Análise das eleições 2014 – Desafio de furar a polarização.

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Por Ricardo Callado –  A eleição para governador do Distrito Federal está novamente polarizada. Será mais uma vez o PT do governador Agnelo Queiroz versus os grupos dos ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR). Com algumas dispersões dos dois lados.
A novidade é o racha irreversível na esquerda e um reversível na direita. Os dois grupos perderam aliados. E vão ter que enfrentar antigos companheiros. São eles que terão o desafio de furar a polarização.

Na lista de candidatos a protagonista na disputa ao Buriti estão o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), a deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS) e alguém do PSDB. Hoje são três os pré-candidatos tucanos: deputados federais Luiz Pitiman e Izalci Lucas, e o ex-presidente da legenda, Márcio Machado.
O PT tinha Rollemberg como aliado em 2010. O dissidente trouxe com ele o senador Cristóvam Buarque e o deputado José Antônio Reguffe, ambos do PDT. Busca ainda o apoio de PPS, Solidariedade e PSol.
Rollemberg foi o vitorioso da semana. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, fechou acordo com o PT nacional e local para levar o partido ao colo do governador Agnelo. As conversas estavam adiantadas e o anúncio seria feito no fim de semana.
O PT sonhava com Reguffe para ser o candidato ao Senado na chapa de Agnelo. O deputado pedetista ficou sabendo do golpe e se adiantou. Na noite de quinta-feira reuniu o seu grupo político e decidiu apoiar a candidatura de Rollemberg.
O projeto de Reguffe era ser candidato ao GDF. As pesquisas apontavam com mais intenções de votos que o pré-candidato do PSB. O gesto de abrir mão da candidatura do Buriti foi classificada de nobre por parte da esquerda. Reguffe justificou: “Não dá para ter duas ou três candidaturas no mesmo campo. Seria uma irresponsabilidade com a cidade”.
Reguffe será agora candidato a senador ou a vice-governador na chapa de Rollemberg. O PDT-DF o tinha lançado no segundo semestre de 2013 à sucessão de Agnelo. Não contavam com a tentativa de Lupi vender a legenda para o PT. Se o presidente nacional insistir na manobra e intervir, Reguffe está disposto a abandonar a política.
A chapa de Arruda também levou um golpe de bastidor. O PT manobra para retirar o PTB da aliança. Presidente regional do partido, senador Gim Argello seria candidato à reeleição na chapa do ex-governador.
O maestro por trás dessa orquestra é o ministro chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, Aloízio Mercadante. A ordem é enfraquecer Arruda. Gim Argello será indicado como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), com a renúncia de Valmir Campello, que ganhará um cargo na diretoria do Banco do Brasil.
Arruda já esperava isso. Gim também. O anúncio na chapa do ex-governador surtiu efeito. Tinha o objetivo de antecipar a indicação, que estava prometida para o fim do ano. Se não fosse feita agora, Gim não iria esperar e seria candidato de qualquer jeito.
O substituto de Gim na chapa será o presidente do DEM no DF, Alberto Fraga. Ele foi candidato nas eleições 2010 ao mesmo cargo. Antes tinha sido deputado federal e secretário de Transportes do próprio Arruda. A campanha de oposição ganha o DEM, que se junta ao PR e PRTB, além de outros partidos que estão negociando. E talvez não perca o PTB. O tiro do PT pode dar culatra.
Se a esquerda está rachada e não existe chance de reconciliação com o PT, a direita vai aos poucos unindo o grupo que esteve no poder por duas décadas. Com exceção do PMDB, de Tadeu Filippelli, que continuará sendo vice de Agnelo Queiroz.
Mesmo com todas essas movimentações, Agnelo ainda tem o melhor cenário para coligação, maior número de partidos, mais tempo de tevê, a máquina pública nas mãos e o percentual de eleitores que sempre vota no PT. São fatores que permite tranquilamente uma ida ao segundo turno das eleições.
Na lista de secretários que deixam o GDF para ser candidatos chega-se a duas definições. Braço direito de Agnelo, o ex-secretário da Saúde Rafael Barbosa será candidato a deputado federal. Já o braço esquerdo do governador, Cláudio Monteiro, fica no governo e desiste de concorrer a uma vaga na Câmara Legislativa

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