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domingo, 28 de maio de 2017

Quadrilha junina de Ceilândia pede ajuda para se apresentar em concurso



[Correio Braziliense] Foi da paixão de Pedro Vitor Lopes Sousa, 24 anos, pela Festa de Sâo João que nasceu, em Ceilândia, a quadrilha Caipiras de Fé. O professor de educação física e presidente da equipe registrou o projeto em cartório em 14 de abril de 2014. Dois anos depois de muita dedicação, o grupo se classificou para a Liga Independente de Quadrilhas do Distrito Federal e Entorno (LINQ-TFE) e, agora, em 2017, fará a primeira apresentação no Grupo Especial, que reúne a elite da liga.

Cerca de 150 pessoas realizam o espetáculo. São homens, mulheres, idosos e crianças que, apesar de histórias de vida diferentes, compartilham um mesmo amor. Para fazer bonito e mostrar que merece estar entre as melhores quadrilhas da região, a trupe ensaia seis vezes por semana em uma quadra poliesportiva de Ceilândia Oeste. Nessas horas, as chuteiras dão lugar aos chapéus de palha, e os gritos de gol são substituídos por canções tradicionais da festa junina. 

“Se eu pegar essa bola, eu não entrego mais. Levo ela pra minha casa”, grita Josefina Cecília do Nascimento, 58 anos, aos mais “fominhas” que insistem em praticar o esporte em um canto da quadra enquanto o quadrilheiros treinam a coreografia. A simpática senhora é mãe de um dos dançarinos e uma das maiores entusiastas dos Caipiras de Fé. “Essa quadrilha mora no nosso coração. Ela tirou muito garoto da rua, das drogas; deu muita oportunidade aos meninos que estavam no caminho errado”, conta.

O caso do vigia Giovane Cordeiro dos Santos, 23 anos, ilustra bem o que dona Josefina descreve. Ele entrou na quadrilha em 2010 a convite de Pedro Sousa. “Eu ficava na rua fazendo coisa errada, mexendo com droga. A dança ajuda os jovens, os insere na cultura. Se o governo incentivasse mais, poderíamos tirar ainda mais jovens da rua e ajudá-los a ter uma vida melhor”, diz o jovem.
 
Quem desde cedo experimenta o poder transformador da cultura é a pequena Halanna Batista de Oliveira, 13 anos, que ingressou no grupo este ano. “Ano passado, eu os vi dançando e gostei da quadrilha. Perguntei para o Pedro se podia dançar, comecei a ensaiar e adorei”, destaca. Ela emenda, com doçura e timidez: “A importância da quadrilha na minha vida é muito grande porque isso me faz feliz. Eu me divirto, me distraio, me emociono. Por isso estou aqui”.

Como tudo começou


Pedro alimentava o sonho de ter a própria quadrilha quando assistia aos eventos de São João na cidade. “Nós tínhamos uma vontade muito grande de apresentar lá, o que serviu de incentivo a mais para criar o grupo independente”, conta. Depois de sofrer com alguns problemas burocráticos, o professor decidiu registrar a quedrilha em cartório, em 2014.

Com a decisão, veio a vontade de alçar voos mais altos, o que aconteceu no ano passado, na primeira apresentação na LINQ-TFE. Logo na estreia, foram campeões do segundo grupo, levando os títulos de melhor quadrilha, melhor casal de noivos e melhor marcador — personagem que norteia a apresentação, incorporado pelo próprio Pedro. “A competição é um incentivo a mais pra gente se readaptar, se reinventar. É um estímulo para o grupo. Nós ganhamos nome”, explica o idealizador dos Caipiras de Fé. 

Agora, os pequenos gigantes enfrentarão quadrilhas mais tradicionais e fortes financeiramente. Para arrecadar verba e fazer bonito na apresentação, os participantes se dividem em grupos nos fins de semana e saem em busca de recursos: vendem bolo, água e refrigerante nas ruas da capital. “Isso tudo pra a gente conseguir mão de obra de costureiro e tecido”, justifica Pedro. 

Com o mesmo objetivo, o grupo realiza neste sábado e domingo (27 e 28/5) um festival com apresentações culturais, venda de alimentos e rifa de uma bicicleta na mesma quadra poliesportiva onde costuma ensaiar. “Começamos a realizar o festival junino em 2015, já que não temos nenhum outro recurso para levar a quadrilha pra frente”, explica Johnson Correia Lima, 19 anos, coreógrafo do grupo. 

Festival Junino da Quadrilha Caipiras de Fé

Sábado 27 (das 9h às 20h) e domingo 28 (das 11h30 às 18h)
QNN 17/19, quadra poliesportiva (Ceilândia Oeste)
Atrações: Quadrilha Aquarela Nordestina (GO), Quadrilha Caipiras de Fé e Funk Style
Entrada gratuita

Fonte: Paulo Gonçalves / Correio Braziliense