Brasiliense vai pagar um preço alto pela inabilidade da gestão do dinheiro público no DF

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Correio Braziliense – O brasiliense vai pagar um preço alto pela inabilidade da gestão do
dinheiro público no Distrito Federal. O dia seguinte ao anúncio de aumento das
passagens do transporte público, do restaurante comunitário, de impostos, do
zoológico e a suspensão de aumento de salários para o servidor público, a
sensação é de ressaca. Patrões fazem contas. Trabalhadores temem perder o poder
de compra e até demissões. Para especialistas ouvidos pelo Correio, haverá
reação mesmo nos casos em que a medida era inadiável.


Os efeitos do
pacotão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) serão sentidos na prática a
partir de domingo por parte da população. É quando começam a vigorar os novos
preços dos ônibus e do metrô, com alta entre 20% e 33%. Os dois não eram
reajustados havia nove anos. Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL)
programam para amanhã um protesto na Rodoviária do Plano Piloto. A convocação
do movimento é para derrubar o aumento. Nas paradas de ônibus ou estações de
metrô, a insatisfação é generalizada. “Com certeza, teremos um impacto negativo
com essa série de aumentos. E o transporte público no DF é ruim, com frota
velha e sem ar-condicionado. Isso sem contar a falta de educação de motoristas.
Esse reajuste não mudará em nada a situação”, apontou o servidor público
Vinícius Weitzel, de 30 anos.

Na avaliação do
professor Pastor Willy Gonzales Taco, doutor em engenharia e transportes, o
aumento das tarifas de transporte era esperado. “Não tem como segurar a panela
fervendo por mais tempo. É bom resfriá-la, antes que exploda. Tem que cobrir os
rombos deixados pelo governo anterior”, diz. No entanto, Taco não tem dúvidas
de que o pacote vai gerar reações. “Haverá reclamações, insatisfação e
descrédito político. Do ponto de vista do usuário cativo, não tem como ele fugir,
será o mais impactado”, avalia.

Contrapartida

Em um cenário assim,
é imprescindível, segundo o especialista, que o governo apresente uma
contrapartida. “Definitivamente, mais credibilidade e atratividade no sistema.
Esperam-se ações que concretizem esses anseios, principalmente na frequência e
pontualidade da operação, lotação mais humana na oferta, condizente com os
padrões de qualidade”, sugere.

Melhorar a qualidade
do serviço é imprescindível, mas também falta, na avaliação de Paulo César
Marques, doutor em estudos em transportes, “a abertura da caixa-preta do
sistema”. Segundo ele, o repasse que o governo faz às empresas é baseado num
cálculo cujos dados só são conhecidos pelos donos dos ônibus. “Ninguém mais tem
acesso a essas planilhas de custo, nem o próprio governo. Com o atual modelo e
sem o controle das informações estratégicas, o que o GDF faz é subsidiar as
empresas, não o serviço”, critica.

Em entrevista ao
Correio, Rollemberg ressaltou que o aumento da tarifa, aliado ao combate às
fraudes e à conclusão da licitação para manutenção do metrô, vão resultar em
melhoria do transporte público. “As pessoas ficarão menos tempo esperando nas
paradas. As cooperativas, hoje, prestam um serviço muito precário e, à medida
em que forem substituídas, o atendimento ao cidadão ficará melhor”, acredita.
Rollemberg destacou ainda que o sistema de transporte licitado no último
governo não está completamente implementado e defendeu a transparência total
sobre os números do transporte coletivo.

Diversão e comida

A mudança no valor
do ingresso do Zoológico de Brasília, de R$ 2 para R$ 10, a partir de
segunda-feira, gerou insatisfação entre os usuários. Pela nova tabela, crianças
de 5 a 12 anos, estudantes, professores idosos e beneficiários de programas
sociais pagam meia-entrada. De terça a quinta-feira, qualquer visitante pagará
R$ 5. Pessoas com deficiência e crianças até 5 anos terão entrada livre em
qualquer dia da semana. Na tarde de ontem, a dona de casa Silvana Carvalho, 30
anos, levou os filhos Enzo Gabriel Berlemont, 1 ano e 9 meses, e Geovana
Berlemont, 3 meses, para um passeio no espaço. “O aumento é exorbitante. Esse
espaço é para lazer, para trazer as crianças e nos divertir, por isso, o preço
tinha que ser simbólico. É um absurdo”, alegou.

 Adriana Bernardes , Isa Stacciarini João Gabriel Amado / Correio Braziliense

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