Grátis: comédia sem falas “As Olim(p)iadas” leva ao riso na Ceilândia

Grátis: comédia sem falas “As Olim(p)iadas” leva ao riso na Ceilândia

[Agência Uniceub] A comédia “As Olim(p)iadas”, que entra em cartaz nesta semana na Ceilândia, conta a história de quatro atletas que fazem uma homenagem às Olimpíadas. A proposta é de uma comicidade física, sem contar com falas. Segundo o diretor do espetáculo, Zé Regino, a maior dificuldade da peça é, justamente, a preparação física dos atores. “Nesse espetáculo, especificamente, a maior dificuldade foi a questão do treino. O processo físico tem o tempo dele, cada um tem o seu”. A peça  fica em cartaz nos dias 22 (sexta-feira) e 26 (terça-feira) nos colégios Centro Educacional 7 e 3 da Ceilândia.
Com o desafio de fazer a plateia rir sem falas, o diretor da peça espera que a plateia participe da cena “Se tratando de comédia  a plateia é 50% do espetáculo né.” O humor físico tem sido marca nos últimos 10 anos de seu trabalho.
A peça, com acesso gratuito, ocorrerá em escolas na Ceilândia (confira abaixo). Para Anderson Floriano, coordenador do espetáculo e da companhia Hierofantes, é fundamental a descentralização da arte na capital. “ É essencial levar espetáculos teatrais de forma gratuita a escolas públicas primeiramente para formação de plateia, pois em grande maioria o público nunca assistiu a um espetáculo ou foi a um teatro e principalmente por possuírem dificuldades em arcar com os custos dos ingressos.Assim, levamos arte onde o acesso é escasso e oportunizamos uma experiência artística aos alunos das escolas do ensino médio e EJA ( Educação de Jovens e Adultos).”
Histórico
A companhia de teatro Hierofante de 1955 é uma das principais da cidade e se dedica a trabalhos culturais. Com espetáculos também de cunho social, tem conscientizado a população para a preservação do patrimônio público, a preservação do meio ambiente e a prática do sexo seguro. Em vinte e três anos de atividades, O Hierofante Cia. de Teatro montou 27 trabalhos, e recebeu 11 prêmios, sendo visto por aproximadamente 1 milhão de pessoas. Eles se apresentaram também em São Tomé e Príncipe na África e Estados Unidos da América.
Para José Regino a situação do teatro local é preocupante “Na verdade a gente tá vivendo um grande retrocesso. Não existe em lugar nenhum do mundo um país desenvolvido e que tem uma cultura forte que não tenha subsídio do estado. A função do artista é pensar, é traduzir a subjetividade de uma cultura. Então, a gente tá dentro de um cenário assustador.”

Confira abaixo entrevista com o diretor José Regino

Agência UniCeub: Após cerca de 50 anos na capital qual sua avaliação sobre o seu trabalho até aqui? E sobre o crescimento do teatro na cidade? É satisfatório ou ainda não?

José Regino: Muita coisa mudou, claro, desde quando eu comecei a fazer teatro no início dos anos 80 tivemos momentos muito produtivos outros nem tanto, mas hoje a gente tem um teatro na cidade, um teatro feito em brasília. O teatro Brasília já tem uma certa identidade, que você percebe. É muito característico o teatro de pesquisa em brasília, a busca de reformulação de linguagem, mas hoje o cenário que nos apontam com o governo local e o governo nacional não é nada favorável. Na verdade a gente tá vivendo um grande retrocesso. Não existe em lugar nenhum do mundo um país desenvolvido e que tem uma cultura forte que não tenha subsídio do estado. A função do artista é pensar, é traduzir a subjetividade de uma cultura e essa ação nem sempre é uma ação de retorno financeiro. Quando a gente fala de artista a gente fala daqueles que estão no mercado comercial e daqueles que estão no mercado não comercial e que a presença dele é fundamental dentro da cultura e o que ele produz. Então, a gente tá dentro de um cenário assustador por que a gente pode perder tudo qualquer dia por subsídio e quem perde com isso é a nação.
Há pouco menos de uma semana do espetáculo, qual a expectativa para a estreia?

