Vestígios de carvão revelam primeira datação de sítio arqueológico do Distrito Federal

Vestígios de carvão revelam primeira datação de sítio arqueológico do Distrito Federal

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram

Brasília é considerada uma menina quando comparada a outras capitais do país. Afinal, ela só nasceu em 1960. Entretanto, vestígios da presença humana que habitou o solo do cerrado foram recentemente encontrados em sítio arqueológico e mudarão para sempre a história do Planalto Central. Esta é a primeira datação concreta no local e um marco para a memória da civilização.

O curioso dessa narrativa histórica que começa a se desenhar é que em nenhum dos 62 sítios do Distrito Federal, já cadastrados pelo Centro Nacional de Arqueologia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNA/Iphan), foram identificados vestígios que permitissem uma datação do local. Somente em 2017, há cerca de dois anos, foi descoberto o sítio complexo arqueológico de Cachoeirinha, um achado que manteve preservado durante milênios fragmentos de carvão. Assim, é possível dizer que a presença humana na região é de 8414 mil anos Antes do Presente (AP), ou na denominação em inglês: Before Present (cal BP).

A arqueóloga do Iphan, Margareth de Souza, explica que a partir das rochas não é possível saber quando as ferramentas foram feitas, a não ser por estimativa. Porém, materiais orgânicos como fragmentos de carvão, servem como indicativo para uma datação precisa. Neste caso, o carvão pode ter sido resultado de fogueiras feitas pelo homem. Ela também destaca que o termo Antes do Presente na arqueologia tem como data base o ano de 1950, e não o ano atual*.

Vestígios de carvão revelam primeira datação de sítio arqueológico do Distrito Federal (DF)

Pelo processo de análise de datação radiométrica, realizado em laboratório de referência nos Estados Unidos, foi medida a radiação presente em elementos orgânicos. Por isso foi possível estimar a idade de quando a fogueira foi feita e, também, a data das ferramentas encontradas. O resultado conseguiu extrair com 91.7% a especificidade do período. Isso possibilitará aos especialistas entender melhor a complexidade do contexto caçador e coletor, antigo morador da região.

As demais peças encontradas no complexo do sítio de Cachoeirinhas também passam por uma análise técnico tipológica para descobrir como foi elaborado cada artefato, o processo produtivo e o tempo de duração das etapas de trabalho, como ainda o local em que as atividades foram desenvolvidas, as representações sociais, dente outras. 

Licenciamento ambiental
A descoberta aconteceu durante a primeira fase de um trabalho de licenciamento ambiental, de acordo com a portaria Iphan. No Brasil, todo empreendimento deve seguir a Legislação Ambiental onde diversas instituições avaliam o impacto sobre o meio ambiente. O Iphan participa do processo para avaliar possíveis impactos em bens culturais. O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente. Está previsto na Instrução Normativa IPHAN nº 1/2015 e Portaria Interministerial nº 60, de 24 de março de 2015, envolvendo várias áreas do governo federal, estadual e municipal. 

Patrimônio arqueológicos no DF
Ao todo foram cadastrados 62 sítios arqueológicos no Distrito Federal, sendo 29 líticos, oito cerâmicos e 25 históricos. Os sítios arqueológicos mais antigos são atribuídos a grupos caçadores e coletores que deixaram, como principal vestígio, instrumentos de pedra lascada e os resíduos produzidos pela sua fabricação. Alguns sítios arqueológicos cerâmicos também têm sido registrados na área do DF apresentando, como principal vestígio fragmentos de vasilhas feitas de argila queimada, usada principalmente no preparo e no armazenamento de alimentos.

Vestígios de carvão revelam primeira datação de sítio arqueológico do Distrito Federal (DF)

Outras formas de datação
Um método frequentemente utilizado é o de C14, como no caso do Sítio de Cachoeirinha. Porém, esse método depende de se encontrar um tipo específico de matéria orgânica, como carvão. Contudo, com o avanço das tecnologias, novas formas de datação podem ser aplicadas, resultando mais conhecimento sobre a evolução da humanidade. E, para isso, o Iphan está iniciando trabalho com o professor da UnB, Elder Yokoyama.

O método estudado pelo professor é o da datação arqueomagnética, que utiliza o modelo de campo magnético da Terra no passado e a magnetização gravada no material inconsolidado (como sedimentos ou solos). “O campo magnético da Terra fica gravado nesse sedimento. Como o campo magnético varia com o tempo, é possível usar essas variações como elemento de correlação temporal. Além disso, o uso do magnetismo permite inferir condições paleoambientais, como secas e chuvas, bem como a ocorrência de incêndios e fogueiras”, explica Elder Yokoyama.

*Devidos às atividades antrópicas não terem se mantido constante nos últimos séculos, principalmente a partir da queima de combustíveis a partir da Revolução Industrial e à atividade nuclear do último século, em consequência destas e outras atividades humanas tornou-se necessário determinar o padrão referente ao presente com base no ácido oxálico. O padrão utilizado é de 1950.

Com informações do Iphan

Deixe uma resposta

Veja Também:

Últimas Postagens

Siga-nos nos Facebook

%d blogueiros gostam disto: