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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Levantamento do Sinpol-DF mostra que GDF e Secretaria de Segurança manipulam dados da criminalidade



Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) confirma que o registro de crimes graves continua aumentando, apesar das afirmações do Governo do Distrito Federal em sentido contrário. “O GDF divulga dados manipulados para perecerem positivos e assim tentar justificar a falta de investimos na Polícia Civil e na Segurança Pública como todo e, assim, continuar desviando recursos do Fundo Constitucional para outras áreas”, denuncia Rodrigo Franco Gaúcho, presidente do Sinpol-DF.

Para confirmar a denúncia de manipulação, o Sinpol-DF divulgou três tabelas comparativas de diversas naturezas criminais e que tiveram aumento no registro.

Na primeira delas, uma tabela dos crimes que tiveram maior acréscimo entre os meses de janeiro a agosto, comparando-se os anos de 2016 e 2017. A segunda tabela faz um comparativo entre os meses de agosto de 2016 e agosto de 2017. O terceiro quadro compara os meses de julho de 2017 ao mês de agosto de 2017.

O levantamento foi realizado a partir de dados oficiais da Polícia Civil do DF (PCDF) e Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do DF (SSP).

Comparativo entre o período de janeiro a agosto de 2016 e 2017

Crimes graves como roubo de carga, extorsão, estupro, roubo com restrição da liberdade, tentativa de homicídio e roubo a coletivo tiveram majoração entre 4,5% e 67%. Tais crimes são cometidos com emprego de grave ameaça ou violência. Normalmente com o uso de armas de fogo.

Entre os crimes sem violência direta à vítima, mas que também geram muita insegurança à população, estão os furtos de celular, furtos ao comércio e furtos a pedestres. Normalmente, a vítima só toma conhecimento desses crimes após seu cometimento e quando o criminoso já está longe. Estes crimes tiveram aumento entre 4,3% e 48,99%.

LEVANTAMENTO JANEIRO A AGOSTO

2016
2017
DIFERENÇA
%
ROUBO DE CARGA
34
57
+ 23
67,64
FURTO DE CELULAR
3.811
5,678
+ 1.867
48,99
EXTORSÃO
128
164
+ 36
28,13
ESTUPRO
449
568
+ 119
26,50
ROUBO C/ RESTRIÇÃO DA LIBERDADE
294
353
+ 59
20,07
FURTO EM COMÉRCIO
2.725
3.067
+ 342
11,45
TENTATIVA DE HOMICÍDIO
562
601
+ 39
6,94
ROUBO EM COLETIVO
1.707
1.785
+ 78
4,57
FURTO A TRANSEUNTE
2.081
2.172
+ 91
4,376
ESTELIONATO
9.463
9.570
+ 107
1,13

Comparativo entre os meses de agosto/2016 e agosto/2017

Várias modalidades criminais tiveram incremento, se comparadas ao mesmo mês de agosto de 2016. O sequestro relâmpago começa a preocupar pois não havia registros desde fevereiro de 2017. No entanto, em julho apresentou um registro e em agosto ampliou para 2 registros. No sequestro relâmpago, a vítima é feita refém para que os criminosos saquem recursos em bancos ou terminais eletrônicos.

Comparativamente ao ano anterior, agosto teve 354 casos a mais de furtos de celulares. Da mesma forma, houve aumento de 80% nos casos de roubos de cargas, que tinham maior incidência nos estados da região sudeste. As tentativas de estupro aumentaram 19 casos nos meses de agosto. E os casos de roubo com restrição da liberdade da vítima foram majorados em 53%.

O registro de estupros consumados passou de 63 para 82 no mesmo período. Os comerciantes foram alvo de 364 casos em agosto de 2017, uma média de mais de 3 casos a cada dia. Os roubos a postos de gasolina, que vinham em tendência de queda, passaram a aumentar.

As extorsões e as tentativas de homicídio, considerados crimes graves, também tiveram acréscimo significativo em agosto de 2017.            

