Moradores de Ceilândia sofrem com a insegurança

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Moradores de Ceilândia sofrem com a insegurança


A bolsa sempre junto ao corpo. O celular escondido na roupa. O dinheiro
da passagem reservado na mão para evitar abrir a carteira em público. Andar à
luz do dia pelas ruas do Distrito Federal tem obrigado a população a ficar
sempre alerta contra a ação de bandidos. Para não ser alvo de ladrões,
pedestres estão mais prevenidos. Deixam de circular com pertences à mostra e,
sempre que podem, preferem sacolas plásticas e bolsas pequenas que disfarçam o
que está guardado. Nos centros de Ceilândia, Taguatinga e Samambaia, a sensação
de insegurança impõe medo a moradores e comerciantes.
Apesar de as estatísticas gerais indicarem uma queda da criminalidade do
Distrito Federal, o porta-voz da Polícia Militar, major Michello Bueno, explica
que os centros das cidades atraem dois tipos de criminosos: os usuários de
droga, que cometem assaltos e pequenos furtos para manter o vício, e os
estelionatários, que enganam as pessoas para levar vantagem (leia Palavra do
especialista). “Eles são profissionais e aplicam golpes em busca do lucro. A
grande circulação de pessoas acaba atraindo esse público para cometimento de
crimes”, esclarece.
Por essa razão, o policial militar recomenda não expor objetos de valor
e andar com a bolsa ou a mochila sempre à frente. “Principalmente os criminosos
que cometem pequenos roubos e furtos são constantemente presos, mas a lei os
coloca em liberdade, o que gera o sentimento de impunidade para esse pessoal e
eles ficam cada vez mais ousados”, reforça.

Ceilândia


Na região de  Ceilândia, cidade
mais populosa do Distrito Federal — com mais de 500 mil habitantes —, houve
6.389 assaltos a pedestres em 2018. Uma média de 532 casos por mês. As forças
de segurança pública ainda registraram 568 furtos em todo o ano passado:
aumento de 29,97% das ocorrências se comparado a 2017, quando houve 437
registros (veja quadro).
Joice Carla Mota Pinheiro, 31 anos, é vendedora de uma loja de calçados
no centro de Ceilândia. Ela conta que semanalmente presencia furtos de celulares,
bolsas e até de sapatos expostos em frente ao estabelecimento em que trabalha.
“Eles pegam e saem correndo. Quando alguém grita, algumas pessoas vão atrás e
tentam tomar de volta. Mas, às vezes, os assaltantes se infiltram no meio da
multidão e ninguém consegue mais achar”, explica.



Moradora da cidade há 12 anos, ela se previne para evitar ser vítima. Na
hora de sair, prefere não usar bolsa e também anda sempre com sacolas pequenas
que não chamam atenção. “A facilidade faz com que eles assaltem mesmo. É um
meio de sobrevivência desse pessoal e causa insegurança na gente. Por isso
sempre ando com celular dentro da sacola e com o pouco dinheiro que posso. Aqui
a gente tem que tomar cuidado”, alerta.
Há um ano A.J.S, 16, foi assaltada duas vezes quando ia para a escola.
Em ambas, o assaltante, de bicicleta, levou-lhe o celular. Desde então, a aluna
do 2º ano do ensino médio tem medo de ir ao colégio sozinha. “Em uma delas, o
rapaz estava com uma faca. Não ando mais com o celular”, lamenta. A mãe, Silvana
Rosa de Jesus, 37, conta que o marido teve de conciliar o horário de trabalho
para acompanhar a filha. “Ela ficou traumatizada. Aqui a gente tem que andar
com pouco dinheiro, a bolsa próxima ao corpo e olhando sempre para os lados,
porque é perigoso”, destaca.


Palavra do
especialista


Nas áreas centrais das cidades, onde há pessoas fazendo diversas
transações comerciais, a criminalidade tem um alvo que possui dinheiro ou que
possui bens e serviços. Portanto, as pessoas têm adotado um comportamento
defensivo que traduz o chamado medo do crime. Esse receio produz mudanças
comportamentais, psicossomáticas e alterações no comportamento do coletivo.
As pessoas estão ficando mais conscientes de que as coisas de valor não
devem estar expostas e tem ocorrido uma tomada de consciência da população em
tempo de criminalidade e violência. Quando as mulheres se protegem com a bolsa,
por exemplo, é devido a consciência do roubo e do furto.
E a população de rua dos grandes centros tem um forte componente de
dependentes químicos. Eles veem no indivíduo comum aquele que possui alguma
coisa que pode suprir a sua necessidade extrema do crack. Essa é a ideia do
desespero e, portanto, a população de rua migra para onde existem pessoas que
possam suprir essa ideia de compulsão obsessiva da droga.
 (George Felipe Dantas, consultor em segurança pública).

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