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Casa do Cantador em Ceilândia vai ganhar uma cordelteca

Brasília vai ganhar um centro de referência de literatura de cordel na Casa do Cantador, em Ceilândia. A biblioteca do espaço, que hoje conta com 800 títulos de cordel e 700 livros, está passando por uma reestruturação – que inclui nova delimitação no perfil temático, voltado para a poesia, artes, cantorias, músicas e folclore do Nordeste.

Foi dessa região do país que migraram trabalhadores para a construção da capital federal, radicando-se depois na região administrativa. Dentro deste contexto, surgiu a ideia de se criar uma Cordelteca.

A reforma do espaço prevê que as janelas irão receber proteção contra luz solar e calor, a decoração será temática, contando com tapetes e almofadas produzidos pela comunidade em oficinas. 

Adesivos em padrões de xilogravuras estamparão as paredes, e os tradicionais varais de cordéis também estão presentes, compondo um ambiente acolhedor e convidativo para a leitura e a permanência, informa a gerente de acervos da Subsecretaria do Patrimônio Cultural (Supac), Aline Ferrari de Freitas.

Cordéis e livros serão classificados e ficarão disponíveis para consulta no Sistema Interligado de Bibliotecas Públicas e Escolares do DF, pelo software Koha.

A previsão de inauguração é 10 de dezembro, a tempo para o aniversário de 60 anos de Brasília em 2020. A cordelteca permitirá a realização de oficinas ligadas ao tema, além de ser um espaço de leitura e convivência social.

“A Casa do Cantador vai ressurgir ainda mais vigorosa com a cordelteca, mais equipada para divulgar o importante patrimônio cultural do Nordeste”, diz o subsecretário da Supac, Cristian Brayner.

O espaço receberá o nome de João Melchiades Ferreira (1869-1933). Esse paraibano, conhecido como O cantor da Borborema, foi um cantador e poeta de literatura de cordel. É considerado um dos grandes nomes da primeira geração de cordelistas nordestinos. 

“É uma excelente escolha”, diz Danglei de Castro Pereira, professor de literatura brasileira na UnB é também pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa do