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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Pedagogia da Hora oferece educação e nova chance a jovens infratores de Ceilândia



De 2015 a 2016, o sistema socioeducativo do Distrito Federal registrou uma redução de quase 15% no número de internos menores de idade que cometeram infrações como roubo, agressão, tráfico de drogas e pequenos delitos. O padrão decrescente pode ser o reflexo da sensibilização entre justiça, governo e sociedade com foco na reinserção desses jovens na sociedade. Como, por exemplo, o programa Pedagogia da Hora, iniciação cientifica desenvolvida pelo Centro Universitário IESB em parceria com a Secretaria da Criança e do Adolescente e Secretaria de Educação do DF. 

A proposta é seguir as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, oferecendo aos menores infratores o direito à educação, condições para o exercício da cidadania e qualificação para o mercado de trabalho. Para isso, a iniciativa oferece cursos e oficinas a jovens de 12 a 18 anos que cumprem medidas socioeducativas de liberdade assistida e prestação de serviço à comunidade, encaminhados pela Unidade de Atendimento Meio Aberto (UAMA) de Ceilândia. As aulas - 10 a 20 encontros por semestre - são ministradas por estudantes voluntários do curso de Pedagogia do IESB, sob a supervisão da professora Onilia Almeida, autora do projeto, com a colaboração de docentes de várias áreas da instituição, como Nutrição e Ciência da Computação. 

Neste semestre, participam os alunos Nathália Ribeiro (bolsista da iniciação científica) Bruna Maria de Sousa, Graciele Gomes, Iara Araújo Silva, Jocinete Dias, Saionara Martins, Tereza Arruda e Adna Silva. “O programa é uma ação multidisciplinar que busca um elo de comprometimento entre colaboradores, docentes, discentes e a comunidade em seu entorno. Para esses jovens, a iniciativa tem um sentido de inclusão social e pode significar o retorno à escola, a entrada no mercado de trabalho, um estágio ou o início de um curso profissionalizante”, explica a dra Onília Almeida.

O Pedagogia da Hora funciona desde maio de 2016, quando foram atendidos 15 jovens. Hoje, em sua segunda edição, 37 adolescentes, entre meninos e meninas, participam das atividades, que incluem aulas de informática, gastronomia, criação de blog, produção de textos, empreendedorismo, educação financeira, dicas para elaboração de currículo, de como se comportar em entrevista de emprego, gamificação e ginástica cerebral para estimular as funções cerebrais, entre outros.“Eles chegam desconfiados e com a autoestima muito baixa. Para eles, no começo, o programa é uma medida punitiva, mas, com o tempo, a percepção muda e podemos ver um futuro melhor nos olhos desses adolescentes. Muitos não querem nem deixar o projeto depois de cumprir a medida”, avalia a professora.

Patrícia (nome fictício), de 16 anos, é uma das menores de idade que participa do Pedagogia na Hora. Para ela, o que era obrigação, aos poucos, se transformou em motivação. “Participar do projeto realmente me ajudou a encontrar um caminho melhor. Além de aperfeiçoar meu currículo, me incentivou a voltar a estudar. Agora tenho o sonho de ser professora”, disse Patrícia, uma das 20 jovens que completou o programa e receberá, nesta quinta-feira, 29 de junho, seu certificado de conclusão. De acordo com a professora Onilia, a ação traz benefícios a todos envolvidos. “Além de oferecer uma nova oportunidade a esses rapazes e moças, para os nossos estudantes é uma experiência que estimula a participação cidadã além da sala de aula, colocando em prática conhecimentos de forma responsável e solidária em situações reais”, conclui a docente.