José Regino:É a melhor possível a gente nunca faz um trabalho achando que vai errar. Nós fizemos dois ensaios abertos e a recepção da plateia foi muito boa. Se tratando de comédia a gente sempre fica com uma expectativa por que a plateia é 50% do espetáculo né. A platéia na comédia é atuante, participativa, ruidosa, ela não é uma plateia passiva e silenciosa, então a gente sempre fica nessa expectativa, mas a minha é a melhor possível.  
O que te fez acreditar que esse projeto poderia se tornar realidade?
José Regino: Foi exatamente de quem veio, que foi a galera do Hierofante, uma galera que eu super respeito. Quem fundou o Hierofante foram pessoas remanescentes do grupo Celeiro das Antas (Fundado em 1991, o “Grupo de Teatro Celeiro das Antas” é uma entidade de estudo, pesquisa, montagem e apresentação de peças teatrais) então a gente tem uma irmandade muito forte. Primeira coisa foi ser proposto pelo hierofantes. E a segunda coisa foi o tema. é um tema muito legal que tem tudo pra dar certo. Você brincar, você parodiar os jogos olímpicos isso é muito legal. Tem tudo pra funcionar diante da plateia.  
Qual foi a maior dificuldade que a peça te ofereceu?
José Regino: Nesse espetáculo especificamente a maior dificuldade foi a questão do treino porque é um espetáculo que exige muito do físico dos atores por que você até pode acelerar certas compreensões, certos processos, mas o processo físico tem o tempo dele, cada um tem o seu, foi harmonizar isso, mas eu acredito que a gente conseguiu. Na verdade eu não diria que a gente conseguiu, mas que tá conseguindo porque você ter um grupo de quatro atores que pulsam no mesmo ritmo com a mesma qualidade e disponibilidade física é com o tempo que se constrói isso. Então, é um espetáculo que nasce e ao mesmo tempo que ele nasce ele também precisa ser amadurecido no exercício do fazer. Por que como eu falei antes a plateia, como tem uma participação importante, a gente ensaia a metade do espetáculo a outra metade só acontece quando a plateia está presente, então a nossa parte acredito que tá bem feita.
Qual o ponto em comum do seu trabalho que se faz presente em todas as peças?
José Regino: Uma característica forte do meu trabalho é comicidade e essa comodidade tem ganhado nos últimos anos um traço muito peculiar que é o humor físico que na verdade a gente não tem muita gente no Brasil trabalhando com humor físico. Digamos que é uma linha muito tênue por que quando a gente fala humor físico as pessoa pensam logo na mima da pantomima e não é por aí. O Humor físico consiste em trazer a resolução da piada para o corpo independente de você ter texto ou não ter texto o humor físico é uma proposta, é um caminho que inclusive facilita e permite você trazer a comicidade para textos que não são cômicos né. Meu trabalho tem muito essa pegada  muito esse traço. Cada vez mais o que eu mais estudo é a questão da comicidade e agora a questão do humor físico, nos últimos 10 anos e ele tá muito presente nos meus solos nos trabalhos que eu dirijo e também nesse novo trabalho.
Confira entrevista com o coordenador da companhia, Anderson Floriano

 Vocês são um grupo de comédia ou buscam diversas abordagens?

