Alunos aguardam reforma do CEM 10 de Ceilândia há um ano

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[Jornal de Brasília] A reforma geral do Centro de
Ensino Médio 10 (CEM) no Setor P Sul, em Ceilândia, permanece sem data para
sair do papel. Há pouco mais de um ano, o local segue desativado devido às
falhas estruturais que comprometem o prédio e ao risco que oferecia aos alunos.
A transferência dos
estudantes, funcionários e servidores do CEM 10, localizado na QNP 30, para o
Setor de Indústrias de Ceilândia foi uma medida paliativa e sequer amenizou o
problema. Pelo contrário, os pais reclamam da distância e do tempo que os filhos
levam para chegar à unidade, apesar de o GDF ter disponibilizado ônibus. Agora,
o colégio funciona no espaço onde seria o Centro de Ensino Fundamental 29.

Pai de um aluno do 1º ano, o
comerciário Dyhone Sena, 46, está revoltado. “Eu moro em frente ao prédio
desativado, poderia desfrutar do conforto dessa excelente localização. Meu
filho deveria ir a pé para o colégio, mas perde mais de 20 minutos todo dia até
chegar ao Setor de Indústrias. Além disso, a violência na região é absurda,
fico com o coração apertado quando ele vai para a aula”, diz.

Dyhone ressalta ainda a falta
de segurança dentro dos ônibus. “Só tem um instrutor. Até eles estão correndo
risco”, completa. O comerciário se sente lesado diante do problema. “Já perdi a
esperança. Não acredito que essa reforma saia tão cedo. Pago meus impostos em
dia e não tenho direito ao básico”, acrescenta.

Para o filho dele, Brynner
Sena, 15, os problemas não param por aí. “Nosso tempo de aula foi reduzido por
causa dos atrasos. Antes, os professores começavam por volta das 13h15. Agora,
só depois das 13h40. Também saímos mais cedo que o normal, às 17h45, para
evitar que escureça e fique ainda mais perigoso”, lamenta.

De acordo com o estudante, o
prédio é grande, mas não tem laboratórios, lanchonete e quadras cobertas. “Hoje
(ontem), tivemos que fazer as atividades no sol quente”, declara. Brynner nunca
estudou no CEM 10 da QNP 30. “Não deu tempo, ele fechou antes. Eu estou mais
ansioso pela reforma do que os meus amigos. Preferia estudar perto de casa, mas
entendo que a unidade não tinha mais condições de funcionar. Meu colegas contam
que as paredes estavam rachadas, as portas estragadas e as pias dos banheiros
quebradas”, detalha.

Vizinha do CEM 10 original, a
aposentada Laídes Rocha Rosa, 65, compartilha da mesma opinião. Ela tem uma
neta de 14 anos que estuda na unidade. “Essa transferência dificultou nossa
vida, inclusive nos dias de chuva. Gostaria de poder levá-la e buscá-la. Se
qualquer coisa acontecer, não conseguimos socorrer tão rápido. Os pais ficam
indignados”, afirma.

No Setor de Indústrias, o
vice-diretor da instituição, Conrado de Souza, pondera que não houve uma junção
de dois colégios. “O espaço é usado pela secretaria para abrigar uma unidade
por vez que esteja passando por dificuldades. Agora, somente a comunidade do
CEM 10 está instalada aqui”.

Adaptações necessárias na
rotina

Atualmente, a unidade conta
com aproximadamente 780 alunos. Assim que houve a mudança de lugar, eram cerca
de 900 matriculados. “Alguns conseguiram ir para outras unidades”, informa o
vice-diretor Conrado de Souza. Antes disso, porém, a instituição chegou a ter
1,4 mil estudantes, incluindo o período noturno, que foi fechado por falta de
demanda, pouco antes do local ser desativado. Segundo Souza, 280 pessoas
frequentavam as aulas à noite.

Para evitar uma redução maior
das aulas, foi preciso diminuir o intervalos. “Tínhamos duas pausas de dez
minutos cada. Por causa da mudança, fazemos apenas uma. A ideia é que os alunos
não percam mais tempo”, declara o vice-diretor, ao lembrar da dificuldade
enfrentada pela comunidade na edificação antiga. “Problemas elétricos e
hidráulicos, além de vazamento no telhado. Tinha dia que pingava nos
corredores. Os pilares externos também estavam todos comprometidos”, completa.

VERSÃO OFICIAL

Procurada pela reportagem, a
Secretaria de Educação informa que nenhuma obra foi realizada no prédio, tendo
em vista que a escola vai passar por reforma geral. No entanto, a pasta
“pretende abrir a licitação no segundo semestre deste ano”. O órgão destaca
ainda que os projetos arquitetônicos estão prontos, mas faltam os
complementares. Questionada sobre os custos da ação, a secretaria não soube
informar os valores. “Os projetos estão em elaboração, apenas ao final será
possível realizar o orçamento da obra. Enquanto isso, os alunos são
transportados por uma empresa de ônibus contratada pela secretaria”, alega a
pasta, por meio da assessoria. Em Ceilândia, somente o CEM 10 carece de reforma
geral e oferece risco, garante o órgão.

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