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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Mãe de adolescente estuprada em Ceilândia se emociona ao falar do que a filha viveu


“É muito difícil aceitar uma coisa dessas. A gente vai trabalhar e quando volta para casa vê a sua filha tremendo e chorando. Aí você descobre que ocorreu isso”. O desabafo é de M., 33 anos, ao tentar explicar o que sentiu ao descobrir que a filha de 15 anos, grávida de três meses, foi estuprada pelo vizinho. Ambos moram no mesmo lote, , na QNQ 5 de Ceilândia, onde ocorreu o crime, na noite de sábado.

Para a Polícia Civil, o estupro foi cometido pelo montador de móveis Francisco Elton Costa Nunes, 33 anos, que foi preso ontem, ainda durante a madrugada, e depois apresentado à imprensa.

M., a filha e o restante da família moram no mesmo lote que o suspeito há quase dois meses. De acordo com a polícia, na noite de sábado, quando a namorada de Francisco saiu de casa após um churrasco, ele teria convidado a menina para comer carne na casa dele. Assim, que eles entraram na residência, por volta das 23h, e o crime teria ocorrido.

À força

Ao Jornal de Brasília, a vítima, que vai completar 16 anos em novembro, disse que o suspeito nunca havia tentado fazer nada com ela, apenas tinha “olhares estranhos”. Após o chamado do acusado, a menina diz ter ficado reticente em aceitar o convite, pois estava sem os pais em casa e precisava tomar de conta dos dois irmãos menores. Porém, ela aceitou.

Foi nesse momento que o homem teria puxado a menor para dentro da casa e fechado a porta. Segundo a vítima, o autor estava só de toalha e a forçou a tocar nos órgãos genitais dele, para depois tirar a roupa dela.

Saiba Mais

De acordo com dados da Secretaria de Segurança (SSP), de janeiro a julho deste ano, foram registrados 486 estupros no Distrito Federal – o que representa aumento de 28,2% em relação ao ano passado. Do total contabilizado, 45% dos crimes do mês de julho ocorreram em Ceilândia, Samambaia, São Sebastião e Brasília. Cerca de 70% ocorreram em locais fechados como residência ou local de trabalho.

“Acho que ele quis se aproveitar de mim porque eu não era mais virgem. Foi horrível”, afirma a adolescente, que está grávida do primeiro filho, fruto de um relacionamento sério com outro rapaz.

A mãe da jovem, M., não consegue falar muito do estupro sem se emocionar. Até porque ela não esperava que uma coisa dessas pudesse ocorrer em sua residência. Ela trabalha durante todo o dia, de segunda a sábado, em uma padaria de Vicente Pires. Assim, na hora do ocorrido, ainda não tinha chegado do serviço.

“Eu espero que ele permaneça preso. Não é possível que alguém faça algo assim e saia”, fala a mãe, com desejo de justiça pela filha e pelo neto. Também abalada, a adolescente afirma que quer apenas cuidar do filho para que ele nasça bem.

Apurações continuam

O delegado plantonista da 24ª DP do Setor “O”, em Ceilândia, Paulo Martinelli, garante que o caso continua sendo investigado porque é necessário entender se houve consentimento ou não. “O suspeito alegou que houve conjunção carnal, mas que foi consensual. Já a vítima disse que houve violência. Não temos dúvida sobre o ato sexual, mas sobre a violência”, complementa.

A família da jovem foi à delegacia logo que soube do ocorrido e, em seguida, a vítima foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) e ao hospital para fazer os exames periciais e tomar os coquetéis para evitar contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.

O delegado Paulo Martinelli informou que o laudo pericial preliminar não foi conclusivo para a violência sexual. Não havia marcas de agressões no corpo, nem feridas internas no órgão sexual da adolescente que caracterizassem o uso da força física, já que a utilização de faca ou arma de fogo foi descartada.

Durante a apresentação do caso à imprensa, Francisco Elton deu a sua versão dos fatos. Ele não nega que houve o ato sexual, mas garante que foi consentida e que “é inocente” da acusação de estupro. 

Segundo ele, depois de a namorada ter saído da casa dele, a adolescente começou a puxar conversa, falando que a relação com o atual namorado estava difícil. Depois de ouvir o conselho dele, ela teria abraçado o homem, e o ato sexual teria ocorrido.


Apenas o laudo final, que sai em cerca de 30 dias, poderá explicar o que aconteceu. Martinelli lembra que, agora, novas testemunhas serão chamadas para a apuração do caso. A tentativa é saber como era o comportamento do suspeito. Vizinhos à residência da família comentaram que o suspeito não apresentava jeito estranho durante o pouco tempo que mora ali.