Alunos do CEM 12 de Ceilândia, são os primeiros beneficiados pelo projeto Rap hour

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O rapper Nego Joe (E) na sala de aula:
Do correio Web.
O rapper Nego Joe (E) na sala de aula: “A
gente vê de perto da realidade das ruas e não pode fechar os olhos”

A
presença de traficantes próximo à escola incomoda a direção e assusta
alunos que não são usuários de drogas. Quando soa o sinal da saída, à
luz do dia, os bandidos estão preparados para oferecer
crack,
maconha, cocaína e muito mais a crianças e adolescentes. A cena ocorre
diariamente em colégios de todo o Distrito Federal. Em um deles, o
Centro de Ensino Médio 12 de Ceilândia, na QNP 13, a batalha diária
contra o vício ganhou aliado poderoso na manhã de ontem: a arte.

De
surpresa, alunos receberam a visita de integrantes da banda Racionais
MC’s, além do cantor e compositor carioca Mongol, o rapper e produtor
cultural Marquim (Tropa de Elite), o DJ Jamaica e o campeão mundial de
vale-tudo Marcelo Tigre. A turma se reuniu para falar sobre drogas e
bullying. “Os dois problemas andam juntos. Quando o jovem é valorizado,
ele não escolhe usar drogas”, explicou o organizador do evento, Valdemar
Cunha, do Instituto Caminho das Artes (ICA).

Ontem, estudantes
empolgados tomaram conta do pátio do CEM 12 para assistir à
apresentação. O encontro faz parte do projeto Rap hour, que preenche com
atividades diversificadas um espaço de 60 minutos nas escolas — um
intervalo cultural, estrategicamente criado com essa finalidade. Nos
próximos dias, 25 escolas públicas de Ceilândia receberão a visita de
famosos. A verba para promover a mobilização veio de emenda parlamentar
da Câmara Legislativa. A expectativa dos organizadores é a de receber
mais dinheiro e levar artistas a outros centros de ensino localizados em
cidades de baixa renda.

Obrigação socialO
rap foi o ritmo escolhido por agradar a maioria dos jovens envolvidos no
projeto. “Estamos aqui para cumprir uma obrigação social. A gente vê de
perto da realidade das ruas e não pode fechar os olhos para isso”,
afirmou o músico Nego Joe. Os integrantes do Racionais MC’s KL Jay e Edy
Rock também deram seu recado. “Uma grande nação se faz com educação.
Educação é autoestima e não está só na escola, precisa existir em casa,
na rua. O cantor de rap, muitas vezes, é tido como herói, alguém que não
precisou ir pelo caminho errado para se dar bem, por isso somos
espelho”, disse KL Jay.

Os meninos e meninas captaram a mensagem,
entre uma música e outra. A estudante do 2º ano Raylliane Cunha, 17
anos, aprovou a iniciativa. “Cresci ouvindo Racionais. Quando eles
falam, a galera escuta com atenção porque se identifica com eles”,
observou. As amigas Paula Alves, Aline Santos e Giselle de Castro, todas
de 16, concordam. “Com um show desses, estão incentivando os jovens a
procurarem outra saída, o caminho certo”, destacou Aline, em referência à
campanha antidrogas veiculada durante essas visitas.

O diretor
do CEM 12, Edson Castro, aproveitou a oportunidade para pedir o apoio na
luta contra as drogas: “A gente faz o possível para afastar essa
realidade do colégio. Mas, sem o apoio de toda sociedade fica difícil. O
vício é muito cruel”.

Experiência

Os
adolescentes escutaram com atenção o relato de Marcelo Tigre. O lutador
sofreu bullying na adolescência. “Todos os dias, um cara ficava parado
na frente da escola e me dava tapas. Comecei a treinar para combatê-lo. O
meu agressor se afundou nas drogas, enquanto eu só pensava em esportes.
Aprendi com as artes marciais que você não deve lutar com os mais
fracos. Eu ganhei o mundo, ele está na cadeia”, relatou, aplaudido pela
plateia.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) feito em 2009 apontou que Brasília é capital do país
com mais vítimas de bullying. Cerca de 35,6% dos estudantes sofreram
esse tipo de violência. Logo em seguida, aparecem Belo Horizonte, com
35,3%, e Curitiba, com 35,2%. Uma pesquisa do consultor educacional
Ricardo Chagas, publicada em maio desse ano, apontou também que a cada
grupo de 10 estudantes, três sofrem bullying nas escolas do DF.

Além
de pesquisar o problema em Brasília, Chagas percorreu Belém, Fortaleza,
Rio de Janeiro e Macapá para ouvir alunos, pais, professores e
profissionais da área. Na capital federal, visitou cinco colégios e
entrevistou 700 alunos entre o oitavo ano do ensino fundamental e o
terceiro ano do ensino médio. A intenção é colocar em prática um projeto
para combater a humilhação.

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