Aguas Lindas-GO: Núbia Santana realiza longa metragem com adolescentes e jovens de Águas Lindas de Goiás.

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A atriz e cineasta brasiliense Núbia Santana executa o Projeto
Nota 10 no Entorno do Distrito Federal (Foto: Hélio Monteiro)
A atriz e cineasta Núbia Santana deu início, dia 14, ao Projeto Nota 10, voltado para 200 adolescentes e jovens na faixa etária de 15 a 21 anos, em situação de vulnerabilidade social. O projeto é realizado no Décimo Sétimo Batalhão da Polícia Militar, em Águas Lindas de Goiás, Entorno do Distrito Federal, com duração de um ano, por meio de oficinas de teatro, percussão e audiovisual (roteiro, fotografia e edição de imagem). Núbia realizará um documentário a partir do projeto, em duas etapas: dois filmes de 35 minutos cada, que serão transformados em um longa metragem.

O projeto é de responsabilidade da Codealgo, entidade local sem fins lucrativos, e conta com patrocínio da Petrobras e do Sesi.

Os participantes do projeto são adolescentes e jovens com cometimento de delitos graves, envolvidos em guerras entre eles, jovens em situação de vulnerabilidade social e em situação de risco, estes, oriundos dos bairros mais carentes e com histórico de violência elevado, a saber: Barragem I, II, III, IV, V, VI; Jardim Brasília; Santa Lúcia; e Cidade do Entorno. Serão atendidos, ainda, jovens do colégio Olavo Bilac, vulgarmente conhecido como Carandiru.

“Não faça os meninos aprenderem pela força e pela severidade; ao contrário, conduza-os por aquilo que os diverte, para que possam descobrir melhor a inclinação de suas mentes” – Platão, República, livro VII. É sob esse bordão que o Projeto Nota 10 é realizado, objetivando a capacitação profissional pela arte-educação, com oficinas profissionalizantes e artísticas, possibilitando oportunidade, prevenção e ressocialização de jovens com histórico pessoal de dificuldades relacionais no meio familiar e comunitário, jovens que cometeram atos infracionais e jovens egressos de medidas sócio-educativas.

“A realidade em que o projeto vai intervir revela um retrato claro e intenso da desigualdade social de nosso país e da falta de oportunidades para nossos jovens. O município escolhido pelo Projeto Nota 10 tem uma trajetória marcada por uma crescente banalização da violência. Para piorar a situação, a aplicação de políticas públicas para o jovem egresso no Distrito Federal e Entorno ainda é deficiente. Não se tem conhecimento de nenhuma ação contínua de erradicação desse problema. O fato é que no final do cumprimento da sentença o jovem se depara com uma difícil realidade: desestrutura familiar, inaptidão profissional, o estigma de jovem infrator, atitudes discriminatórias, conflitos entre grupos (gangues) e, de maneira geral, falta de oportunidade. Resta-lhe a reincidência criminal como alternativa mais evidente e sedutora” – observa Núbia Santana.

O Projeto Nota 10 garantirá a qualidade no atendimento tanto no que se refere à instrução para capacitação profissional, como no que se refere à supervisão e acompanhamento psicológico e de assistência social. “Não devemos esquecer que trata-se de grupo com histórico de enfrentamento de dificuldades dramáticas, que resultam em resistências a serem contornadas com atenção e acolhimento” – comenta a cineasta.

A partir desse contexto, programou-se no projeto uma bolsa-auxílio mensal no valor de R$ 200 para 20 dos 200 adolescentes e jovens do projeto. Ressalta-se que os 20 contemplados são egressos de medida sócio-educativa. A bolsa é um subsídio para suprir necessidades pessoais mais prementes dos jovens e serve também como estímulo para sua permanência no projeto, bem como prevenir a reincidência.

“O principal aliado do projeto é a oferta de oportunidade aliada à arte. A oficina profissionalizante de audiovisual, complementada pelas oficinas lúdicas de teatro e de percussão, foi escolhida de acordo com as manifestações de interesse dos próprios adolescentes e jovens e pelo fato de integrarem em última instância a mesma cadeia de produção audiovisual, afinal a produção de conteúdo se vale de atores em sua modalidade ficcional, atores que, em algum momento, precisam iniciar sua formação. Vale lembrar também que a oficina profissionalizante é oportuna para suprir a carência de mão-de-obra qualificada no segmento audiovisual do mercado de trabalho do Distrito Federal e de Goiás” – explica Núbia Santana.

“Cremos que essa iniciativa tem grande potencial de replicabilidade na busca por inclusão social e cultural, formação cidadã e preparação para o trabalho para aqueles que são vítimas da desestrutura familiar e social, do abandono e da exclusão social” – acredita a cineasta brasiliense.
Fonte: Blog DFGoias
 

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