Sem local adequado para descarte, lâmpadas ficam amontoadas nas escolas de Ceilândia

Em tempos de fechamento do Lixão da Estrutural e de discursos governamentais de sustentabilidade, uma infinidade de materiais poluentes tem descarte indefinido no DF. Um exemplo são as lâmpadas fluorescentes. Só nas escolas públicas, são 12 delas em cada uma das 20 salas de aula das 673 escolas do DF. Diretores não sabem qual destino dar a esse material, que, se descartado incorretamente, pode afetar o meio ambiente. As informações são do Jornal de Brasília. 
Há um ano e meio, o servidor público Newton Vieira Vasconcelos, 39 anos, tomou a frente de um projeto que recolhe pilhas e baterias em Ceilândia, principalmente no Setor P Sul. Com 78 pontos de coleta, ele visita escolas em busca dos materiais para dar o descarte correto. Recentemente, porém, recebeu um pedido dos diretores para que pudesse recolher as lâmpadas fluorescentes, pois a Secretaria de Educação não faz este trabalho.

“Não sei onde poderia colocá-las. De 15 escolas no P Sul, em nove os diretores falaram que tinham grande quantidade, mas eu não consigo atendê-los. Até o carro tem que ser adequado para o transporte”, conta Newton.
Em conversa com os diretores, o voluntário percebeu que não queriam levar adiante a situação, por medo de represálias, e ele mesmo resolveu ir atrás do descarte correto. Foi até o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) para relatar a situação. “Fiz um requerimento, um pedido de ajuda para que eles possam descartar esses materiais. Em grande quantidade, as lâmpadas oferecem risco ao meio ambiente e às pessoas. É perigoso ficar jogado nas escolas”, alerta.
O fato é confirmado pelo diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro), Samuel Fernandes. “A Secretaria de Educação não tem um local apropriado para o descarte das lâmpadas e de outros materiais que ficam nas escolas por muito tempo”, critica.
Ele ainda ilustra que, se todas as 673 escolas usarem a lâmpada fluorescente nas salas, ao todo são cerca de 161 mil. A projeção nem leva em consideração banheiros, corredores, sala dos professores, coordenação e outros espaços comuns.
De acordo com Fernandes, alguns diretores fazem o descarte por contra própria. “Buscam estabelecimentos privados. Se não encontram, deixam num canto da escola. Fui a algumas escolas e presenciei várias lâmpadas acumuladas. Isso deveria ser prática da secretaria”, reclama.
Papa pilha e bateria
Outros resíduos que geram dúvidas quanto ao descarte são pilhas e baterias. Muitas pessoas costumam acumular esses produtos em casa. Pensando na destinação sustentável, o projeto Papa Pilhas Vieira Sustentabilidade disponibiliza recipientes para coletar esses materiais em comércios e quadras residenciais.

Newton Vieira Vasconcelos, o idealizador, divide a dedicação ao projeto com os irmãos. “Em uma conversa, chegamos à questão de que aqui em Brasília não existe um descarte ambiental correto. Eu mesmo já joguei pilhas no lixo”, admite. Atualmente, Newton está com 870 quilos de pilhas e baterias recolhidas, esperando para serem entregues a instituições adequadas.
CEB recebe material
A Companhia Energética de Brasília (CEB) tem dois pontos de coleta de lâmpadas fluorescentes, exclusivos a clientes residenciais: agências da CEB na 508 sul e em Brazlândia. O serviço é prestado desde 2011 e já recolheu 30 mil lâmpadas, incluindo outras ações da companhia em que foi feita a troca de lâmpadas fluorescentes e incandescentes por LED.
Questionada sobre a destinação final dos materiais, a CEB respondeu, em nota, que “as lâmpadas recolhidas são enviadas para empresas especializadas em reciclagem reversa”. A companhia informa que o mercúrio, presente nas lâmpadas fluorescentes, pode contaminar o meio ambiente.
Além disso, de acordo com o site Reciclus (associação sem fins lucrativos que reúne os principais produtores e importadores de lâmpadas do país), o Distrito Federal possui pelo menos 12 pontos de coleta em estabelecimentos comerciais. Veja a lista no quadro abaixo.
Versão Oficial
Em nota, a Secretaria de Educação informou que, especificamente em Ceilândia, há uma parceria entre a Coordenação Regional de Ensino e uma loja de material de construção. “As escolas da cidade encaminham as lâmpadas à coordenação e estas são entregues à empresa, que faz o descarte correto”, aponta. Questionada se as escolas públicas vão passar pelo processo de substituição das fluorescentes para as de LED, a pasta respondeu que isso ocorre de maneira gradativa.


Sem local adequado para descarte, lâmpadas ficam amontoadas nas escolas de Ceilândia Sem local adequado para descarte, lâmpadas ficam amontoadas nas escolas de Ceilândia Reviewed by Diário de Ceilândia on segunda-feira, abril 30, 2018 Rating: 5

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