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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Em Ceilândia, ambulância circula graças a "vaquinha" de servidores



O SindSaúde-DF apurou nesta quarta-feira (23), denúncias de prejuízos causados pela falta de combustível para abastecer os carros da Secretaria de Saúde. Amostras de exames que deveriam ter sido encaminhadas de São Sebastião para análise no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) foram perdidas por falta de transporte. Além disso, o carro que leva roupas da regional para serem lavadas no Paranoá precisou ser abastecido de forma incorreta com galão galão impróprio. O apoio aos usuários que fazem hemodiálise também foi prejudicado e até mesmo uma doação de órgãos não pôde ser feita.


A paciente Karla Vegas foi surpreendida ontem com a informação de que o transporte para a clínica na qual faz hemodiálise três vezes por semana estava suspenso e sem previsão de regularização. “Ligaram avisando que não teria, falaram que parou de rodar porque não tinha gasolina. A gente fica revoltada, muitos não têm condição de pegar ônibus e nossas vidas dependem disso”, lastimou. No Paranoá, não foi possível doar os órgãos de um homem com morte cerebral, pois o exame necessário para dar prosseguimento à doação é feito no Hospital de Base (HBDF).

Casos não são isolados

Em menos de 24 horas, muitos problemas foram causados pelo desabastecimento dos veículos. Ontem (22), o sindicato denunciou a situação do SAMU, que deixou de transportar pacientes em Santa Maria pelo mesmo motivo. Em Ceilândia a ambulância local ainda circulava graças a servidores que se uniram para comprar gasolina.

O absurdo não é novidade e já causou vítima fatal. Há um mês, um paciente morreu por não conseguir transferência do Hospital Regional de Planaltina (HRP) para uma unidade particular. Segundo a família não havia dinheiro para abastecer o veículo que faria o traslado.

A situação teria começado porque a prestadora do serviço não mais autorizou o abastecimento dos veículos do governo. “A empresa não tem musculatura para manter o serviço quando o governo para de pagar. Que contrato é esse que podem simplesmente abandonar os pacientes ao leu? É a mesma coisa que acontece com a Sanoli na alimentação”, compara Marli Rodrigues, presidente do sindicato. “Isso já começou irregular pela escolha do posto conveniado, onde a gasolina é muito mais cara do que em outros. É o desperdício de um dinheiro que poderia render ainda mais combustível. A gestão terá que explicar essa situação”, ressalta Marli. O SindSaúde-DF apurou que enquanto o GDF paga em torno de R$3,59 em um litro de gasolina, é possível encontra-lo por até R$3,29 em postos vizinhos.

“O secretário de Saúde é um irresponsável, deveria dar um presente de Natal para a população e voltar para o Senado, pois os hospitais só pioraram com a sua incompetência”, avaliou. “Este governo mostra cada dia mais que não tem respeito pelos pacientes, servidores e, acima de tudo, pela vida. A ingerência do Estado chegou a tal ponto que a população morre por falta do mais básico. O SindSaúde não se calará diante de tamanho descaso”, garantiu.


*Informações SindSaúde