Após sucesso, cia de teatro de Ceilândia volta aos EUA para o Brazilian Day

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Quando a linguagem de um espetáculo é universal, ele pode ser apresentado em qualquer lugar. Os integrantes da Hierofante Companhia de Teatro perceberam isso na prática, nas duas vezes em que o grupo de Ceilândia esteve em Nova York para participar do Brazilian Day.

“Lembro-me de uma senhora que ria o tempo todo. Pensamos que fosse brasileira. Ela nos disse que não entendia as palavras, mas entendeu a peça e ficou emocionada”, recorda o ator Pablo Peixoto. “Certa vez, não conseguimos começar uma apresentação, pois os americanos não paravam de pedir para tirar fotos com a gente”, acrescenta Wellington Abreu, ator e atual diretor da companhia (que acabou de completar 16 anos de trajetória).
Integrante do Hierofante nos EUA: a expectativa do grupo é buscar mais espaço no exterior para o teatro brasileiro (Clébia Peixoto/Divulgação)
Integrante do Hierofante nos EUA: a expectativa do grupo é buscar mais espaço no exterior para o teatro brasileiro


As aventuras da Hierofante no exterior começaram em 2008, em uma viagem para São Tomé e Príncipe. O convite partiu de um representante do Unicef. “Ele nos viu em uma apresentação na UnB, gostou e disse que ia nos levar para o país dele”, conta Pablo. Um ano depois do primeiro contato, o trio Wellington, Pablo e Anderson Floriano embarcou rumo ao país africano. “Chegamos lá em outubro de 2008. Fomos recebidos como jogadores de futebol. Tivemos uma agenda cheia por lá, com entrevistas em rádio e televisão, encontro com políticos, várias oficinas…”, relata Wellington. Foi a partir dessa experiência que o grupo percebeu que seria possível expandir sua área de atuação.

O próximo passo seria chegar aos Estados Unidos. Feitos os contatos com a organização do Brazilian Day, de quem receberam carta-convite oficial para participar do evento, o grupo correu atrás dos vistos e patrocínios para a primeira viagem.

Em setembro de 2009, a Hierofante desembarcou na Grande Maçã. Lá, o grupo fez apresentações do Auto da camisinha e do palhaço Tá na Reta — este, em plena Time Square, uma das mais famosas avenidas de Manhattan. Detalhe: a Hierofante Companhia de Teatro foi o primeiro grupo de artes cênicas a se apresentar no evento, conhecido principalmente por shows musicais de artistas brasileiros.

Wellington Abreu, Pablo Peixoto e Anderson Floriano buscam patrocinadores para o Brazilian Day 2011 (Ronald Dias/Divulgação)
Wellington Abreu, Pablo Peixoto e Anderson Floriano buscam patrocinadores para o Brazilian Day 2011


Em 2010, mais uma vez convidados pelo Brazilian Day, eles estrearam o espetáculo A baba da pintada — e apresentaram também a montagem Aprendiz de feiticeiro (esta, com poucas palavras, o que ajudou ainda mais a comunicação com os americanos) e números de palhaço. Foi também no ano passado que eles descobriram e tiveram contato com o Michael Chekhov Acting Studio. Wellington explica que eles estudam a mesma técnica de teatro que a Hierofante: “Trabalhamos com o padrão de Chekhov, que Humberto Pedrancini, criador da companhia, instalou no grupo. Em fevereiro, voltamos a Nova York para fazer um curso lá”.

Planos
Com mais um convite de participação no Brazilian Day, os integrantes da Hierofante fazem planos ambiciosos para o evento em 2011. A ideia, desta vez, é apresentar os espetáculos Bacantes e brincantes, Aprendiz de feiticeiro, números do palhaço Tá na Reta e O rapaz da rabeca e a Moça da camisinha. “Queremos ampliar, levar mais gente conosco: o Pedrancini, o grupo Mosaico e jornalistas que fariam a cobertura das nossas atividades por lá, que poderiam ser acompanhadas em um site criado para a ocasião. Seriam, no total, 15 pessoas”, adianta Wellington. Para concretizar esse sonho, a Hierofante está em busca de patrocinadores.

Pablo enxerga a iniciativa como uma porta de entrada para o mercado internacional que contemplaria não só os artistas do Distrito Federal, mas também do Brasil. “Existe uma demanda de teatro brasileiro por lá. Tem gente que está nos Estados Unidos há 10, 15 anos sem vir ao Brasil. E há uma identificação por parte dos brasileiros de lá com esse tipo de teatro, que é teatro brasileiro, não é Broadway.” Wellington ambiciona uma mostra de teatro brasileiro em Nova York: “Estamos cavando espaços reais e legais para os grupos de teatro. E nada disso nos assusta. Queremos cada vez mais. Ano que vem, queremos levar metade de Brasília para lá”, brinca o ator.

Festa brasileira
Parte do calendário oficial de eventos da cidade de Nova York, o Brazilian Day é realizado desde 1984, no começo de setembro, nos arredores da Rua 46, região também conhecida como Little Brazil, devido ao grande número de brasileiros que moram ou trabalham por ali. A programação conta com apresentações musicais de artistas brasileiros e venda de produtos típicos do Brasil.


Hierofante Companhia de Teatro
Sexta, sábado e domingo, às 20h, no auditório da Administração de Ceilândia. Apresentação do espetáculo A baba da pintada. Ingresso: 1kg de alimento não perecível. Classificação indicativa livre.

Do Correio Braziliense.

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