Área de livre atuação das polícias goiana e brasiliense será criada.

Compartilhe essa matéria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram

O Palácio do Planalto decidiu agir para tentar conter a criminalidade na Região Metropolitana do DF e evitar que se torne um problema de segurança nacional ou assuste ainda mais as missões diplomáticas hospedadas na capital da República.

Um acordo de cooperação técnica, que vinha em ritmo lento, foi acelerado depois que o membro do corpo diplomático da União Europeia foi vítima de um sequestro relâmpago na 408 Sul. Coordenado pela Casa Civil, o plano transformará a Região Metropolitana em uma área de livre atuação das polícias goiana e brasiliense, mas terá o respaldo de ações nas áreas de saúde e educação.

As polícias militar de Goiás e do DF terão liberdade para agir no patrulhamento preventivo, ostensivo, prisões e encaminhamento dos flagrantes às delegacias mais próximas. “A atuação será conjunta. O plano está pronto e só falta ser assinado. O acordo dará liberdade para a cooperação e apoio mútuo”, diz o coronel Jooziel de Melo Freire, subsecretário de Segurança do DF. Na mira da polícia estão a entrada de armas e de drogas, prevenção a homicídios e latrocínios e aos sequestros relâmpagos praticados por quadrilhas que agem no DF, mas se escondem em Goiás.

FALTA DE REPRESSÃO
No diagnóstico passado ao Governo Federal por autoridades do Buriti, a região tem um quadro de ausência de leis provocado, de um lado, pelo desmantelamento dos esquemas do bicheiro Carlinhos Cachoeira – que exercia o controle sobre as áreas de segurança sob o olhar quase contemplativo das autoridades – e, de outro, a ausência de ações de repressão ao crime. A precariedade de lei e ordem atinge todo o cinturão do Distrito Federal.

“O crime organizado pode entrar nesse vácuo”, diz uma fonte do GDF, que pediu para não ter o nome citado. Para ela, se não houver intervenção, a tendência é que a criminalidade avance como ocorreu no Rio de Janeiro, onde o tráfico seguiu o rastro deixado pela contravenção.

A primeira ação concreta do Ministério da Justiça, e que contribuiu para “acordar” o governo foi a instalação do efetivo de cem homens da Força Nacional de Segurança (FNS) em Valparaíso, Águas Lindas, Luziânia, Novo Gama e Cidade Ocidental. Envolvidos atualmente em investigações que deveriam estar sendo tocadas pela Polícia Civil de Goiás, esses policiais estão auxiliando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério Público Federal no mutirão para resolver casos até então insolúveis.

Embora o Governo Federal se esforce para não ferir a autonomia na gestão da segurança pública, a FNS chegou à Região Metropolitana para ficar. A meta é destinar mais de mil homens definitivamente .

Força Nacional
Em parte, o acordo de cooperação técnica entre as polícias do DF, de Goiás e Ministério da Justiça é a roupagem legal para uma ação que já vem sendo realizada na prática. Na Região Metropolitana, a Força Nacional de Segurança (FNS) faz o policiamento ostensivo e investiga inquéritos que estavam parados nas delegacias. Um jeito diplomático para evitar uma ação mais dura do Governo Federal em regiões fora de controle das forças estaduais, esse tipo de acordo funciona atualmente em Alagoas, onde o Conselho Nacional de Justiça faz um pente-fino em investigações de homicídios que dormiam nas delegacias da região.

Com o convênio, o Governo Federal preserva a autonomia das polícias estaduais, que têm a atribuição de agir em casos de segurança pública, e não arranha o pacto federativo. Os índices de criminalidade nas cidades vizinhas ao DF se acentuaram desde que a Polícia Federal prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira e descobriu que em torno dele gravitavam policiais civis e militares. O desmantelamento do esquema revelou a ausência de repressão na região.

Por: Vasconcelo Quadros

Fonte: Jornal de Brasília – 04/10/2012

Deixe uma resposta

Veja Também:

Últimas Postagens

Siga-nos nos Facebook

%d blogueiros gostam disto: