Ceilândia: a estigmatização sem fim

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A morte de uma criança na grande Ceilândia, não se deu por sua participação em qualquer crime e sim por está em um local em que crianças sempre naquele horário, se aglomeram para participarem das peladas de futebol em um campo sintético muito disputado e único espaço de lazer na região.

O que está por trás dessas tristes cenas urbanas é a crescente insegurança pública, pela falta de investimentos sociais e em inteligência policial que traga o mínimo de sensação de segurança e proteção para a população.

Essa epidemia social vem deixando as famílias atemorizadas e que se tornam vítimas por não mais poderem deixar seus filhos brincarem em espaços públicos por estarem sujeitos a tiroteios de criminosos que disputam e se afirmam em territórios, por falta de presença e ação do verdadeiro dono do espaço urbano, o Estado por meio do Governo do Distrito Federal.

Crianças, pessoas idosas, cadeirantes, gestantes e jovens simplesmente não podem mais se divertirem, pois por questões de segundos, a visita à pracinha poderá se transformar em um pesadelo como o que aconteceu com o pequeno Sharley, inocente que serviu de escudo da guerra surda travada entre criminosos, que se estabelece diante da frágil e porque não dizer frente a inexistência do poder estatal que garanta o mínimo de segurança pública da população.

A estigmatização e o preconceito velado para com Ceilândia, parecendo um espaço urbano doente e crônico estigmatizado pela fama de cidade violenta. Mas pelo contrário a cidade carece mesmo é de efetivo policial preventivo e voltado para agir de forma inteligente no combate a crimilidade em uma cidade com mais de 600 mil habitantes e com todo seu potencial econômico, social e cultural.

Não dá mais para assistir tragédias como a do Sharley de forma incólume, na há mais espaço para que os órgãos governamentais se pronunciem com base em dados estatísticos e afirmem que está tudo sobre controle.

Há uma crença popular que as estatísticas policiais não representam a realidade, pois a população raramente registra as ocorrências nas delegacias, por terem absoluta crença em não terem a assistência devida e por não mais acreditarem na eficiência e na eficácia da ação do Estado.

Por fim, rendemos os sentimentos a família de Sharley e a indignação para com essa reincidente estigmatização da nossa cidade fruto da falta de segurança pública, investimentos econômicos, sociais, culturais que vitimou uma criança alegre e querida na sua comunidade.

*Clemilton Saraiva, Articulista econômico e social em Ceilândia, DF.

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