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quarta-feira, 29 de março de 2017

PM acusado de matar esposa em Ceilândia é condenado a 19 anos de prisão


O Tribunal do Júri de Ceilândia condenou, nesta quarta-feira (29), o policial militar reformado Jailson Guedes Ferreira a 19 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da esposa, com quem ele foi casado por 20 anos. O caso foi o primeiro de feminicídio registrado em Ceilândia.
Jailson foi condenado por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio; e porte ilegal de arma. Além da condenação, ele vai ter que pagar 44 dias-multa sobre 1/30 do salário mínimo, que equivale a R$ 1.374. Ainda cabe recurso da condenação.
Relembre o caso
Um crime passional e extremamente violento assustou os moradores da QNN 24, em Ceilândia Sul. Na tarde do dia 15/04/2015, um policial militar reformado matou a esposa, que também fazia parte da corporação, com cerca de oito tiros pelo corpo. Em seguida, tentou se suicidar. 
Neide Rodrigues Ribeiro, de 47 anos, e Jailson Guedes, também de 47 anos, viveram juntos por mais de 20 anos. Mas, segundo os familiares, eram completamente diferentes. Ela, “sempre solícita e atenciosa com todos”  e ele, “agressivo e muito grosseiro”. ” A Neide era super centrada, muito culta, com uma formação maravilhosa. Ele tinha um monte de problemas psicológicos e era usuário de drogas”, informou uma amiga da vítima, que preferiu não se identificar. 
Após muitas brigas, desentendimentos e discussões, Neide resolveu se separar do companheiro. Nesta quarta (15), ela arrumou suas coisas e chamou um caminhão de mudanças. De acordo com vizinhos, quando Jailson viu o caminhão, ameaçou o motorista que, assustado, foi embora.
O crime
O casal iniciou uma discussão e, por volta de 12h10, o suspeito deu o primeiro tiro. “Nós ouvimos os dois brigando. Depois de uns 20 minutos ouvi um grito dela, seguido por quatro disparos. Passou uns dez minutos e ouvimos mais uns quatro tiros”, detalhou uma das vizinhas que não quis se identificar. Completamente transtornado, Jailson saiu pedindo socorro pela rua. “Ele gritou: me ajuda! Minha esposa! Nós estamos nos matando!”, contou a testemunha. Os vizinos imediatamente chamaram a Polícia Militar, mas já era tarde demais – Neide estava morta. 
Após o atirar contra a mulher, o policial deu um tiro contra a própria cabeça, mas a bala pegou de raspão. Segundo testemunhas, o tiro acertou em um metal e atingiu o pé de Jaílson. Ele foi encaminhado para o Hospital Regional de Ceilândia e, posteriormente, transferido para o Hospital de Base do Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Civil, Jaílson foi autuado em flagrante por homicídio. “A delegacia está aguardando o resultado do laudo pericial. As investigações estão em andamento”, informou a corporação. Os familiares da vítima, muito emocionados, acompanharam a perícia. O pai de Neide, José Ribeiro Sobrinho, de 77 anos, precisou de atendimento médico no local. “Por que ele não usou essa arma para dar um tiro em um bandido?”, questionou ele. 
Histórico
A vítima estava trabalhando desde 2003 como diretora jurídica da Associação dos Policiais Militares (Aspom) e era muito querida pelos colegas  de trabalho. “Não dá nem para acreditar nisso, pois ela era uma pessoa que estava sempre alegre e de bem com a vida. Era uma pessoa ótima”, disse o presidente da Aspom, capitão Chacon. Nesta manhã, a oficial saiu do trabalho para terminar a sua mudança. “Hoje ela saiu mais cedo e disse que estava indo para casa pegar suas coisas para se mudar”, contou o capitão. 
Vizinhos do casal contaram que preseciavam diariamente desentendimento do casal. “Eles ficavam fora a maior parte do dia, mas quando estavam em casa era só gritaria. A polícia nem atendia mais aos nossos chamados para socorrer o casal”, contou. Além das brigas, Jaílson costumava ameaçar as pessoas que passassem próximo à sua casa. “Nós morríamos de medo de andar por aqui. Porque qualquer coisa era motivo para ele sair gritando, apontando a arma para todos nós”, informou um morador da rua.