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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Goleiro da base da Seleção Brasileira mantém projeto social em Ceilândia



A parceria é entre treinador e atleta, mas lembra mais a relação de pai e filho. Há sete anos, João Robson Martins jogava handebol pela primeira vez na escola. Pelas mãos do professor e técnico Valdeci Morais Santos, o talentoso goleiro saiu de Taguatinga para ser “descoberto” também pela comissão técnica da Seleção Brasileira que trabalha com a base do handebol no país. Para que não precisasse sair de Brasília, João e o técnico fundaram um projeto em Ceilândia que cumprisse o papel de clube, para que o promissor atleta — hoje com 19 anos — tivesse onde treinar, e ainda abrisse portas para crianças carentes com interesse na modalidade.

“Sou estudante da Universidade de Brasília e, quando acabei o ensino médio, não tinha um lugar onde eu pudesse treinar”, relata João, ao falar da abertura do instituto batizado com as iniciais do nome dele e da região onde mora, JR-98/P-SUL, há um ano. A UnB conta com um time para os universitários, mas João considerou a carga horária dos treinamentos árdua para conciliar com as aulas do curso de engenharia de software, no qual está no quarto semestre. “O instituto possibilitou que eu pudesse estudar durante o dia e treinar à noite sem me desgastar tanto, até pela distância dos treinos para minha casa.” Ele mora em Taguatinga e treina em Ceilândia e no fim da Asa Sul.

Técnico de handebol há mais de duas décadas, Valdeci explica que a modalidade no Distrito Federal é praticada e desenvolvida prioritariamente no ambiente escolar. “Para aqueles que querem seguir carreira esportista em Brasília após saírem da escola, o caminho é exclusivamente nas universidades. Nós temos vários atletas que foram atuar em clubes em outros estados. Aqui, há alguns clubes também, mas em um cenário mais amador”, lamenta o treinador.



O momento que para muitos atletas em potencial se torna uma encruzilhada virou uma oportunidade para João. Ele passou no vestibular no mesmo período em que o pai dele, outro apaixonado pelo handebol desde os tempos em que jogou na juventude, se aposentava. Assim, se uniram a proposta de, além do aspecto social, preencher o vazio de representações competitivas de handebol fora do ambiente universitário. No fim do mês, a equipe juvenil — com João no gol — disputará o Campeonato Regional Centro-Oeste em busca de uma vaga no torneio nacional.

Antes disso, o brasiliense de 1,93m representará o Brasil no Pan-Americano juvenil (sub-19), em Santiago, no Chile, de amanhã a 22 de abril. O primeiro contato com treinamentos organizados pela Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) ocorreu aos 14 anos, quando João foi chamado para integrar um acampamento de 10 dias sob comando do então técnico da equipe principal, o espanhol Jordi Ribera.

Como bagagem, o brasiliense ainda conta com um Campeonato Sul-Americano, disputado em 2015, no qual foi convidado pelo Pinheiros para agarrar e ajudou a equipe a sagrar-se campeã do torneio. Embora tivesse recebido proposta para seguir treinando no time paulista, João preferiu voltar para Brasília, onde espera dar continuidade à carreira.

Alternativa ao profissional

A intenção da família de João Robson Martins era a de inaugurar um projeto social relacionado à educação. Junto de Valdeci e do jovem goleiro, surgiu a ideia de aliar os livros ao incentivo ao esporte.
O caminho que encontraram foi por meio do handebol, com a proposta de proporcionar apoio educacional aos pequenos atletas que apresentarem dificuldades na escola. Para atender de 70 a 80 jovens de 12 a 19 anos, o instituto conta com quatro professores e três locais para treinos: na Guariroba e no Centro Educacional 7, em Ceilândia, e no Colégio Marista, na Asa Sul.


Além da formação esportiva, projetos como esses contribuem com a formação educacional dos jovens atendidos. “Se ele não conseguir ser jogador de uma Seleção Brasileira, pode conseguir uma bolsa em uma universidade por causa do esporte”, diz Valdeci, antes de citar alguns exemplos de alunos que passaram por este processo. “Além disso, há o desenvolvimento de valores que os pequenos levam para o resto da vida, como responsabilidades, compromisso com horário, respeito com adversário, aprender a não ficar muito convencido quando ganha e, quando perde, saber que no outro dia pode ganhar. A formação vai bem além do esporte”, orgulha-se o treinador.


Fonte:  Maíra Nunes http://www.df.superesportes.com.br