Adelson de Almeida dispara após saída do Ceilândia

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Desde quando existia essa sua vontade de deixar o comando técnico do Ceilândia?
Vem desde o jogo com o Gama, eu falei com os jogadores que caso a gente não ganhasse o jogo, eu sairia, a gente empatou, o time teve uma postura razoável e eu resolvi continuar. Depois disso foi no jogo contra o Formosa, mais uma vez eu chamei o Ari (Presidente do Ceilândia) e falei para ele ficar a vontade em colocar outra pessoa no meu lugar, mas mais uma vez me convenceram a continuar. E contra o Caxias, foi aquilo que vocês viram e foi inevitável a minha saída, não tinha como, pelo o que houve no vestiário, no intervalo, pelo placar do jogo, mesmo assim me convenceram a continuar.

O que houve no vestiário?

Você sair perdendo de cinco a zero não é normal para time nenhum, e para um time como o Ceilândia que sofre poucos gols, você sofrer cinco gols é uma coisa absurda, então acabei desrespeiando alguns jogadores, cheguei a colocar o dedo na cara de um ou dois atletas, cobrando a omissão deles naquele dia, que eles não estavam sendo responsáveis com o clube, chamei alguns de moleque e irresponsáveis, foi uma coisa muito desagradavel.

Quem foram esses jogadores que você se desentendeu?


Foi com um jogador que eu conheço a muito tempo, quem lançou ele aqui no futebol fui eu, e ele me acompanha desde as categorias de base em Brasília, foi o Badhuga. Porque dos gols que a gente tomou, um ou dois eu tinha cantando para ele como poderia evitar o gol. Então nesse dia eu faltei com o respeito com o Badhuga. Foi com todos de uma forma geral, mas com o Badhuga eu fui bem ofensivo, que eu acho que se ele levanta e me chama para as vias de fato ou me agride eu não tiraria a razão dele, porque foi uma coisa muito desagradável.

Você acredita que possa ter havido uma espécie de motim contra você?

Acho que não. Porque até a partida contra o Ceilandense nós não estavamos perdendo os jogos, se nós estivessemos vindo de uma sequência de derrotas eu até poderia acreditar nisso, mas o Ceilândia não vinha perdendo os jogos, nós vinhamos empatando. E a forma como o time se apresentava em campo não deixava transparecer isso.

A Copa do Brasil era um campeonato menos importante para você em relação ao Candangão?


Copa do Brasil é para time grande, que busca uma vaga na Libertadores, Copa do Brasil para time pequeno é caça-níquel, e a cota que vem da Copa do Brasil para o Ceilândia não vai fazer tanta diferença assim, uma ou duas cotas não eram a salvação da lavoura para o Ceilândia. Como a gente sabia que não tinha time, não tinha um plantel a altura para ir longe na competição era melhor que não disputasse ou que ficasse logo na primeira fase. É lógico que a gente não queria que fosse da forma como foi, mas sempre deixei claro para a diretoria e para os jogadores que essa Copa do Brasil vinha em um péssimo momento que vinha só para atrapalhar.

Sair do clube foi complicado para você já que o Presidente é seu irmão?

Sair do clube foi uma imposição minha. Terminando o jogo contra o Ceilandense eu simplesmente liguei para o Ari e comuniquei: Estou fora! Ele perguntou por que? E eu disse que não dava mais, ele ainda tentou argumentar, mas eu falei para ele que era assim sim e que já estava definido. Se vocês não me tiram, eu saio. Por duas situações. A primeira que eu não posso arranhar, ainda mais, aquilo que a gente fez no ano passado e segundo que eu não posso deixar transparecer, muito embora não aconteça isso, que eu continuo só porque eu sou irmão dele. Acho que era para eu ter saído antes, não sei se o Ceilândia estaria em uma situação melhor ou pior, mas se eu tivesse saído antes, muitas coisas teriam mudado para o clube, a favor ou contra.

Fora os seus irmãos, você tinha algum tipo de problema com o restante da diretoria?

Aconteceu uma situação que quando nós fomos fazer um amistoso em Aparecida de Goiás, contra o Aparecidense, e o adversário não tinha uniforme de jogo para jogar contra a gente, teve um dirigente nosso que queria porque queria jogar, e eu disse que não iria jogar com um time com camisa de treino, então de lá para cá ficou um clima ruim dentro da diretoria, que se dependesse desse diretor eu já estaria fora antes da estreia, e eu só, realmente, fiquei porque o Ari é o cara que banca o Ceilândia e consegue os recursos, e ele bancou a minha permanência. Se você olhar direitinho eu não tinha uma vida fácil dentro do Ceilândia, porque já havia um pequeno grupo hegemônico dentro do clube que já era contra a minha permanência. Até porque o Ari está toalmene afastado do clube por conta dos compromissos dele como administrador da Ceilândia, tudo o que ele fica sabendo do futebol é porque alguém pega e liga para ele para avisar.

Quem é esse diretor que teve esse problema com você?
Eu não quero citar nome, pois é uma pessoa que eu respeito muito ainda, apesar de nós não nos falarmos desde esse episódio.

Você acredita que após a entrevista que você concedeu falando de preconceito dentro do futebol as coisas tenham ficado mais difíceis para você dentro e fora do clube?

Eu poderia ser um ladrão, um maconheiro, poderia ser um homesexual. Poderia ser o que fosse, se você chegar no grupo do Ceilândia e perguntar como é o comportamento do treinador com vocês, eles vão te falar que é um comportameno extremamente profissional, então isso não me atrapalhou em nada. Porque em relação a preconceito, sendo homosexual, ou não, ele não vai para dentro do trabalho, não vai para o vestiário, ele não vai para o campo de jogo, então isso não atrapalhou em nada, o que atrapalhou foi o resultado não vir e aquela derrota para o CFZ, que tirou o time dos trilhos e o time não conseguiu voltar mais.

