Pacientes denunciam demora na alta por falta de pediatras na maternidade do Hospital de Ceilândia



[Jornal de Brasília]Nos últimos dias, mulheres que ganharam bebê no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) não conseguiram ir para casa porque, segundo as próprias pacientes, não havia pediatra para dar a alta médica aos recém-nascidos. O resultado é uma maternidade cheia, a ponto de não ser possível atender novas gestantes. A Secretaria de Saúde admite a superlotação, mas nega o problema da falta de médicos.
Apesar da negativa, ontem à tarde, o JBr. conversou com uma mãe que recebeu alta do HRC e conseguiu ir para casa após passar por dificuldades. A estudante Jaqueline Nascimento, 20, deu à luz ao primeiro filho no último sábado, por volta do meio- dia. Como o parto foi tranquilo, ela esperava não demorar a sair com a criança nos braços. Contudo, não foi isso que ocorreu.
A explicação recebida por ela é de que não havia pediatra para dar a alta no Centro Obstétrico (CO) do HRC. Além disso, foi informada de que não poderia ter acompanhante, já que a maternidade e o CO estavam cheios, sem espaço até para as grávidas que procuravam a unidade.
A diretoria do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde-DF) denuncia que o problema é antigo e já ocorreu em outros momentos deste ano. Sem o aval do pediatra, a mulher até pode sair do hospital, mas a criança não. De todo modo, nenhuma mãe quer deixar o filho que acabou de nascer. Aí, não há espaço para os novos atendimentos.
O Sindsaúde-DF ainda informa que é comum que os pais fiquem sem aproveitar a licença paternidade – que dura cinco dias, em geral – porque as esposas e os filhos não foram liberados do hospital.
Balanço geral
De acordo com a Secretaria de Saúde, 36 médicos fazem o atendimento no Hospital de Ceilândia diariamente. Desses, 19 ficam na pediatria e 17 na neonatologia – que cobrem a UTI Neonatal, a Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal, o Centro Obstétrico e a maternidade.

A pasta reconhece que o CO opera acima da capacidade, mas sem deixar de prestar assistência às pacientes que chegam a unidade. Para tentar desafogar o fluxo, a direção busca o remanejamento das gestantes, e assim garantir uma vaga a outras mulheres que estão prestes a dar à luz. Na segunda, a direção do hospital conseguiu vagas na maternidade de Brazlândia e no Hospital Materno Infantil (Hmib).
Versão oficial
Questionada diversas vezes por e-mail, a Secretaria de Saúde (SES-DF) não informou quantas mulheres teriam ficado retidas no Centro Obstétrico do HRC devido ao problema com as altas. Por meio de nota, as pasta explicou que o pediatra escalado para a maternidade é responsável pela prescrição e acompanhamento dos pacientes internados. “Vale lembrar que o pediatra dá alta para o bebê. Para a mãe, quem dá alta é o ginecologista, que também acompanha as puérperas [mães que acabaram de dar a luz]”, disse. Além disso, a SES garantiu que as pacientes não deixaram de ser assistidas e que as remoções ocorrem quando há superlotação de puérperas no Centro Obstétrico. A medida serviria para desafogar o CO, possibilitando a admissão de novos pacientes. O governo frisa que as pacientes que procuram o HRC não ficam sem atendimento.

Lotação dificulta atendimento
Com uma média de 600 partos por mês no Hospital de Ceilândia, a reclamação é de que o atendimento é lento e, às vezes, é preciso procurar outra regional para dar à luz. Fabiana Pereira, 30, está com 40 semanas e saiu de Águas Lindas (GO) com o objetivo de fazer o parto no DF, já que no município goiano o atendimento não foi adequado.

“Ontem (segunda), eu fui a Brazlândia e voltei para casa, porque não teve atendimento. Hoje (ontem), eu vim para Ceilândia de manhã e não fizeram nem minha ficha. À tarde, pediram para voltar ao hospital às 19h para que eu tenha mais chances do parto”, afirma a mãe, à espera do sétimo filho.
A mãe de primeira viagem, Alessandra Spíndola, 22, está com três meses de gestação e, por volta das 17h30, denunciava que havia chegado ao hospital passando mal ainda pela manhã e não tinha sido atendida. “Não dão previsão de nada. Eu me preocupo muito”, afirma. A única explicação dada pelos profissionais seria que, devido à lotação do Centro Obstétrico e da Maternidade, não seria possível receber mais mulheres.
*João Paulo Mariano do Jornal de Brasília
Pacientes denunciam demora na alta por falta de pediatras na maternidade do Hospital de Ceilândia Pacientes denunciam demora na alta por falta de pediatras na maternidade do Hospital de Ceilândia Reviewed by Diário de Ceilândia on quarta-feira, julho 19, 2017 Rating: 5

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