Família reclama contra demora em investigação de morte de Talitha Cacau, morta em Ceilândia


Pouco avançou a investigação sobre a morte da vendedora Talitha Cacau Rocha Passos, 25 anos, quase um mês depois de o corpo dela ser encontrado com sinais de estrangulamento e abandonado atrás de um campo de futebol, às margens da BR-070. Os familiares da vítima alegam falta de informações por parte da Polícia Civil. A jovem foi localizada em 29 de junho, dois dias após o último contato com o marido, feito por telefone, no trajeto do trabalho para casa. Na época, suspeitava-se de que Talitha teria sido mantida em cárcere privado antes de ser assassinada.



Segundo a mãe, Cícera Maria Cacau, 48, o silêncio da polícia preocupa a família. Do início das apurações até agora, quase nenhuma informação sobre o caso foi repassada aos parentes. “Hoje, completamos um mês sem a Talitha e ainda nem vimos o laudo da morte. Essas coisas demoram, eu sei, mas ninguém dá notícias”, lamentou. Para chamar a atenção das autoridades, será iniciada uma campanha nas redes sociais. Uma caminhada também deverá mobilizar moradores de Águas Lindas (GO), onde moram amigos e familiares. “Quero resolver esse assunto”, acrescentou.

O tio de Talitha, José Cacau, 36, acredita que a polícia não pretende envolver a família nas investigações. Os agentes suspeitariam, segundo ele, de que o responsável pelo homicídio seja alguém próximo. “Eles não estão dando detalhes. Falaram sobre a proximidade entre o bandido e os parentes”, contou. Mas Cícera Maria duvida. “Quem tramou essa coisa horrível deve estar correndo para ‘uma lonjura’ (sic) qualquer”, indagou. Segundo a família, Talitha não tinha desafetos. Também não era de “dar conversa” para desconhecidos.

Três semanas antes do crime, Talitha mudou-se com os dois filhos, João Nicolas, 5 anos, e Natany, 1, para a casa de David Delfino, 32, namorado dela havia 4 anos. “Vivíamos o nosso momento de felicidade. De repente, fomos interrompidos. Vejo isso como um pesadelo que precisa acabar logo”, desabafou o comerciante. Com a morte da mulher, deixou Nicolas, filho apenas dela, com a avó materna. Natany acompanha o pai na loja dele, no Jardim Brasília, durante o expediente, e permanece na companhia dele o restante do dia.

O primeiro aniversário da menina foi comemorado em 24 de junho. “Imagina uma garotinha crescer sem esse contato? A mãe nunca mais estará presente. Não vai ensinar “coisas de mulher”, dar conselhos, ajudar a filha”, disse David. Para não deixar que a filha cresça sem as lembranças de Talitha, ele prometeu levá-la semanalmente ao Cemitério de Taguatinga. Ele visita o espaço sempre que pode e pretende fazer disso um hábito.

Por causa da falta de notícias, parentes e amigos de Talitha organizam uma manifestação para o próximo dia 29, quando se completa um mês do assassinato. A intenção é pressionar as autoridades para adiantar as investigações e pedir que a Polícia Civil informe sobre os avanços. Por isso, todos devem se reunir em frente à 24ª Delegacia de Polícia (Setor O), vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes. “Nós não vamos desistir”, completou David.

“Nenhuma novidade”

Nos últimos 25 dias, o Correio entrou em contato com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil via e-mail e por telefone. Aproximadamente 20 mensagens foram enviadas, e, para todas, recebeu sempre a mesma resposta: “a delegacia segue investigando. Até o momento, nenhuma novidade”. O Correio também compareceu duas vezes à 24ª DP, mas não foi recebido por nenhum investigador. O delegado Alexandre Nogueira, chefe da unidade, informou ontem, por telefone, “não ter novidades ou esclarecimentos para prestar”.

Bernardo Bittar / Correio Web
Família reclama contra demora em investigação de morte de Talitha Cacau, morta em Ceilândia Família reclama contra demora em investigação de morte de Talitha Cacau, morta em Ceilândia Reviewed by Diário de Ceilândia on domingo, julho 26, 2015 Rating: 5

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