Então a entrevista fez foi te ajudar?

Aquela entrevista foi boa porque você coloca alguns pingos nos is. Você vai jogar em alguns estados e escuta muita piada, muita gente que fala um monte de bobagem, e se alguém tinha alguma dúvida hoje não em mais, então não precisa ficar jogando piada, então isso também não me incomoda, porque as pessoas analisam, muitas vezes, que homosexualidade é falta de masculinidade, e tem muita gente por aí que é muito mais macho que muito cara metido a macho que não tem carater, honra e dignidade.  

Mas houve um episódio em que você se exaltou com um jornalista, qual foi o problema nessa situação?
O repórter da Rádio Redetor (João Bosco), no jogo contra o Botafogo, esse cara lá na rádio falou que eu tinha sido covarde, começou a denegrir a minha imagem. Esse cara começou a falar mal da minha pessoa. Então já que ele se achou no direito de me chamar de covarde, eu vou mostrar para ele que eu não sou covarde, e que quando ele aparecer na minha frente eu vou mostrar. Mas nós já nos falamos, ele me pediu desculpas e eu também me desculpei com ele pelo manisfesto que eu havia feito.

E o seu futuro Adelson?

Qualquer time que me fizesse uma proposta hoje eu diria não. Eu sou Servidor Público, trabalho na Agefis (Agência de Fiscalização), não dependo do futebol, sou concursado. Tenho meu emprego, por isso eu tenho tranquilidade para falar o que eu penso, porque tem muitos que vivem da bola, que se sujeitam a intromissão de dirigentes, eu não pactuo com isso, por conta dessa estabilidade profissional. Hoje eu não tenho um pingo de interesse de trabalhar em clube algum, pode colocar o dinheiro que for.

Parte disso tem a ver também com o que você passou no Brasiliense, quando dirigiu a equipe só por um jogo e o Andrade lhe substituiu?

O Brasiliense foi um erro, foi em um momento ruim da minha vida, porque tinha acabado de ser eliminado na Série D pelo Brasília, aquilo me abalou muito, porque foi uma vaga que estava nas mãos e o Ceilândia era o melhor do grupo. Eu não sei te falar o que aconteceu no último jogo, e naquele dia eu entrei em um certo estado de depressão, então qualquer coisa que aparecesse eu pegaria para ocupar o meu tempo com futebol, mas foi um erro já superado.

Como você vê a chegada do Marquinhos Bahia para substituir você?
Foi uma indicação minha. Para mim foi o maior jogador da história do Ceilândia, que nasceu na cidade, começou no Ceilândia. Foi um jogador que eu tive o previlégio de ver encerrar a carreira comigo em 2001, é uma pessoa com uma capacidade muito grande, mas mal aproveitado em virtude de muitos dirigentes contratarem mal os treinadores. Acho, também, que o Ceilândia tem uma dívida com ele, em 2009 mandaram ele embora, quando ele estava bem e eu torço para que dê certo.

Ficou alguma mágoa em relação ao fuebol?
Não, o futebol me trouxe muitas alegrias, nunca fiz isso por dinheiro, até porque não recebi em vários clubes que eu passei. E as relaçãoes que eu criei durante esse tempo foram muito boas, de amizade mesmo. Saio do futebol  hoje mais feliz do que quando eu entrei, não irei aos estádios, não vou ver jogo de ninguém, porque quando você vai ver o jogo de alguém já acham que você quer o lugar do outro, espero que as coisas deêm certo para todo mundo, desde o CFZ que é o último até o Brasiliense que é o primeiro.

E qual foi a maior felicidade que você teve no futebol?

A minha maior alegria no futebol, de tudo, são duas. A primeira é saber que o Brasiliense é Hexacampeão e torço para que ele seja hexa novamente, mas aí vem a maior alegria, é que nesse intervalo vai faltar um troféu, que é aquele trofeuzinho que o Adelson do Ceilândia ganhou.

Outra polêmica que surgiu junto a sua saída do Ceilândia é a possibilidade de ter sido oferecido um incentivo financeiro para que o Ceilandense vencesse, você acredita nessa possibilidade?
Infelizmente tem clubes que oferecem vantagens sim. Mas pensa comigo, se um time me contrata qual é a motivação que eu preciso para ir para campo e vencer? O dinheiro dos outros? A minha motivação tem que ser pelo clube que me paga, eu não preciso de dinheiro de A ou de B. Quem usa desse artifício para mim mostra falta de capacidade. Mas tem clube que oferece sim, tem gente que aceita sim, infelizmente não tem como eu provar isso, mas para essas pessoas que fazem parte desse jogo, é bom que elas saibam que não é a forma correta, e que um dia a verdade vem a tona, uma hora aparece. Quem perde é o fuetebol de Brasília, outros estados têm quatro times fortes, se aqui as pessoas preferem que tenha só um.

Mas você acredita que havido uma mala branca ou preta em jogos do Ceilândia?

O que me deixa mais nervoso é que todos os gols que eu tomei foi de jogada mostrada no vídeo aos jogadores. Eu tinha três vídeos do Caxias e eu marquei de onde a bola viria e como seria, e eu tomei os gols exatamente em jogadas marcadas. E não foi só nesse dia não, outros gols que eu tomei no estadual foi de jogada marcada. Isso prova uma coisa, ou eu sou muito incompetente, ou os meus jogadores são muito ruins, ou tem alguma coisa errada, mas aí eu não posso afirmar, mas que estava estranho estava.



Fonte: Rafael Pacheco

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