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segunda-feira, 27 de março de 2017

Professores de escola em Ceilândia relatam ameaça de sindicato por furar movimento


[G1-DF] Professores do Centro Educacional 3 de Ceilândia, no Distrito Federal, que não aderiram à greve afirmam ter sido intimidados pelo Sindicato dos Professores (Sinpro) em visita à escola na última sexta-feira (24).

De acordo com o professor Lourenço de Souza, o dirigente do Sinpro Júlio Barros teria proibido que os docentes continuassem as aulas e aplicassem provas sob “ameaças” em caso de descumprimento. A maioria dos professores da escola não aderiu à greve. “Nós estamos dando aula normalmente e a maior parte dos alunos está vindo”, diz Souza.

Questionado, Barros informou ao G1 que "é natural que em situações como essa, os debates seja acalorados. mas, em hipótese alguma, houve ameaças a quem quer que seja".

"Ao chegar lá [na escola], todos que compõem a nossa equipe ficaram chocados e indignados com a aplicação de provas, como se a situação de greve da categoria da educação fosse em outro planeta. Avaliamos essa prática como desrespeitosa para com a categoria que está em greve e como forma de intimidação dos estudantes – que, em grande maioria, são solidários à greve."

Segundo o professor Souza, com a chegada do Sinpro, os alunos foram liberados das aulas para participar do movimento. “Cerca de 20% deles saíram em apoio.” Os estudantes que estavam do lado de fora das salas, com as mochilas nas costas, entoaram em coro “Não vai ter aula”.

Quando os representantes do Sinpro chegaram à escola, por volta das 9h, “o combinado era conversar com os professores na sala de reuniões”, conta Souza. “Mas eles chegaram fazendo piquete, gritando nas salas, fazendo barulho.”

Em vídeo gravado por Souza, o diretor do Sinpro afirma que “aplicar prova é dar um atestado de chantagem aos estudantes, ao movimento”. Segundo o professor, naquele momento, uma turma fazia prova. “Ele ameaçou os professores, do mesmo jeito que fez em 2015. Disse ‘se vocês continuarem dando aula eu não me responsabilizo pelo que vai acontecer aqui dentro’.”

O Sinpro informou ao G1 que “se os fatos se confirmarem”, este tipo de comportamento “não é uma orientação do sindicato”. “O ambiente de greve acaba despertando sentimentos de indignação, de quem adere e de quem não. Mas as relações truculentas não ajudam em nada.”

O professor optou por não aderir ao movimento porque, segundo ele, o GDF não tem condições de atender às demandas salariais. “Prefiro dar um crédito ao governador e seguir conversando, porque a situação do DF está ruim agora.”

Quanto à reforma da previdência – outra pauta de protesto da greve –, Souza se diz favorável, mas à forma não como foi proposta. Ele sugere que, ao invés de paralisar as atividades, os professores encaminhem uma emenda ao projeto. “O Temer também já tirou os estados e o DF das alterações da reforma. Por enquanto, ela não vai atingir a gente.”

Pagamentos atrasados

A paralisação dos professores começou no último dia 15. A categoria reivindica o pagamento da quarta parcela do reajuste salarial, prometida pelo governo Agnelo, que deveria ter sido paga em outubro do ano passado.

Em assembleia na terça-feira (21), a categoria decidiu continuar a greve. Segundo o sindicato, dos 30 mil docentes, 10 mil participaram da reunião que aprovou a continuidade da mobilização. O GDF diz que não tem condições financeiras de arcar com o reajuste reivindicado pelos professores.

Por G1-DF