Gari conquista uma vaga em Biomedicina

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Oitos
horas trabalhando sob o sol forte. Essa é a rotina de Vanderlucia Santos, 36
anos, que varre as ruas do município de Luís Eduardo Magalhães, interior da
Bahia, a 953km de Salvador. Casada e mãe de três filhos, ela começou a
trabalhar como gari no ano passado, para que o marido não deixasse de estudar.

Jorge,
o marido de Lucia – nome pelo qual prefere ser chamada – é estudante de Direito
e, até o ano passado, era o único da família que trabalhava. Quando ficou
desempregado, pensou em desistir dos estudos mas Lúcia não aceitou e decidiu
buscar um emprego para assumir as despesas da casa. “Quando ele disse que
estava pensando em abandonar a faculdade, não deixei. Somos uma família humilde
e a única forma de vencer é através da educação”, contou Lucia.

A
dedicação do marido aos estudos Jorge foi o incentivo para que ela voltasse
também a estudar. A gari concluiu o ensino
médio
em 2014, aos 33 anos, mas depois disso, não pensava em retomar
livros e cadernos. “Mais uma vez, meu marido foi a minha inspiração. Ele sempre
foi muito estudioso e, vendo o exemplo dele, decidi que iria fazer o Enem”.

O
Youtube foi a principal ferramenta para que Lucia conseguisse conciliar os
estudos com o trabalho. “Eu baixava todas as vídeos aulas, colocava em uma
caixinha de música e escutava enquanto fazia meu serviço”, explicou Lucia. O
esforço valeu a pena. Lúcia ganhou uma bolsa de estudo de 100% para cursar Biomedicina
em uma faculdade particular da sua cidade. A estudante já está no segundo
semestre, apesar da rotina desgastante. “Começo a trabalhar às 7h da manhã às
7h da noite. Vou direto para a faculdade. Não é fácil, meus pais nunca tiveram
a oportunidade de estudar. Nunca tive exemplos positivos”.

A
estudante de Biomedicina é a primeira da família entre quatro irmãos a fazer
uma faculdade. Graças ao exemplo de Lúcia e Jorge, a trajetória dos filhos do
casal é diferente. O filho mais velho Diego, 20 anos, trabalha como programador
de site; Daniel, 18 anos, fez o Enem e conseguiu uma bolsa de estudo de 100%
para cursar Engenharia
Civil
e Davi, 16 anos, também conseguiu uma bolsa de estudo para
cursar o ensino médio em uma escola particular. “Me sinto muito feliz com a
vitória da minha família. Eu construi uma família do bem”, declara Lucia
emocionada.

Mesmo
depois de ter conquistado o sonho de entrar em uma faculdade, Lucia não
abandonou a sua caixinha de som, que foi um objeto tão importante para a sua
vitória. O aparelho ainda é o maior companheiro para revisar todos os assuntos
que são vistos na faculdade enquanto limpa a cidade onde mora. “Para mim, a
educação é algo extraordinário. Eu descobri que a educação é o caminho um pouco
tarde. Nunca pensei que um dia teria essa oportunidade e, agora que eu tenho,
vou aproveitá-la de todas as formas. O estudo é valioso”, concluiu.

Fonte:
Bárbara Maria – Ascom Educa Mais Brasil 

*Esse artigo é um publieditorial

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