LEVANTAMENTO MESES DE AGOSTO 2016 E 2017


AGOSTO 2016
AGOSTO 2017
DIFERENÇA
%
SEQUESTRO RELÂMPAGO
1
2
+ 1
100%
FURTO DE CELULAR
409
763
+ 354
86%
ROUBO DE CARGA
5
9
+ 4
80%
TENTATIVA DE ESTUPRO
7
12
+ 5
71%
ROUBO COM RESTRIÇÃO DA LIBERDADE
30
46
+ 16
53%
ESTUPRO
63
82
+ 19
30%
FURTO EM COMÉRCIO
299
364
+ 65
21%
ROUBO A POSTO DE GASOLINA
23
27
+ 4
17%
EXTORSÃO
20
23
+ 3
15%
TENTATIVA DE HOMICÍDIO
68
77
+ 9
13%
FURTO A RESIDÊNCIA
648
668
+ 20
3%

Comparativo entre os meses de julho e agosto de 2017

Os roubos de carga, modalidade que teve grande alta em 2017, subiram de 6 para 9, de um mês para o outro. As tentativas de estupro evoluíram de 8 para 12 em agosto. Os sequestros relâmpagos foram 2, enquanto que no mês anterior apenas 1. Já os latrocínios (roubos seguidos de morte) tiveram elevação de 2 casos em julho para 3 no mês seguinte.

Crimes graves continuaram tendo evolução em agosto como nos casos de roubo a residências, com 40%, roubos em coletivos, 32% e estupros consumados (inclusive de vulneráveis) em 17%.

Várias modalidades de furtos também tiveram ascensão como os casos de furtos de celulares, com 21%, furtos a residência, com 11,5%, furtos em comércio, com 8%.

LEVANTAMENTO JULHO e AGOSTO 2017


JULHO 2017
AGOSTO 2017
DIFERENÇA
%
ROUBO DE CARGA
6
9
3

TENTATIVA DE ESTUPRO
8
12
4

SEQUESTRO RELAMPAGO
1
2
1

LATROCÍNIO
2
3
1

ROUBO A RESIDÊNCIA
52
73
21
40%
ROUBO A COLETIVO
162
214
52
32%
FURTO DE CELULAR
627
763
136
21%
ESTUPRO
70
82
12
17%
FURTO A RESIDÊNCIA
599
668
69
11,5%
FURTO A TRANSEUNTE
2.781
3.088
307
11,%
FURTO EM COMÉRCIO
334
364
30
8%
ESTELIONATO
1.169
1.245
76
6,5%

“Desta forma, o que temos dito é que o GDF, por meio da Secretaria de Segurança, tem divulgado apenas os números que lhe interessa. A depender do mês, a SSP verifica quais as modalidades que tiveram uma queda e explora esses dados, deixando de informar, de maneira clara, quais as modalidades que tiveram aumento”, explica o presidente do Sinpol-DF, completando que, ao divulgar apenas “números bons” o GDF tenta vender à sociedade e aos meios de comunicação a falsa impressão de segurança nas ruas da capital.

“Não sem razão, invariavelmente, a população questiona e contesta tais dados divulgados. A sensação de insegurança nas ruas é geral e, ao tentar vender a imagem de uma ‘Brasília segura’, o GDF deixa de fazer investimentos, contratações e valorizar os policiais. Por isso é bastante importante divulgar os dados reais da criminalidade no DF”, finaliza Gaúcho.

Sinpol-DF – O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) foi criado em 19 de dezembro de 1988 e, ao longo dessas quase três décadas, firmou-se como a entidade representativa da carreira que integra a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Conforme estabelecido no Estatuto Social, o Sinpol-DF atua na coordenação, defesa e representação legal dos agentes de polícia, escrivães, agentes policiais de custódia, peritos criminais, peritos médicos legistas e papiloscopistas policiais.

*Fonte: Sinpol-DF