Além da dor pela morte dos filhos, família perdeu bens no incêndio em Ceilândia.

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RAFAELA FELICCIANO
A família perdeu tudo. O crime que chocou o Distrito Federal devastou a vida de Márcia e Waldir. Além de dois dos três filhos, os pais de Drielly, de 13 anos, e João Guilherme, de nove, perderam também os móveis,  eletrodomésticos e roupas durante o incêndio criminoso: coisas simples que conseguiram com o suor dos seus trabalhos de diarista e eletricista. Por isso, na tentativa de ajudá-los a recomeçar,  amigos e familiares fizeram uma campanha para arrecadação de dinheiro.

As   quantias   já somaram R$ 5 mil, valor que pagou os custos dos caixões, velório e lápides das crianças brutalmente assassinadas em casa, por   vingança cometida pelo amigo do irmão mais velho.

Márcia e Waldir enterraram os filhos ontem, no cemitério de Taguatinga. Sem condições de falar, ficaram em silêncio durante todo o velório. Emocionados, pareciam ainda tentar acreditar no que aconteceu. Quando consolados, não esboçavam outra reação a não ser chorar. Eles quase não conseguiam ficar de pé. Por várias vezes, se apoiaram em amigos e familiares para caminhar. Passos que se dividiam entre os dois filhos: agora longe de suas camas e dentro de pequenos caixões brancos. Marcos, o irmão mais velho,  estava inconsolável. 
 “Eles estão quebrados por dentro e por fora. Ficaram sem nada. Além de perderem dois, dos três filhos, perderam os poucos móveis que tinham dentro de casa. É uma família carente de dinheiro, que perdeu parte do único tesouro que tinham, os filhos. Eles viviam para esses filhos. Não sabemos como vai ser agora, mas estamos dispostos a ajudá-los a se reerguer”, disse Noemi Correia, 42 anos, amiga da família, responsável pela organização das doações.

Choque

 No momento em que soube das mortes, conta a madrinha de Marcos Paulo, Edileusa Batista, 42, ela achou que fosse mentira. “Fiquei sabendo do caso pela reportagem que vi na televisão. Até então, estava muito emocionada pelos pais das crianças sem saber quem eram. Quando eu soube, minha casa caiu. Foi um choque muito grande. A bestialidade desse homem que matou os meninos é uma coisa que choca muito. Imagina a vizinha deles ouvindo as crianças gritarem. Que desespero, senhor!”, lamentou. 

Cena difícil de acreditar

Colegas de escola e da igreja que as crianças frequentavam   estiveram   no enterro. “Um estava sempre com o outro.  E eles estavam tão felizes na última vez que nos vimos. Foi o momento mais triste da minha vida quando eu soube que eram mesmo os dois dentro de casa, foi horrível”, diz Cássia Duarte, 16. 
 Pedro Canguçu, 16, amigo da família, lembrou que  foi correndo até a casa dos amigos para ver se o que passava na TV era verdade. “Tive certeza quando enxerguei o carro do IML. Aí, meu mundo caiu. Minhas pernas tremeram, entrei em choque. Você pensa que esse tipo de coisa está tão distante da sua realidade que a única reação é ficar sem acreditar. Fiquei em pânico”. 

 Investigações

Segundo a Polícia Civil, os irmãos foram espancados, amordaçados e amarrados antes do suspeito, o artesão Rômulo Nascimento, 21 anos, colocar fogo na casa.  Ele teria invadido a residência para buscar eletrodomésticos como forma de quitar uma dívida   feita pelo irmão mais velho deles. O suspeito disse que matou as crianças porque elas reagiram.  
 A frieza do rapaz chocou  muita gente, e o perfil do suspeito em uma rede social foi alvo de ofensas. “Você cara, com certeza, deveria ganhar um prêmio de ator revelação. Fingiu perfeitamente ser alguém que não era, alguém que pregava paz e amor ao próximo, que queria ver a paz ao seu redor, alguém que fez amigos que acreditaram que você era uma boa pessoa. Pena que isso não passava de mera HIPOCRISIA”, diz uma das mensagens.  
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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