Alunas do CED 11 de Ceilândia produzem vídeo para Festival Curta-Metragem

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Com
inscrições abertas até hoje (17), o 1° Festival de Filmes de Curta-Metragem de
Brasília está movimentando o dia a dia das escolas públicas do Distrito Federal
desde julho, quando foi lançado. A proposta é que os alunos do 9º ano do ensino
fundamental, ensino médio, educação profissional e educação de jovens e
adultos, sejam protagonistas das produções e, a partir do tema A Cara da
Cultura em sua Cidade, retratem a realidade local em vídeo. Eles devem utilizar
dispositivos eletrônicos como celulares, tablets, filmadoras, antes um problema
no dia a dia do ensino, agora grandes aliados de professores e estudantes.

É
que basta um desses aparelhos e uma boa ideia para filmar, captar aúdio e
imagens, para então produzir videos de até cinco minutos e inscrevê-los no
concurso. Os 30 melhores serão exibidos nas telonas do 48° Festival de
Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorrerá de 15 a 22 de setembro. A
iniciativa é uma parceria das secretarias de Educação e Cultura e vai
homenagear o cineasta paraibano Vladimir Carvalho que, em 2015, completa 80
anos. O artista é conhecido por apresentar a realidade brasileira de forma
crítica e poética em suas produções.
“Embora os alunos da rede pública estejam deixando para inscrever os
trabalhos de última hora, a produção audiovisual nas escolas está a todo vapor.
Algumas, inclusive, convidaram pessoas de fora, como cineastas, para falar
sobre o processo criativo, outras ofereceram oficinas de roteiro, edição e
audiovisual, e teve até aquelas que resolveram produzir festivais paralelos
para incentivar a produção e a participação”, afirma Maria do Carmo, que,
ligada à Coordenação de Mídias Educativas da Subsecretaria de Modernização e
Tecnologia, é uma das organizadoras do concurso.
Protagonismo juvenil 
Um
desses festivais paralelos foi de iniciativa do professor de filosofia Rodrigo
Coelho, do Centro Educacional 11 de Ceilândia. Com o desejo de trabalhar o
protagonismo juvenil, ele uniu forças com a tecnologia – e os celulares que não
saem das mãos de seus alunos – com a oportunidade do Festival para lançar um
evento paralelo. Ele dividiu grupos de até 12 alunos em temas como consumo (1°
ano), sustentabilidade (2° ano) e pintura (3° ano). “O resultado desse trabalho
foi muito satisfatório. Os estudantes se tornaram mais independentes no
processo de aprendizagem, relacionaram os roteiros com suas vidas particulares
e imergiram completamente no tema”, explica. Agora, os vídeos, que têm relação
com as cidades, serão inscritos no Festival de Curtas.
A
possibilidade de ter o trabalho exibido nas telonas do tradicional festival de
cinema de Brasília deixa animadas as alunas do 2° ano da escola, Ludmila Silva,
Thalita Rodrigues e Lorena Raquel. Aos 16 anos, as três foram à campo para
descobrir por que existe mais concreto do que áreas verdes. “No fim das contas,
descobrimos que Brasília tem uma urbanização considerada boa. Mas é claro que
nossos verdes precisam ser preservados e devemos também incentivar bons hábitos
e o replantio”, diz Thalita. As filmagens, que ocorreram no Plano Piloto e em
Ceilândia, deram origem ao curta Floresta de Concreto, um dos concorrentes
do Festival.
Estudantes
do 1° ano, Milena Santana, Erika Alves, Melissa Teixeira e um grupo grande de
colegas queriam mostrar nas telinhas algo “perturbador”, como definem. A
escolha partiu para o consumo exacerbado. “Por que compramos muito?”, questiona
Milena. A colega Erika tem a resposta na ponta da língua. “O pior é que geramos
lixo e nem sempre sabemos o que fazer com eles”. As filmagens do curta foram
também na Asa Sul e em Ceilândia. O roteiro teve o cuidado de levantar a
bandeira do respeito ao meio ambiente. “Nosso objetivo foi gerar mudança. Não
foi só um trabalho de escola, mas que deve ainda gerar frutos”, diz Melissa,
acrescentando que houve arrecadação de roupas para moradores de rua durante o
processo de produção.
A mesma temática, mas em formato de animação, foi utilizada pelo trio
Isadora Vieira, Rubens de França e Nahalia Silva, do 3° ano, que produziram uma
animação sobre a cultura do consumismo. Com uma linguagem mais subjetiva, eles
contam a história de um rapaz alienado, com uma visão limitada sobre a vida.
“Até que ele precisa fazer um sacrificio”, sugere Nathália, deixando a dúvida
no ar. O trabalho poderá ser um dos exibidos também no Festival de Cinema, onde
os participantes poderão conhecer a história.
A Secretaria
de Educação acredita que o engajamento desses jovens alunos vai resultar em
produções independentes e de qualidade. Além de revelar as identidades
culturais dos estudantes, o projeto também aproxima a linguagem audiovisual das
escolas.

Ainda dá tempo de inscrever
Quem deixou para última hora, nem tudo está perdido. As inscrições
terminam hoje (17) e os formulários podem ser 
obtidos aqui. O gênero
é de livre escolha, podendo ser documentário, ficção, animação,
entre outros. Serão selecionados curtas produzidos entre março do ano passado
até a data final da inscrição. Os 30 melhores trabalhos serão escolhidos
por um júri, composto por cinco pessoas, entre cineastas,
curadores, pesquisadores, professores e artistas, de reputação ilibada e
reconhecimento na área. Os vídeos serão avaliados nas categorias montagem,
direção, fotografia, roteiro, ator, atriz e abordagem do tema. Os curtas de
destaque serão também exibidos no Circuito de Cineclubes das Escolas da Rede
Pública do DF e nos sites da Secretaria de Educação e da Cultura. A relação com
os filmes selecionados para o Festival será divulgada em 9 de setembro, no site
da SEDF.
 

Elton Pacheco, Ascom/SEDF

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