Brasília: Começam, enfim, as mudanças no transporte .

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Começam, enfim, as mudanças no transporte Foto: Thyago Arruda / 247

Primeiro edital para novo sistema vai a audiência pública na próxima semana, mas  secretário de Transportes, José Walter Vazquez Filho, avisa que ônibus velhos só serão substituídos em 2013


Naira Trindade_ Brasília 247 – Os ônibus com pneus carecas, assentos quebrados, tetos furados, fabricados em 1992, 1994 e 1997 vão permanecer no sistema de transporte público do Distrito Federal por pelo menos mais um ano. As propostas de melhorar o transporte coletivo da capital do país ainda vão precisar de 18 meses para serem implantadas, fora o tempo necessário para as licitações. Primeiro passo, o edital para escolha do sistema de tarifa integrada e de painéis com informações sobre os horários dos ônibus nos pontos será colocado em consulta pública na próxima semana.
A promessa de racionalizar o sistema de transporte público se arrasta há anos. Até mesmo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) recomenda exaustivamente, desde 2001, que se implante um bom sistema de transporte coletivo para desestimular o uso de veículos particulares. Os caminhos para aperfeiçoar o sistema estão registrados nas mais de 200 páginas do Plano Diretor do Transporte Urbano (PDTU), aprovado pela Câmara Legislativa este ano. Mas vão demorar a sair do papel.
Desde que assumiu a Secretaria de Transportes, José Walter Vazquez Filho diz ter se debruçado em estudos técnicos para conseguir racionalizar o sistema que considera “burro”. “Nesse nível de irracionalidade, os veículos precisam rodar muito”, enfatiza. A principal proposta para melhorar o transporte não está nos alargamentos das vias ou na construção de viadutos, mas em organizar o sistema de forma a economizar combustível e ganhar em eficiência.
Para organizar o sistema, a Secretaria de Transporte vai dividir o Distrito Federal em seis bacias de circulação, mais o Plano Piloto, que será uma área de compensação. Nas bacias, os ônibus funcionarão em sistemas circulares, pegando passageiros e deixando-os em terminais de onde sairão os carros-troncos. São eles que estarão autorizados a rodar nos seis eixos e a levar passageiros para o centro de Brasília. Quem estiver nas paradas esperando pelos coletivos, saberá com exatidão os horários dos carros por meio  de painéis informativos. E dentro dos veículos também haverá um placar digital informando a velocidade do ônibus e o tempo estimado de duração da viagem.
“No novo sistema, o usuário vai saber se o veículo está atrasado, o empresário vai acompanhar a rota do coletivo via GPS e o governo vai ter controle do sistema”, adiantou o secretário de Transportes. Vazquez garante que o edital de licitação está pronto, mas que, para garantir a transparência deverá ser colocado em consulta pública na semana que vem. A audiência pública para discutir o assunto com a sociedade está prevista para a primeira quinzena de dezembro e, depois disso, a Secretaria de Transportes tem até o final de fevereiro para licitar o sistema.
Pelo caminho, José Vazquez terá de enfrentar um desafio chamado Entorno. É que os ônibus dos municípios goianos que circundam o Distrito Federal não estarão integrados com o sistema brasiliense. Diariamente, 1,4 mil ônibus goianos – ou 500 linhas –entram na capital e somam-se aos 2,8 mil coletivos brasilienses – ou 1.108 linhas. Interessado em sanar logo esse problema, Vazquez tenta negociar com a Agência Nacional de Transportes Terrestres um processo de licitação conjunta nos municípios goianos e no Distrito Federal. Mas ainda não teve um retorno da agência.
Especialista em transporte público, o professor da Universidade de Brasília Artur Morais aguarda pela retirada de ônibus fabricados em 1992 do sistema de transporte público. Ele defende o início imediato da licitação para que os passageiros sejam beneficiados o quanto antes com as melhorias. “Após a licitação, a implantação será rápida porque o governo não está inventando a roda, mas apostando num sistema que já existe e funciona bem em outras cidades.”
A realização da Copa do Mundo de 2014 pressiona o governo do Distrito Federal para acelerar o processo de licitação e seguir as diretrizes do Plano Diretor, que levou mais de quatro anos para ser elaborado e só foi aprovado em maio deste ano. “Os governos anteriores prometeram e não cumpriram, mas agora temos a faca da Copa pressionando para fazermos em dois anos o que não foi feito em 30 anos”, diz.

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