Moradores reclamam de falta de fiscalização na Feira Central de Ceilândia


É difícil circular pelas calçadas do centro de Ceilândia, principalmente por um motivo: a quantidade de camelôs que disputam cada metro quadrado da região. Para piorar, em plena crise, o comércio enfrenta uma concorrência desleal, que não paga impostos e afugenta a freguesia. As informações são do Correio Braziliense

Para quem trabalha de maneira regular, competir com os ambulantes incomoda. Atualmente, 1,8 mil pessoas estão empregadas na Feira da Ceilândia, por exemplo. Fora dela, estima-se que pelo menos 2 mil ambulantes atuem de forma irregular, segundo o Sindicato dos Vendedores Ambulantes do Distrito Federal (Sindvamb).

Segundo o presidente do Sindicato dos Feirantes do Distrito Federal (Sindifeira), Francisco Valdenir Machado, muitos ambulantes têm boxes em feiras legalizadas pelo governo, no entanto, optam por abandonar os pontos e irem para as ruas. “Eles invadem o espaço dos comerciantes. Querem lugares movimentados, para ficar mais próximos dos consumidores”, explicou.

Para Francisco, isso gera uma série de problemas. “Os produtos não têm procedência, muitos são falsificados e sem nota fiscal. Além disso, apesar de não ser algo generalizado, é possível se deparar com pessoas traficando drogas e se prostituindo nas proximidades”, alertou.

Queixa
 
O Correio ouviu comerciantes da feira que, com medo de represálias, preferiram não se identificar. Um feirante, de 45 anos, queixou-se da falta de fiscalização na região. “Não tem nada. O local está praticamente largado. Não adianta ir à Administração Regional ou à Agefis (Agência de Fiscalização do Distrito Federal). O número de camelôs cresce a cada dia, e nada é feito”, criticou.

Além da ausência de fiscalização, os comerciantes destacaram a falta de policiamento. Empregada em um dos boxes da feira, Maria* (nome fictício) tem 42 anos e relatou à reportagem que diariamente se depara com ambulantes armados. “A maioria tem uma faca. Eu fico com medo de vir trabalhar. Quando acontece alguma confusão, eles correm para dentro da feira, e deixam todos nós aterrorizados. Estamos perdidos”.

Alguns ambulantes conversaram com a reportagem e relataram que a aglomeração de vendedores aumenta a concorrência e gera conflitos entre eles mesmos. “Aqui, é barra pesada. Na semana passada, vi um homem pisando na cabeça de outro por causa de uma disputa por ponto de vendas. Temos que ser cegos, mudos e surdos. Se alguém souber que foi denunciado, você pode ser atacado. É preciso muita coragem para lidar com esse tipo de pessoa”, comentou um camelô de 51 anos, que também pediu anonimato.

Criminalidade

Ceilândia é uma região do Distrito Federal com grande número de assaltos a pedestres. Os dados mais recentes da Secretaria da Segurança Pública contabilizam os delitos que aconteceram entre janeiro e março. Nesse período, as ocorrências chegaram a 1,4 mil. Diariamente, são pelo menos 16 registros, que na maioria das vezes, acontecem no coração da cidade, onde transitam cerca de 200 mil pessoas.

Uma das áreas que concentra a maior quantidade de roubos e furtos é justamente nas proximidades da Feira Central da Ceilândia. Apesar de não haver uma estatística oficial de crimes no local, de acordo com a 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), que registra as ocorrências da região, desde o início do ano (janeiro/junho), aconteceram 786 assaltos a pedestres. Os delitos, em geral, são causados por moradores de rua, que se misturam aos vários vendedores ambulantes nos arredores da feira para atacar a população.

Delegado-chefe da unidade, André Luís Leite destacou que a feira é uma das preocupações da Polícia Civil. “É um local com uma concentração demográfica elevada, o que atrai a atenção de assaltantes oportunistas. É difícil controlar, mas periodicamente, fazemos operações mais qualificadas na área, para tentar tirar esses criminosos das ruas. Só com um trabalho ostensivo conseguiremos”.

A Polícia Militar do DF informou que faz policiamento em todas as regiões de Ceilândia, sobretudo, nas proximidades da feira. Além disso, segundo a corporação, desde o início do ano 1,2 mil pessoas foram presas na cidade, e os militares recolheram da região administrativa cerca de 150 armas. 

Moradores reclamam de falta de fiscalização na Feira Central de Ceilândia Moradores reclamam de falta de fiscalização na Feira Central de Ceilândia Reviewed by Douglas Protázio on terça-feira, julho 10, 2018 Rating: 5

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