Jovens vítimas de violência sexual recebem assistência especial em Ceilândia



O silêncio e o olhar revelam as marcas deixadas pelo abuso sexual sofrido por Letícia (nome fictício), 14 anos. Ela foi agredida por um conhecido, após sair da escola. Em busca de superar a lembrança e as consequências da agressão, a adolescente e seus familiares recebem apoio do Programa de Pesquisa, Assistência e Vigilância à Violência (PAV) Flor de Lótus, que funciona no Hospital Regional de Ceilândia (HRC).
"Fiquei desorientada. A situação da minha filha foi muito chocante para mim. O apoio foi essencial, porque me senti acolhida e ela também. Aqui, fizeram todos os encaminhamentos, com profilaxia para evitar doenças. Eu sei que não dá para voltar no tempo, mas sei que essa situação vai passar", disse a mãe de Letícia, Eduarda (nome fictício).
A pediatra Tatiana Fonseca, coordenadora do programa, explica que o PAV atende diversos tipos de vítimas de violência. Em 2017, foram atendidas 1,6 mil pessoas. O acompanhamento é feito por médico, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. "Nossos principais casos são de violência sexual envolvendo adolescentes e crianças, e também de maus tratos domésticos contra mulheres", relatou.
Segundo ela, a unidade atende tanto os casos mais simples, quanto os agudos, quando a pessoa sofre violência sexual e precisa ser encaminhada para a emergência. Nessas situações, o primeiro atendimento visa a prescrição de medicações profiláticas para evitar a ocorrência de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, além da gravidez.
"Ter sofrido uma violência e, ainda, ter como conseqüência HIV ou uma gravidez indesejada, causa um impacto muito maior na vida da pessoa. Por isso, a vítima de violência precisa procurar o serviço o mais rápido possível. Em até 72 horas, é possível instituir medidas como a profilaxia das doenças e evitar a gravidez", explicou.
Tatiana conta que é frequente a ocorrência de gravidez decorrente de estupro. "Por isso, também existe na rede pública, no Hospital Materno Infantil, o Programa de Interrupção de Gravidez, que é para onde enviamos as vítimas quando o caso permite realizar esse procedimento", enfatizou.
A profissional esclareceu, ainda, que a maior parte dos casos de violência é crônica, intrafamiliar. "Geralmente, é alguém conhecido, em que os impactos psicológicos e físicos já estão instaurados. Além disso, o trauma pode causa desequilíbrio corporal e pode causar repetência escolar por causa da desatenção", enumerou.
Durante o acompanhamento, os pacientes têm acesso a consultas, exames para monitorar o possível surgimento de doenças, além de atendimento psicológico em grupo ou individual. A adolescente Letícia destaca a atuação da rede de apoio. "Com todo esse suporte, me sinto mais segura. Sei que muitas pessoas já passaram pelo que eu passei", finalizou.
Para ter acesso ao serviço, os pacientes são encaminhados ou podem se dirigir pessoalmente ao local, onde serão acolhidos e receberão o devido acompanhamento.
Agência Saúde
Jovens vítimas de violência sexual recebem assistência especial em Ceilândia Jovens vítimas de violência sexual recebem assistência especial em Ceilândia Reviewed by Diário de Ceilândia on terça-feira, março 20, 2018 Rating: 5

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