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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Professor de Ceilândia faz sucesso ao criar paródias com conteúdos de História


[Jornal de Brasília] Incentivar o envolvimento dos alunos e fugir do estilo tradicional de dar aulas. Com essa ideia em mente, Leonardo Costa, 31 anos, professor de História dos ensinos Fundamental e Médio do Centro de Ensino Ebenézer da Ceilândia (Ceneb), faz paródias de músicas de pagode para transmitir o conteúdo aos estudantes. Recentemente, uma das versões foi postada na página Diário de Ceilândia e viralizou na internet.

Para que os alunos pudessem fixar a história do Egito Antigo, o educador fez uma paródia da música Caraca, Muleke!, de Thiaguinho – pagode está entre os estilos que Leonardo mais gosta. O vídeo teve mais de 20 mil visualizações.

O docente leciona nesta escola desde 2009 e tem um filho que estuda ali. “Eu pareço criança quando estou com meu filho”, conta ele. Um dia, revisando a matéria em casa, o menino perguntou: “Pai, porque o senhor não coloca o conteúdo da matéria nas músicas e leva à sala de aula para ficar mais fácil de entender?”. Foi quando surgiu a primeira paródia sobre as Cruzadas, quando o garoto estava no 6º ano, com a música Fugidinha, de Michel Teló e também interpretada por Thiaguinho. O vídeo ainda vai ser publicado no Facebook de Leonardo, assim como os outros.

A partir dali, ele viu que os alunos receberam bem a ideia e continuou fazendo outras versões. A música sobre a Primeira Guerra, por exemplo, foi inspirada na paródia de outro professor, mas adaptada à realidade dos estudantes dele, com foco no contexto do que o Programa de Avaliação Seriada (PAS) cobra. Atualmente, ele lançou uma disputa entre as turmas. “A classe que acessasse mais o Facebook e garantisse mais visualizações ganharia pontuação extra na prova”, explica.

A melhora no rendimento escolar e a receptividade grande dos alunos quanto às paródias e aos vídeos foram notáveis. Há turmas que não têm aulas com Leonardo e ficam ansiosas para avançar de ano e ter a oportunidade de aprender com as músicas. “Eles querem ter acesso às tecnologias e às redes sociais”, comenta.

Elogios são incentivo

Para o professor Leonardo Costa, o aluno se interessa pela aula do docente que domina o conteúdo sem se prender ao livro didático e que passe as matérias de forma dinâmica. Mas ele ainda acha que existe preconceito em relação à exposição dos educandos nos vídeos. Por outro lado, o problema começa a ser superado a partir do momento em que o pai conhece melhor o método de aprendizado que o professor está passando para os filhos no colégio.

“Os pais gostam desse tipo de trabalho. Às vezes, por meio da diretora e da coordenadora, fico sabendo que eles gostaram muito das paródias”, alegra-se.

Leonardo já esteve nas salas de aula dessa escola também como aluno. Ele lembra de projetos que despertavam a criatividade e transmitiam os conteúdos do Programa de Avaliação Seriada (PAS) de forma que as pessoas se envolvam mais. Com muita nostalgia, ele fala do professor que o inspirou a seguir a carreira didática: “Meu professor era muito legal, trabalhava com canetão e apagador, apenas. E isso me inspirou a não ficar preso”.

Para ele, ser capaz de inspirar alunos a lecionar também vai ser de grande felicidade. Inclusive, um ex-aluno dele hoje está cursando História e se espelhou nele para a escolha do curso. “Ver que meu trabalho é reconhecido pelos alunos e pela instituição me transforma em um ser humano melhor”, comemora.

Equipe criativa

Orgulhosa da equipe de ensino, Kelcy Rios, diretora do Ceneb, conhece bem o projeto do professor Leonardo, de ministrar os conteúdos por meio de paródias, e diz que isso faz com que os alunos assimilem melhor a temática proposta.

“Além dele, temos uma professora que trabalha o teatro, e outro que incentiva os estudantes a produzir filmes”, menciona. Kelcy destaca que o festival de teatro promovido na escola obtém um retorno expressivo por conta das iniciativas dos professores que aproximam o aluno.

Amanda Karolyne do Jornal de Brasília