Brasília relaxa quarentena enquanto vizinha Ceilândia multiplica por 9 as mortes por coronavírus

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O pico da pandemia de coronavírus deve chegar na capital do país apenas em meados de julho. Antes disso, o governo Ibaneis Rocha (MDB) já iniciou uma fase de abre e fecha que pode interferir na proliferação da doença. Talvez o exemplo mais emblemático dessa política seja o de Ceilândia, localizada a cerca de 30 quilômetros da Praça dos Três Poderes, coração do poder político da capital brasileira. É a cidade satélite de Brasília mais populosa, tem quase 500.000 moradores, um a cada cinco dos que vivem no Distrito Federal. A sua informações são do El País.

Depois que, no período de um mês, a região administrativa multiplicou por 9,6 o número de mortos por covid-19 e por 24,5 o de infectados, a gestão distrital decidiu restringir novamente a abertura do comércio, clubes, igrejas e parques. No início de maio, Ceilândia tinha registrado 6 óbitos e 102 casos. Nessa tarde desta sexta-feira (12), já eram 58 mortes e 2.501 registros de infectados. Em todo DF foram 20.684 casos e 275 óbitos. A taxa de casos confirmados por 100.000 habitantes em Ceilândia é de 717, enquanto que a do Brasil é em torno de 350.

Ceilândia foi um dos primeiros lugares frequentados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no fim de março, quando ele iniciou seus “coronatours”, termo que opositores cunharam aos passeios presidenciais em um momento em

que a orientação é o de isolamento social para evitar a propagação do vírus. Naquela ocasião, a simples presença do presidente resultou em aglomerações. Ele tirou fotos com simpatizantes e conversou com vendedores ambulantes.

“Em Ceilândia nunca houve distanciamento social, não percebi uma grande redução na circulação de pessoas nas ruas. Supermercados não controlam o fluxo de pessoas e várias lojas abrem, mesmo quando tudo está proibido”, relatou o biólogo Flávio Rosas, morador da região.

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De fato, na quarta-feira, a pedido do EL PAÍS, o repórter fotográfico Cadu Gomes circulou pela cidade. Naquele dia, ainda estava em vigência o decreto do governador que limitava o funcionamento dos estabelecimentos comerciais. Nos registros feitos pelo repórter é possível notar aglomeração de pessoas em frente às agências bancárias e lotéricas, camelôs trabalhando livremente e lojas de roupas infantis funcionando com as portas entreabertas. Igrejas e boa parte das lojas da estava fechada. Matéria completa do El País aqui.

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