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segunda-feira, 13 de março de 2017

Acusado de violentar o filho em Ceilândia tem pedido de liberdade negado



[Correio Braziliense] A juíza Andreza Alves de Souza, do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), negou a liberdade provisória pedida por um policial militar. Ele é suspeito de estuprar o filho, de 9 anos. Os abusos teriam acontecido mais de uma vez nos últimos cinco meses, na casa onde a família morava, em Ceilândia. O PM teria fotografado o crime. O sargento é acusado de obrigar a criança a usar sapatos e roupas de mulher, além de violentá-la. Preso desde 2 de fevereiro, o militar responde por tortura, estupro de vulnerável, além de duas ocorrências de Maria da Penha praticadas contra a mãe do menino. O caso segue em segredo de Justiça e é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Há, ainda, uma denúncia da família na Corregedoria da corporação e um pedido para que ele perca o porte de arma.

Peritos da Polícia Civil analisam o computador e quatro HDs externos do PM, além de uma série de fotografias. O sargento é lotado no 6º Batalhão (Esplanada dos Ministérios). O menino narrou a violência, pela primeira vez, para a avó materna, que gravou a conversa e mostrou para a filha. A mãe, então, procurou a 19ª Delegacia de Polícia (Ceilândia). Ao Correio, ela contou que o casamento não ia bem quando descobriu a violência contra o filho. “A gente já estava mal, discutindo. Ele achou que eu o estava traindo e começou a me ameaçar. Eu saí de casa no mesmo dia em que soube dos abusos. Fiz a denúncia e não voltei mais, mas ele não sabia que havia uma investigação”, relatou.

À época, a Justiça emitiu uma medida protetiva impedindo que o policial se aproximasse da mulher e do filho. “As nossas coisas ficaram para trás. Alguns dias depois, voltei para pegar algumas coisas e, quando cheguei, estava tudo revirado. Ele tinha ido lá mesmo com a medida e levado até os brinquedos do meu filho. Ele (o filho) estava comigo e ficou assustado, pensando que a casa tinha sido roubada”, disse.

Advogada da mãe da vítima, Fernanda Valente relatou como a cliente procedeu após ser informada dos abusos. “Quando o menino contou para a avó, a mãe descobriu com um amigo um programa que recuperava arquivos perdidos (em computadores). Ela usou o aplicativo no computador do marido e resgatou as fotos. Só, então, ela soube da gravidade dos fatos. Até então, ela não sabia nada. Ela levou todo o material para a 19ª DP e, depois disso, foi para a DPCA”, narrou.

Segundo a defensora, a violência ocorria à noite, depois que a mãe dormia, ou quando o pai ficava sozinho com o filho em casa. Segundo Fernanda, o sargento era ausente, mas imperativo. Durante um período, o garoto passou a demonstrar agressividade, e a família o encaminhou a um psicólogo. O pai, no entanto, impediu a terapia. “Esses abusos podem ser mais antigos. Sabemos que, quando aconteciam, ele (o pai) dizia que faria mal à mulher caso o filho contasse para alguém. Por outro lado, permitindo os abusos, o filho acreditava que poderia ter uma proximidade com o pai”, lamentou.

Prisão

A estratégia da defesa do militar, por enquanto, é tentar descaracterizar as acusações. O defensor do PM, que pediu para não ser identificado, alega que a DPCA investiga, entre outras coisas, uma troca de e-mail sobre as fotos entre o sargento e terceiros. Na lista de endereços, constaria o da mãe da vítima. “Ainda não foi constatado nenhum tipo de abuso. O processo está no início. A única foto que ele confessa ter tirado é uma em que o menino está deitado e sem camisa. As fotos dos sapatos e das sandálias, na verdade, são pés de mulheres e a em que ele aparece com a criança é uma montagem”, argumenta o advogado.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que “o processo corre em segredo na Justiça comum e que abriu um processo administrativo para apurar a conduta do policial”. De acordo com o texto, o sargento está detido no 6º Batalhão.

Ocorrência

A mãe da vítima registrou a ocorrência desse caso logo após ter saído de casa, em 2 de dezembro de 2016. À época, ela morava com familiares e passou em casa para pegar roupas. Consta no registro que o policial levou um videogame, três televisões, um aparelho de som, tablets, uma impressora, um aparelho de DVD, além de vários outros eletrodomésticos e artigos do lar.

Resguardo

A advogada Fernanda Valente entrou com pedidos de pensão e de guarda provisória do menino, ambos deferidos pela Justiça. O próximo passo é pedir a renovação da medida protetiva que impede o sargento de se aproximar da ex-companheira e da criança. A intenção é garantir um dispositivo judicial para resguardar a família, pois o suspeito está preso preventivamente e ainda tem chance de ser solto, a depender do entendimento do juiz.

Luiz Calcagno/ Correio Braziliense