GDF dá início a projeto de militarização de escolas

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GDF dá início a projeto de militarização de escolas

A primeira semana de aula nas
escolas públicas cívico-militares do Distrito Federal será de adaptação. O
chamado modelo de gestão compartilhada será adotado em quatro escolas a partir
de hoje (11):  Centro
Educacional (CED) 308 do Recanto das Emas, CED 7 de Ceilândia, CED 1 da
Estrutural e CED 3 de Sobradinho.

A proposta é que militares atuem na administração escolar e
na disciplina de estudantes, enquanto os professores serão responsáveis pela
parte pedagógica. O modelo é inspirado no estado de Goiás, que conta com 50
escolas como essas.

Os estudantes receberão orientações sobre a nova dinâmica da
escola. Por três meses, eles não usarão farda, o uniforme das escolas
militares, mas calça jeans, camiseta branca e tênis preto, de acordo com a
Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

“Depois, aí sim, haverá uma formatura da entrega da boina,
onde os estudantes recebem o enxoval deles, o uniforme militar, e passarão a
usar esse uniforme”, disse a capitão da PMDF Cristiane Caldeira, uma das
responsáveis pela implantação do modelo de gestão cívico-militar nas escolas.

Em Goiás, onde estão 50 das 120 escolas cívico-militares do
país, o custo médio do uniforme completo, incluindo o calçado, fica em torno de
R$ 600.

Adaptação
Segundo a capitão, haverá um período para adaptação. “Eles
[estudantes] passarão por um período de adaptação à mudança de rotina. Período
para que os adolescentes possam entender a dinâmica pela qual a escola está
passando e o corpo docente também”.

A rotina dos estudantes vai incluir hasteamento de bandeira
todos os dias cerca de 10 minutos antes do início da aula. Haverá aulas no
contraturno, que serão opcionais, como  atividades esportivas, musicais e
aulas de ética e cidadania, na qual os alunos terão conceitos de
direito, regras da escola, entre outras questões ligadas à vivência em
sociedade e disciplina.

Em cada sala de aula, estará um responsável por fazer a
chamada e apresentar a turma. Também anunciará o início e o final de cada
disciplina, sempre pedindo permissão aos professores.

Aparência
Para as meninas, o coque será obrigatório na rotina diária,
exceto paras as atividades esportivas, quando o penteado vai ser o rabo de
cavalo. Os meninos terão de usar o chamado “cabelo
no padrão baixo”, cortado com máquina dois.

“No momento de adaptação, vamos orientá-los quanto a brincos,
piercings, cor de unha e batom, maquiagem. Tudo será orientado para que não
haja traumas”, afirmou Cristiane Caldeira.

Gestão
A gestão das quatro escolas será compartilhada entre as
secretarias de Educação e de Segurança Pública. Os professores cuidarão da
parte pedagógica e os militares, que serão da PMDF e do Corpo de Bombeiros
Militar, ficarão responsáveis por questões administrativas e disciplinares.
Inicialmente, o projeto será implantado nas quatro escolas, mas a intenção é
que chegue a mais 36.

O projeto incluirá estudantes do 6º ano do ensino fundamental
ao 3º ano do ensino médio. Neste ano, os uniformes serão entregues
gratuitamente. O governo do Distrito Federal se baseou no modelo de Goiás –
onde estão 50 das 120 escolas cívico-militares do país.

Desempenho
O modelo de gestão compartilhada entre militares e
professores em escolas no DF é estudado há mais de dois anos, segundo a PMDF. O
governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou em 11 de
janeiro
 a implementação da proposta para este ano letivo.

 “A relação direta do desempenho escolar está calcada na
disciplina. A presença do policial dentro da escola visa a aumentar o grau de
disciplina desses alunos e reduzir a violência e as transgressões escolares”,
disse a capitão da PMDF.  “Quanto mais tempo dentro da sala de aula
assimilando conhecimento, melhor desempenho em provas e concursos.”

O assessor especial da Secretaria de Educação do DF, Mauro
Oliveira, disse que professores e estudantes permanecerão na escola. A partir
do próximo ano, as vagas remanescentes serão sorteadas para quem desejar
estudar nesses centros de ensino.

“Os professores são os mesmos. Não se mudam alunos. Os alunos
são os mesmos. Trabalha-se com a escola. Os alunos que estão lá são os que
ficam. Somente posteriormente é que se cria processo por sorteio para que novos
alunos entrem na escola”, ressaltou Cristiane Caldeira.

A proposta é envolver a família no processo educacional, pois
a escola passa a contar com uma associação de pais e mestres. Segundo os
responsáveis pela implementação do projeto, os pais poderão contribuir
financeiramente com a escola de forma espontânea.

“A contribuição é voluntária. Há um incentivo para que isso
aconteça. Queremos trazer os pais para próximo. A comunidade percebe a
diferença e os próprios pais começam a contribuir com a PM, pois veem que estão
doando e que tem sala com ar condicionado, que passa a ter datashow
e que a escola está pintada.”

Alerta
A professora Miriam Fábia Alves, da Faculdade de Educação da
Universidade de Goiás, que pesquisa o sistema das escolas militares, alerta
sobre os riscos sociais existentes. “A exclusão ocorre de diferentes formas. A
negativa do direito à educação acontece dentro da escola porque os pais que são
mais pobres não têm condições efetivas para bancar o uniforme na dinâmica
escolar”, disse. “Além disso, o aluno que não se adapta às regras da escola
acaba sendo expulso.”

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Segundo Miriam Alves, é importante observar que a disciplina
militar deve ser associada à socialização. “Eu acho que isso é nocivo do ponto
de vista das novas gerações, se entendemos que a escola é lugar de socialização
do conhecimento, que promove a formação humana de gente, mas gente capaz de se
entender nessa realidade.”
Agência Brasil

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