Anderson Floriano:  Nós somos um grupo de teatro e pesquisa de linguagens na área teatral e cinema. Fundado em 1995, O Hierofante Cia de Teatro se dedica a realização de trabalhos culturais no Distrito Federal, e tendo apresentado em 13 estados brasileiros, São Tomé e Príncipe na África e Estados Unidos da América 2009,  2010, 2011, 2012 e 2014. Com espetáculos também de cunho social, tem conscientizado a população para a preservação do patrimônio público, a preservação do meio ambiente e a prática do sexo seguro. Em vinte e três anos de atividades, O Hierofante Cia. de Teatro montou 27 trabalhos, e recebeu 11 prêmios, sendo visto por aproximadamente 1 milhão de pessoas. Realizamos em nossa história espetáculos de rua, de palco e educativos, de gêneros diversos como, dramas, poéticos, comédias e outros.
Qual a importância de realizar esse projeto no entorno do DF e de graça?
Anderson Floriano: O projeto é realizado em cidades satélites, descentralizando a arte e levando a escolas públicas onde dificilmente chega projetos culturais seja da grade curricular oficial ou cultural. É essencial levar espetáculos teatrais de forma gratuita a escolas públicas primeiramente para formação de plateia, pois em grande maioria o público nunca assistiu a um espetáculo ou foi a um teatro e principalmente por possuírem dificuldades em arcar com os custos dos ingressos.Assim, levamos arte onde o acesso é escasso e oportunizamos uma experiência artística aos alunos das escolas do ensino médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Como a equipe da peça foi montada?

Anderson Floriano – Basicamente são os integrantes da companhia, tendo sido convidado apenas a figurinista (Cyntia Carla), o diretor e um ator, os demais fazem parte da Cia.
O que te motivou a idealizar o projeto?
Anderson Floriano: Sempre buscamos boas ideias para nossos espetáculos e tínhamos pensado em construir um espetáculo na área do humor físico, sem falas, para levar para outras localidades e países que não tivesse problemas com barreira linguística. Assim me lembrei do desenho “Pateta nas Olímpiadas” que abordava de forma bem humorada os esportes disputado nas olimpíadas então surgiu o interesse, pois poderia ser uma boa forma de experimentar a linguagem do humor físico, que não utilizaríamos linguagem e teria boas de explorar cenas cômicas com os esportes olímpicos. As olimpíadas possuem um grande apelo no mundo por ser o evento que une todos os povos e assim seria tema universal.
Como está sendo trabalhar com o Zé Regino?
Anderson Floriano: Iniciei minha carreira com o Zé Regino e Humberto Pedrancini no Celeiro das Antas, isso já passado 26 anos. Voltar a trabalhar com ele é um presente e de um enriquecimento profissional e pessoal. Aprender com um mestre sempre traz boas sensações, emoções e significados, ou seja está sendo fantástico estar nessa caminhada na construção de mais um espetáculo teatral.
Ficha Técnica:
Coordenação Geral e Gestão: Anderson Floriano
Direção de Produção: Leonardo Ferreira
Diretor Artístico: José Regino
Preparação de Atores: Edimilson Braga
Atores: Anderson Floriano, Diogo Cerrado, Edimilson Braga, Gilson Cezzar
Figurinos: Cyntia Carla
Cenografia: Anderson Floriano
Assistente de Produção & Fotografias: Anderson dos Reis
Iluminação: Paulo Evandro
Operador de sonoplastia: Marco Antônio
Assessoria de imprensa: Baú Comunicação Integrada
Serviço
Espetáculo As Olimp(i)adas
22/03 (sexta-feira)
Local: Centro Educacional 7 de Ceilândia (QNN 13 A/E)
Horário: 10h30, 16h, 19h
26/03 (terça-feira)
Local: Centro de Ensino Médio 3 de Ceilândia (QNM 03 A/E)
Horário: 16h, 19h
Entrada gratuita
Não recomendado para menores de 12 anos.
Por João Carlos Magalhães
Imagens: Divulgação
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira
Grátis: comédia sem falas “As Olim(p)iadas” leva ao riso na Ceilândia Grátis: comédia sem falas “As Olim(p)iadas” leva ao riso na Ceilândia Reviewed by Douglas Protázio on sexta-feira, março 22, 2019 Rating: 5

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