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Alunos aprendem a liderar e a debater em escola de Ceilândia

Projeto desenvolvido no CEF 14 de Ceilândia incentiva senso crítico, participação e maior interação entre os estudantes

Você pode ainda não ter ouvido falar em Ingrid Lorrany Tavares, 16 anos. Nem em Larissa Emilly Chaves, 14, ou Ludmilla Kalyane Alves, 13. Mas pode guardar esses nomes. Elas ainda cursam o ensino fundamental – mas na escola, além de português, matemática, ciências, aprendem também a ser líderes, propor debates, mediá-los e articular opiniões na busca do consenso.

Essas atividades fazem parte do projeto Escola de Líderes, desenvolvido no Centro de Ensino Fundamental 14 (CEF 14), de Ceilândia. Lá os estudantes são motivados a debater sobre temas de inclusão política e social, preparando-se para uma vida adulta de consciência coletiva.

“A voz que nós ganhamos e a oportunidade de expressar nossas ideias para ajudar não só a escola, como também nossos colegas, é o que mais gosto no projeto”, afirma Ingrid Lorrany. “Normalmente a gente faz um debate no nosso grupo de interação sobre alguns temas que achamos necessários para o aprendizado e para o combate à discriminação.”

Assuntos como bullying, racismo, cidadania e mediação de conflitos são temas de trabalhos para os estudantes, que escolhem os líderes para a chefia das funções. Segundo o orientador educacional e idealizador do projeto, William Resende, a naturalidade com que os jovens trabalham esses temas é surpreendente. Assuntos que poderiam levantar polêmicas são tratados com maturidade e compreensão.

Dinâmica inovadora

Na Escola de Líderes, os adolescentes propõem ideias e dinâmicas que ocupam um cenário de inovação dentro do ambiente escolar. Segundo a estudante Larissa Emilly, as reuniões são boas para desenvolver ideias. “O que eu mais gosto do nosso projeto é que os estudantes envolvidos têm voz e opinião sobre as demandas da nossa escola, coisa que é muito difícil em outros lugares”, diz.

Entre as pautas para melhorias na escola, destacam-se as metas de plantar mais árvores, construir um parquinho, cobrir a quadra, ampliar a variedade de livros na biblioteca, ter um banheiro não binário para as pessoas que não se identificam como nenhum gênero ou que se identificam com dois gêneros, misturar conteúdos de aulas em diferentes disciplinas, ter educação sobre saúde mental, desenvolver projetos culinários e cultivar horta, promover mais campeonatos esportivos e momentos comemorativos e incentivar a educação sobre inclusão social e respeito à diversidade, bem como a educação sobre a saúde das mulheres.

Voz do estudante