Candidata a conselho tutelar votou em si mesma, mas não teve voto computado

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A
eleição para conselheiros tutelares do Distrito Federal corre risco de ser
invalidada. A ação civil pública contra o Conselho Tutelar, o Distrito Federal
e a Fundação Getulio Vargas (FGV) ajuizada pela Defensoria Pública do DF
continua a valer mesmo após a realização do certame, no último domingo. As
falhas, os problemas e as denúncias de irregularidades do dia da votação
estarão, inclusive, anexados como provas ao processo. Testemunhas também serão
ouvidas, entre elas, eleitores e candidatos. A Defensoria levará adiante a ação,
mas a sentença, de anulação ou validação das eleições, será dada pela Vara da
Infância e Juventude. Um dos entraves está, justamente, no prazo judicial para
a questão. O resultado poderá demorar anos.


“É um
processo que pode ser longo, mas vamos trabalhar para que seja o mais breve
possível, pois precisamos trazer tranquilidade a todos os envolvidos”, afirmou
o defensor público geral do DF, Ricardo Batista. Tranquilidade, porém, é uma
palavra que não se aplica ao processo de eleição. Só em razão de questionamentos
judiciais, o trâmite foi suspenso por três vezes, sendo a primeira em julho e a
última a apenas um dia das eleições. Como o governo conseguiu reverter a
decisão de última hora, as votações ocorreram, mas as confusões continuaram.

Uma das
situações intrigantes do último domingo é o caso da educadora social Dolores
Maria de Albuquerque Moraes, 52 anos. Candidata pelo Riacho Fundo I, a sessão
de votação dela era na única escola disponibilizada para a eleição na região, o
Centro de Ensino Fundamental Telebrasília (Cetelb). No domingo, a educadora
chegou no horário correto, com os documentos obrigatórios e votou em si mesma.
No entanto, ao fim da contagem, na publicação do boletim de urnas, não havia
sequer um voto para Dolores. “Tinha que ter pelo menos um voto: o meu, claro.
Porque pelo menos eu mesma votei em mim. É lamentável, pois não temos como
resolver. Eu me senti totalmente prejudicada.” Outros casos como esse já são de
conhecimento da Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude,
que apurará situação por situação.

Um
ex-conselheiro, que prefere não ter o nome revelado, disse ao Correio que os
candidatos tinham uma ideia da quantidade de votos que teriam. E que muitos não
estão confiantes na relação preliminar de votos divulgada ontem pela
secretaria. A previsão é de que hoje saia o resultado definitivo. “Houve um
grande erro nisso tudo. Teve candidato que previa 200 votos, mas teve 89.
Outros, sequer um voto. Ficou tudo muito obscuro. E nada poderá ser checado,
pois nem comprovante de votação foi entregue”, contou o ex-conselheiro. Na
lista de problemas, ainda entram atrasos no começo da votação, defeito em
algumas urnas, a não exigência de documento com foto e o transporte irregular
de eleitores. As urnas não foram as mesmas utilizadas pelo Tribunal Regional
Eleitoral (TRE) nas eleições comuns.

Camila Costa / Correio Braziliense

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