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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Moradores de Ceilândia se preparam para ficar um dia da semana sem água na torneira


[Correio BrazilienseO menor volume de água já registrado na Barragem do Descoberto levou a Companhia de Abastecimento do Distrito Federal (Caesb) a tomar a mais drástica medida para forçar a diminuição do consumo do líquido: o plano de racionamento, o primeiro da história do DF. No total, 65% da população da capital do país — cerca de 1,8 milhão de habitantes — ficarão sem água por 24 horas a cada seis dias. O rodízio começa na próxima segunda-feira, às 8h, nas cidades de Ceilândia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II. Ao todo, serão 15 regiões administrativas afetadas pelo racionamento — todas elas abastecidas pelo rio Descoberto. As demais, como o Plano Piloto, os Lagos Norte e Sul, Itapoã e Varjão não participarão do rodízio porque são atendidas pelo sistema Santa Maria/Torto.

A expectativa da Caesb é uma economia a mais de 10% no consumo de água por conta do racionamento e, somando todas as medidas em vigor, a empresa espera 25% de redução. Não há prazo definido para o fim das restrições. O rodízio vai funcionar em um ciclo de seis dias, no qual o morador fica 24 horas sem água. Em seguida, passa dois dias com o sistema instável e mais três dias com o serviço normalizado. “Quando a gente desliga um sistema, a volta da carga (água) é gradual, o que pode demorar mais em algumas regiões, como as mais altas, que demandam maior pressão. Por isso, teremos o prazo de 48 horas para a estabilização”, explica Maurício Luduvice, presidente da Caesb.

Mesmo com o racionamento programado, as outras práticas de contenção de consumo, como a tarifa extra para o gasto acima de 10 mil litros por mês e a redução de pressão, continuam valendo. Dessa forma, a população, que já vinha convivendo com menos água na torneira por conta da redução da pressão diária nos canos de distribuição, terá que se adaptar ainda a um dia da semana sem o serviço. Nos dias de racionamento, os prédios públicos, como escolas, hospitais e delegacias, serão abastecidos por caminhões-pipa.

A recomendação da Caesb é a de que os moradores, uma vez avisados do calendário de desligamentos, passem a armazenar água em reservatórios, como caixas d’água. Questionado sobre o fato de a população armazenar mais água do que o necessário e incrementar o consumo, Luduvice afirmou que conta com o bom senso. “O nosso desafio é acabar com a cultura do desperdício. O DF não tem tanta água. Por isso, precisa consumir na medida certa”.

Embora as regiões abastecidas pelo Santa Maria/Torto não entrem no rodízio, elas passarão a conviver com a diminuição de pressão nas redes de distribuição de água, o que significa que o líquido chegará nas torneiras com menor intensidade. A previsão é de que a medida comece a vigorar a partir de 30 de janeiro. Entretanto, a Caesb informou que ainda faltam ajustes técnicos e autorização da Agência Reguladora de Águas do DF (Adasa). Por isso, não há um detalhamento sobre como vai funcionar a redução de pressão.

Na tarde de ontem, segundo as medições da Adasa, o Descoberto chegou ao nível de 18,94%, o mais baixo já registrado. A forte chuva que atingiu regiões isoladas da capital ainda não foi suficiente para reverter o quadro de escassez causado pela falta de precipitações e pelo calor. A previsão é de que as chuvas comecem a ficar mais frequentes. A meteorologista Cláudia Rickes afirma que, nos próximos dias, devem ocorrer pancadas com trovoadas isoladas com possibilidade de descargas elétricas. Para hoje, a máxima pode atingir 28ºC e a mínima, 18ºC. A umidade máxima prevista é de 95%.

Autorização
Desde novembro de 2016, quando o nível do Descoberto chegou a 20%, a Adasa autorizou a Caesb a implantar o plano de racionamento. Entretanto, a empresa adiou a execução, alegando “questões técnicas”, quando boa parte dos especialistas recomendava medidas mais austeras para conter o consumo. Na opinião de Luduvice, todas as decisões da empresa foram tomadas com responsabilidade. “20% é um marco orientativo. Não significava que a gente tinha que entrar em racionamento naquele momento. As outras medidas de contenção estavam conseguindo frear o consumo e esperávamos mais chuva do que as registradas neste início de ano.”


*Informações Flávia Maia do Correio Braziliense