a área não seria demolida. “Vieram aqui e marcaram vários lotes, dizendo que seria para instalação da rede de esgoto e asfalto. Agora, chegam e derrubam tudo. Isso é desumano”, disse Beatriz Almeida, de 24 anos.

Segundo o relato dos moradores, nenhum deles foi notificado da retirada das construções. “É uma injustiça o que estão fazendo com a gente. Aqui temos famílias e não precisava dessa brutalidade”, relatou Abimael Ferreira Castro, de 34 anos, enquanto colocava os móveis da casa em que mora com a esposa dentro do caminhão.

Moradores não têm para onde ir

Residente no local há três anos, Ana Cláudia de Oliveira, de 40 anos, diz que nenhum morador teve apoio do governo. A mulher mora em um dos barracos que está na área a ser derrubada com a filha e a neta e diz que não tem para onde ir. “Falam que vão levar a gente para abrigo, mas não tem nenhum abrigo que tem vaga. Sem contar que nesses lugares, muitas vezes, corremos riscos”, relatou a manicure.

Versão Oficial

A Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) disse que, para as pessoas que não têm parentes ou locais para onde ir, são oferecidas, além da possibilidade de instalação em abrigos, cesta básica, auxílio vulnerabilidade – no valor de R$ 408 – por até seis meses e auxílio aluguel – no valor de R$ 600 – por até 12 meses, mediante avaliação e monitoramento da pasta. Ainda de acordo com a pasta, foram 20 famílias atendidas no local, mas somente uma pediu acolhimento.

A Agesfis informou que o local onde os barracos estão sendo demolidos tem uma área total de 77 mil m² e que, nos dois dias de ação, foram desobstruídos 8 mil m². Ainda conforme o órgão, a área em que ocorrem as derrubadas são construções que foram levantadas após julho de 2014 e que o pedido para desocupação foi feito pela Defesa Civil após avaliação do solo. “É uma área pública que não comporta construções. Segundo a avaliação, todo o terreno é condenado por ser área de brejo”, informou.

* Informações Ana Lúcia Ferreira / Jornal de Brasília
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...