117 inquéritos foram instaurados para investigar grilagens em Ceilândia


Julho de 2014. Famílias começam a invadir uma área pública e, como dita a cultura enraizada no Distrito Federal, esperam a conivência do poder público e a falta de fiscalização para conquistar o sonho da casa própria. Ali, surgia a Nova Jerusalém, expansão da maior favela da América Latina, o Condomínio Sol Nascente em conjunto com o Pôr do Sol — localizados no Setor P Sul, em Ceilândia. Motivadas por grileiros, que tinham até um esquema de cadastramento — similar ao Programa Minha Casa, Minha Vida — ou por respaldos políticos de luta pelo direito à moradia, 460 famílias sobem barracos. Em oito meses, eles se tranformam em casas de alvenaria. Mas o sonho inicial terminou em uma ação de derrubada e pode acarretar em punições legais.

Desta vez, os trabalhos são realizados em conjunto com a Polícia Civil. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (Dema) tem 117 inquéritos abertos para apurar ações de parcelamento irregular do solo e dano ambiental somente na região. No Sol Nascente, são 72; no Pôr do Sol, 44, e, o último, no parcelamento Nova Jerusalém. “A Dema participa de operações desde a primeira etapa. Estamos colhendo provas, começamos a identificar lideranças e essas pessoas serão intimadas”, afirma o delegado-chefe da unidade especializada, Ivan Dantas.



Mas como começa uma invasão? Na Nova Jerusalém, alguns grileiros de São Paulo e outros da própria região viram naquele espaço uma oportunidade de lucrar. Em julho passado, iniciaram o movimento a fim de ocupar a área. Eles passavam com uma prancheta em mãos e anotavam os nomes dos interessados. Primeiro, cobravam R$ 3 mil. Depois, subiram para R$ 5 mil. Quem ali se instalasse, pagaria R$ 20 mil parcelados em seguida. Tudo com dinheiro vivo. O financiamento não envolvia bancos. Era na base da confiança e cobrado de porta em porta. Experientes no negócio, tinham parceria com madeireiras. Não gastavam mais de R$ 800 com a matéria-prima e levantavam os barracos em apenas um dia. A estrutura tinha apenas um cômodo — algumas não contavam nem com banheiro. 
Informações do Correio Web
117 inquéritos foram instaurados para investigar grilagens em Ceilândia 117 inquéritos foram instaurados para investigar grilagens em Ceilândia Reviewed by Diário de Ceilândia on quarta-feira, março 04, 2015 Rating: 5

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