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sábado, 29 de julho de 2017

Reggae quebra paradigmas e conquista cada vez mais adeptos em Ceilândia



[Por Correio Braziliense] Conhecida por ser uma cidade eclética, Ceilândia começa a ver o crescimento de um estilo musical até então pouco difundido ali. Os amantes do reggae, ritmo jamaicano que explodiu na voz de Bob Marley, superam as dificuldades, ocupam os espaços públicos e dividem muita música, cultura, dança, alegria e esperança. A Praça do Cidadão, que fica no centro da cidade, é o local onde grupos de dança, de hip-hop e agora, também, de reggae, se reúnem pacificamente.

O produtor cultural e guitarrista do grupo Geração Roots Cei, Laércio Rubato, comemora a explosão do reggae na Ceilândia. O músico explica que a tribo é bem aceita na comunidade. “Distorcem a imagem do reggae. Nós falamos de natureza, amor e paz. Nós somos aceitos em todas as tribos”, explica

Rubato, que também é operador de som, conta que formou a banda com a esposa, há quatro anos, para passar uma mensagem. “Nós não vivemos de música. Ela serve como um instrumento cultural e social”, argumenta.

O auxiliar de serviços gerais e líder da banda Zoka, Felipe Elivelton, 24 anos, é mais um sonhador. Ele lembra que o grupo nasceu por acaso. “Éramos três amigos que curtiam fazer um som de brincadeira. Nos reuníamos na frente de casa ou na praça para tocar. Daí, surgiu a Zoka”, explica. Segundo ele, a banda leva uma mensagem de amor e conscientização. “Nós procuramos passar uma ideia, principalmente para aquelas pessoas que estão enfrentando um momento não muito legal”, ressalta.


Conscientização

A música sempre teve um papel importante na história da humanidade. Seja para propagar o amor, a paz, a solidariedade ou até mesmo a rebeldia. No caso do reggae, ela tem servido com um importante instrumento de conscientização. Temas como intolerância, racismo, homofobia, política e preservação da natureza são abordados nas letras das músicas. É o que diz o empresário e líder da banda Deus Preto, Dinei Oliveira.

“Nossas letras deixam uma mensagem de reflexão sobre o que estamos vivendo. Esse é o nosso papel”, explica. Segundo ele, a cidade vê o crescimento de um movimento que pode mudar a vida de muitas pessoas. “A nossa música relata as mazelas do mundo, mas também fala sobre as coisas boas. Temos a chance de resgatar muitas vidas com a nossa arte”, enfatiza o músico.

Todas as tribos

O educador social Edgar Fortunato, integrante do grupo de dança Pracima, enaltece o crescimento do movimento regueiro em Ceilândia. “É fenomenal. O reggae é uma vertente importante da cultura.” O dançarino entende que o momento é de união de todas as tribos. “Não podemos separar os movimentos culturais. Todos eles têm a sua importância social”, opinou.



Festa na praça

Com o objetivo de unir os amantes do reggae, e passar a mensagem de sustentabilidade, Laércio Rubato idealizou por conta própria o projeto Regando na Praça. O evento, que acontece neste sábado, às 13h, na Praça do Cidadão (Ceilândia Norte), contará com rodas de conversa, aula sobre sustentabilidade e muita música. “O objetivo é empoderar a periferia. É uma iniciativa própria, sem incentivo de ninguém”, lembra. O projeto ainda poderá ser levado para outras cidades do Distrito Federal. “A gente pode ir para o Setor O, P Sul, Sol Nascente. Eu pretendo expandir. A ideia é ir para todos os lados”, garante Rubato.

Regando na Praça

Shows com Geração Roots, Zoka, Deus Preto e o DJ Low’Dub. Sábado (29), a partir das 13h, na Praça do Cidadão (EQNM 18/20, Ceilândia Norte). Entrada franca. Classificação indicativa livre.