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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Após polêmica, governo desiste de instalar albergue em Ceilândia



Após várias manifestações contra a instalação de um albergue no Setor QNR  de Ceilândia, o Governo de Brasília recuou na decisão e afirmou que irá construir uma escola no espaço que abrigaria a unidade de acolhimento na Área Especial A da QNR 2. A decisão foi anunciada na manha desta segunda-feira (01), em uma reunião com lideranças comunitárias da região.

No dia 21 de fevereiro, moradores do setor fizeram uma manifestação na BR-070 em protesto contra a instalação do albergue. Os cerca de 60 manifestantes bloquearam a via na altura da QNR 5, no sentido Plano Piloto.

Segundo o líder comunitário João Gomes, o albergue não deveria ser inaugurado porque a região precisa de outros serviços, como postos de saúde e creches e não de moradores de rua que "podem deixar o local mais violento".

"A gente não quer. A gente sabe que não funciona. Não é viável para gente. Aqui é um lugar que não tem um posto de saúde, uma creche. A gente teme que a violência aumente na nossa comunidade", afirmou Gomes ao portal G1.

Os moradores também rechaçaram a construção do albergue, em uma audiência pública realizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, no dia 13 de março. O debate foi promovido pelo deputado Rafael Prudente (PMDB), em companhia do deputado Chico Vigilante (PT). Prudente reclamou da falta de diálogo do governo com a comunidade e por este motivo decidiu realizar a audiência pública. Para ele, a população da região tem muitas demandas e carências que precisam ser atendidas pelo governo. Na audiência, Prudente sugeriu que a área fosse repassada para a secretaria de Educação para implantação de creche e de escola.

Construção de escola

Em resposta a uma demanda dos moradores, o espaço que abrigaria uma unidade de acolhimento na Área Especial A da QNR 2 de Ceilândia será transformado em escola. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (1º) pelo governador Rodrigo Rollemberg, durante reunião com lideranças locais.

“Ouvimos a população para saber qual era a prioridade. Nada mais justo que atender à reivindicação e transformar aquilo que seria um albergue numa escola”, disse o governador.

Nos turnos matutino e vespertino, serão atendidos 1,2 mil estudantes de 3 a 8 anos (do maternal 2 ao terceiro ano do ensino fundamental). À noite, haverá aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e de cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

“Essa notícia é uma vitória para a comunidade”, comemorou o prefeito comunitário da QNR, João Gomes.

A Secretaria de Educação fará as adequações necessárias no local, que deverá funcionar a partir do segundo semestre deste ano, de acordo com o secretário de Educação, Júlio Gregório Filho.

Atendimento às pessoas em situação de rua

Aquelas pessoas que seriam acolhidas pelo albergue serão atendidas em unidades nas diversas regiões administrativas de Brasília e em casas que poderão ser alugadas pelo governo.

“Nós fizemos um debate com a Secretaria de Educação e concluímos que a escola é uma necessidade real daqui. Vamos atender essa população [em situação de rua] de forma descentralizada”, explicou Gutemberg Gomes, secretário do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

*Por Douglas Protázio com informações da Agência Brasília e G1