Agnelo caça aliados; Michel, Robério… e agora Wellington Luiz.

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A notícia de que o deputado Wellington Luiz (PMDB) é alvo de novas investigações por prática de peculato, estampada neste sábado, 22, n o Correio Braziliense, deixou em alvoroço o cenário político da capital da República.
Que o deputado errou, a ponto de deixar seus eleitores com a pulga atrás da orelha, todo mundo sabe. Mas a grande maioria desconhece que a notícia, requentada, foi provocada pelo Palácio do Buriti, dentro da estratégia do governador Agnelo Queiroz (PT) de perseguir aliados que se rebelam contra suas orientações.

Porém, há fatos novos. A rebelião começa a vir à tona em dobro. De um lado, Wellington e seus seguidores prometem retaliar. De outro, revela-se que há algum tempo a equipe da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública (Decap) encarregada das investigações, entregou os cargos. Motivo: o acusado estaria sendo escudado por Jorge Xavier, diretor-geral da Polícia Civil.
Embora complexo, o imbróglio é de fácil compreensão:
1.    Wellington atravessou o carro na frente dos bois, presumivelmente usando verba de uma emenda parlamentar para viajar à Europa com a família e assessores.  Custo para os cofres públicos: mais de 100 mil reais.
2.    Quando a denúncia apareceu, Agnelo Queiroz chamou o aliado ao seu gabinete. Mandou que o caso fosse abafado. Em contrapartida, Wellington Luiz teria de entregar sua consciência ao Buriti, na hora de votar projetos.
3.   Respaldado pelo governador, o deputado se vez semideus. Imaginava-se inatingível. E seu afilhado Jorge Xavier, ouvindo antes Agnelo, determinou a suspensão das investigações.
4.    A Decap, como de resto a quase totalidade da polícia de Brasília, é composta por homens e mulheres sérios. Algo do tipo amigos, amigos, sujeiras a parte. No órgão não existe corporativismo. O processo suspenso foi copiado e entregue ao Ministério Público.
5.    O diretor Jorge Xavier não gostou quando soube da ação dos revoltosos. E puniu quem entregou os cargos, deslocando delegados e agentes para bem longe de casa. A expressão ‘onde o vento faz a curva’, nunca esteve tão em voga na Polícia Civil.
6.    Acuado, sentindo o cerco, pregando inocência junto a seus pares na Câmara Legislativa e perante a categoria pela qual foi eleita, Wellington Luiz fez algo parecido com chantagem emocional. Ou Agnelo enterrava tudo de vez, ou o deputado se aliava ao movimento que fez a capital da República afundar na crise da Segurança Pública.
A verdade é que o affair Wellington Luiz não tem saída. Agnelo Queiroz, pressionado pelos poucos assessores que ainda acreditam na volta das vacas gordas, inspirou-se em Pilatos e lavou as mãos. O deputado, por sua vez, fez-se de Brutus. E promete trair, utilizando-se de um punhal mais mortal do que aquele que vitimou Júlio César.
Portanto, as investigações contra Wellington Luiz vão continuar. Agnelo perdeu o controle da situação.  E os 100 mil reais que viabilizaram uma viagem de lazer a petit comitê à Europa servirão de manto para sepultar a carreira política do deputado. Isso é questão de honra para o governador. Palavras do próprio Agnelo ao desabafar as angústias que vem sofrendo.
A caça às bruxas determinada pelo governador vai prosseguir. Se, de um lado, Michel e Robério, vítimas dos fakes recriados pelo secretário de Publicidade André Duda, têm como provar sua inocência, mostrando que são vitimas do maquiavelismo que se instalou no Palácio do Buriti, o mesmo não se pode dizer de Wellington Luiz. E outros deputados, sabendo estarem na mira de Agnelo, se farão de Cleópatra. Aos amantes tudo, menos o cetro.
Por José Seabra

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